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sexta-feira, julho 26, 2013

Laudrup

Mais do que nunca, tem-se discutido neste blog os modelos que priveligiam a posse, o que tem criado discussões interessantes sobre o modelo do Barça, o modelo de Pep, ou até a organização ofensiva do Benfica e seus defeitos. Mais recentemente tem-se abordado a capacidade de adaptabilidade do treinador e a sua capacidade de adaptabilidade em função da matéria prima à sua disposição.

O post mais recente sobre Tata Martino caiu que nem uma luva, porque há algum tempo que tinha algo que vos queria mostrar, sobre como Laudrup pensa o jogo. Este excerto foi retirado de uma entrevista que Laudrup deu enquanto treinador do Swansea, que tem sido considerado uma das equipas mais organizadas e mais atractivas do campeonato ingles dos ultimos anos.
Peço desculpa por não o traduzir, mas neste momento tenho a agenda apertada..
"Of course I am offensive minded. But you can be offensive in a naive away, just attacking. Football, if we bring it down very simply, it's when you have the ball and when you don't.
To go back to Barcelona, this is what they do: they say, 'When we have the ball, we need a lot of players near the ball, so when we lose it we have a lot of players near the ball to win it back.' And I think for a couple of years, especially with Guardiola, nobody spoke about Barcelona without the ball because to talk about Barcelona defending doesn't make sense. But it does make sense.
To think about attacking is also to think about positioning. I'm talking a lot to the players here about having lines because for every line you have, you have the possibility of triangles – angles to pass the ball. It's something from the first pages of the football book. But you have to do it, and then you have to do it faster and faster.
When I see a game on the television, and you see afterwards 'possession percentage 60-40', that doesn't say anything for me because it could be that one team is playing the ball between the back four 120 times. It's the same as when someone says, 'Look, one of the central defenders had 98% good passes'. Yeah, but it was from here to there [five yards apart]. For me, possession is to keep the ball while you are waiting for the possibility to penetrate. Every pass is for a reason."
Penso que estas declarações são um bom exemplo de que o mais importante são as ideias do treinador e a sua proposta de jogo. O Swansea não tem jogadores de topo mas tem uma ideia de futebol de topo que lhes permitiu na última época ganhar uma competição importante. Melhores jogadores permitiriam ao Swansea ter maior aproveitamento dos principios que treina, não fariam com que Laudrup pensasse de maneira diferente.
  

34 comentários:

Anónimo disse...

http://lateral-esquerdo.blogspot.pt/2013/05/swansea-de-michael-laudrup.html

Gonçalo Matos disse...

Essa análise está bastante interessante! Já a tinha visto mas não me recordei que tinha sido analisada no LE.

Roberto Baggio disse...

Exacto Gonçalo!

A proposta de jogo é inegociável... Só isso :)

Anónimo disse...

A qualidade individual dos jogadores influencia de forma decisiva a concepção e operacionalização do modelo de jogo... é impensável negar isto. Basta ver a evolução do Porto do VP do 1º ano com Hulk para o 2º com Jackson, do Benfica do JJ com Ramires para o ano seguinte. Cada jogador tem soluções especificas para os problemas do jogo e isso cria na equipa resposta especificas que não são possíveis de copiar... ser inegociável, imutável, é não ter capacidade de adaptação ao contexto e o contexto do futebol está em constante evolução.
Miguel Martins

Gonçalo Matos disse...

Miguel,

Ninguém daqui acha que os treinadores são individuos sem capacidade de adaptação. O que achamos é que se pode adaptar sub-principios que permitam mais facilmente por em pratica os principios de jogo da tua equipa. O Laudrup tem como intenção jogar apooiado e tentar ter a posse de bola. Se vires a análise ele pede aos extremos para virem a espaços interiores pra dar linhas de passe.
Noutra equipa poderia pedir outro comportamento aos seus atletas em função das necessidades da equipa e da qualidade individual. E isto é adaptação, ou se quiseres é plasticidade. O que nós defendemos é que se o Laudrup gosta de jogar em posse e quer ter bola, ele não vai montar a equipa pra fazer outras coisas.

Anónimo disse...

ok. mas ter posse de bola não é um princípio, não é nada concreto. até na mesma entrevista o laudrup diz que a posse de bola nada significa... a posse não é um fim é um meio de atingir um fim. alguma vez vistte uma entrevista se algum treinador que diga que conceptualmente não quer ter posse de bola? até o zé mota quer ter posse de bola.

Miguel Martins

Roberto Baggio disse...

Não, Miguel, em entrevista não. Mas vejo em campo e nos feedbacks que passam aos jogadores.

Abraço

Edson Arantes do Nascimento disse...

Aprecio o Laudrup e até já aqui o defendi como uma solução interessante para vários clubes, mas o Swansea que eu vi com atenção tem sérios problemas na transição e na organização defensiva.

Mas o resto, sim, está lá e tem espaço para melhorar.

Gonçalo Matos disse...

Miguel,

Nunca ouviste treinadores a dizer que querem jogar no contra ataque? Querer ter a posse de bola e controlar o jogo com ela e perceber o que precisas pra que o consigas, não há assim tantos. Ele na mesma entrevista insiste na importancia de criar várias linhas de passe e que trabalha muito isso em Inglaterra. Defensivamente refere a importancia de criares superioridade na zona da bola...
E a posse de bola por si só pode servir para um fim. Queres gerir um resultado, fa-lo-as melhor se tiveres a bola porque o teu oponente sem bola não marca golos certamente.

Gonçalo Matos disse...

Edson,

Sim, defensivamente não são fortes.. Como dito no LE, não é dificil jogar entre as duas linhas mais recuadas e quando o conseguem fazer, tiram imediatamente 6 jogadores do Swansea do jogo.
Pessoalmente, não sou fã de meios campos com os jogadores em linha.

Roberto Baggio disse...

Sim é um princípio simples, que permite só chegar a todos os fins que o jogo pode ter. Marcar golos e evitar sofrer golos. Portanto, não é algo possa ser tão desvalorizado quanto isso. Se estiver a ganhar e os meus centrais passarem o resto do tempo a trocar entre eles, óptimo. Ganhei o jogo, assim... É um meio que te permite, todas as finalidades do jogo, só isso.

Signori disse...

off topic...e um post sobre os sub19 e as diferenças de Peixe, da sua proposta de jogo e das diferenças quer tacticamente quer na escolha de jogadores, comparativamente aos treinadores de bigode pré históricos habituais das camadas jovens portuguesas. Assim de repente, vejo Ié e Cancelo a passarem de referências homem há meia dúzia de dias nos sub20, para referências zona nos sub19...que belo projecto, muito bem pensado, temos na Federação!

Signori disse...

Que refresh ver esta selecção a privilegiar as boas qualidades do futebolista português, e a apresentar uma proposta de jogo que privilegia a posse, as referências de passe, o 1-2 como forma de ultrapassar adversários no meio campo, as marcações com referência zonais...Ié parece outro jogador, sem o amadorismo e a trapalhada da estratégia de como os sub20 defendiam! Peixe está de parabéns, como já me cheirava durante a ronda de elite.

Gonçalo Matos disse...

Ola Signori!

Eu nao tenho tido possibilidade de ver os jogos.. Como estão as coisas?

Signori disse...

2-0 para Portugal, começou agora a 2ª parte. No outro jogo a holanda ganha 1-0 à Espanha, e assim ficamos em 1º e apanhamos a França. Temos um meio campo que sabe o que fazer com a bola, sm precisar de gajos que metem medo, tipo Danilos ou Pelés e Sanás. Bernardo Silva, Podstawki e Marcos Lopes sabem o que fazer com a bola e dá gosto ver. Alexandre Guedes tem ponta de ponta de lança.Mané tem rasgos, mas ainda é incógnita depois da lesão e às vezes as coisas não correm bem.Cancelo e Figueiredo têm mostrado nível...3-0 agora, de penalti pelo Tobias Figueiredo! Melhor ataque do campeonato

Signori disse...

3-1 agora, livre lateral daqueles entre a defesa e GR, bate no chão e é meio frango de Varela, que tem feito boas exibições

Signori disse...

4-1, Carlos Mané! E que bom para ele, depois da lesão

Signori disse...

Espanha acaba e empatar, como era de prever, e devemos apanhar a sérvia do Drulovic. De referir que aúltima vez que chegamos a uma final de sub19 foi há 10 anos, e fomos vices com a Itália. Tínhamos Amoreirinha, João Pereira e Hugo Almeida e eles Chiellini, Aquilani e Pazzini

Roberto Baggio disse...

Vi apenas o jogo contra a Espanha e um pouco contra a Holanda e não me pareceu nada bem.
Vou ver se olho agora para o mata mata.
Abraço

Signori disse...

A equipa está a subir de forma. Só o facto de apostarmos em jogadores que sabem o que fazer com a bola já é um avanço. vê o resumo deste jogo com a Lituânia. A verdade é que estes jogadores, que jogam a época inteira com meia dúzia de jogos a doer, têm muitas dificuldades quando se impõe ter rotinas defensivas e jogar maiores fases do jogo com esse chip. Mas gostei do que tenho visto nestes sub19, tem sido diferente dos últimos sub20, por exemplo

Cláudio disse...

Nunca. A qualidade individual dos jogadores pode alterar algumas e pequenas dinâmicas no modelo de jogo do treinador ( por isso este estar sempre em evolução). Agora a qualidade individual dos jogadores nunca podem forar uma proposta de jogo A ou B. Uma equipa quando joga e é organizada faz se valer pela interacção dos jogadores e não pelas qualidades individuais de cada. Eu posso ter 11 varelas e através do treino construir um modelo assente na posse de bola, claro que os jogadores vão acrescentar coisas devido aos seus atributos individuais, mas a proposta de jogo nunca será posta em causa.

Roberto Baggio disse...

Exacto Cláudio

Anónimo disse...

Boas.
Tens 11 varelas e queres operacionalizar um modelo em que o processo ofensivo assente em apoios próximos ao portador da bola e passes curtos? sabes qual é o destino? Derrota atrás de derrota! E o reforço positivo dos comportamentos treinados é fundamental para a aquisição dos comportamentos e para a aceitação da liderança do treinador. Os jogadores podem acrescentar e podem retirar qualidade aos princípios de jogo... e nenhum modelo tem mais valor do que outro... o valor dos modelos é ditado pela competição e pelos seus resultados em competição.
Um principio de jogo é um comportamento... (por ex. contenção: é o comportamento do 1º defesa que se deve colocar entre o atacante a a baliza, de modo a evitar a sua progressão e procurando recuperar a posse de bola.) Tendo em conta este facto como é que se define o principio posse de bola? Quanto muito, ter posse de bola (em alguma zona, em determinadas condições, para obter algo através de princípios de utilização dessa mesma posse) pode ser um objectivo parcial do processo ofensivo.
Miguel Martins

Roberto Baggio disse...

Miguel, então para ti, não é possível uma equipa acabar o campeonato em 6 e ter melhor modelo, ou um modelo de maior valor que o campeão?

Sim, claro só que a posse de bola é um princípio de comportamento não objectivavel, que se identifica na intenção em manter a bola na posse da equipa. E para esse princípio existem outros que para o auxiliar e ajudar na execução do mesmo, outros princípios mais pequenos, ou sub-principios, criação de superioridade numérica na zona de bola, passe, drible, condução, etc...

Anónimo disse...

É possível ter um modelo mais ajustado ás necessidades do seu contexto e adaptado aos jogadores disponíveis... ou seja um modelo que crie valor nas interacções entre jogadores e que "esconda" as limitações (Para mim o melhor exemplo é exatamente o TRAP 04/05 e o Mourinho 02/04 na CL)... deste modo o modelo que resulta muito bem para ficar em 6, suplantando em muito o objectivo inicial, replicado com os jogadores do 1º pode não ser o melhor para um nivel de competição em que o objectivo é o 1º lugar.
Não me parece é ser possível ganhar, sustentadamente, em alto nível (não distrital), sem ter um bom modelo, seja ou não de acordo com as minhas ideias. É uma questão de respeito pelas ideias dos outros e de reconhecer mérito a quem num campeonato é o melhor.

Anónimo disse...

Não assinei mas acho que deu para perceber quem tinha respondido.
Miguel Martins

Roberto Baggio disse...

O problema é para mim, que o melhor nem sempre ganha.
O melhor, para mim nem sempre termina em primeiro.
Abraço

Anónimo disse...

o sempre e o nunca em futebol não existem... Há sempre excepções e aliás até para a própria ciência há os .05 de acaso.
agora nos restantes 95% o melhor é o melhor... naquela competição especifica e de acordo com os constrangimentos específicos da competição.
a tua ou a minha opinião são irrelevantes pois o que dá validade à qualidade é a prática (o JJ reconhecia isto quando ia na frente, quando veio a citar um filósofo qq, depois de perder voltou aos sucessos relativos) e a competição... e o resultado indica quem foi melhor embora possam existir sucessos relativos.
Miguel Martins

Roberto Baggio disse...

Mas ninguém disse que o Porto não é melhor, ou não tem uma organização melhor... Aliás, devemos ter sido, junto com o LE os únicos blogues a dizer que o Porto era melhor quando o Benfica ia na frente...
E sim, os sucessivos relativos existem, em treino e em jogo. Aquilo que tu classificas como o quase pode ser a base qualitativa que leva uma equipa a patamares superiores, como consequência da regularidade de vitórias, culminando com a conquista de títulos.

João Saro disse...

«Aliás, devemos ter sido, junto com o LE os únicos blogues a dizer que o Porto era melhor quando o Benfica ia na frente...»

O LE disse?

Pelo menos, o Miguel Nunes disse, no final do campeonato, que o Benfica tinha melhor modelo para o campeonato pelas transições (?).

Roberto Baggio disse...

Não, não o disse. Vai ver a prévia do jogo do Dragão, os posts do Benfica. A defesa de VP, do modelo do Porto. A caixa de comentários não engana...

Miguel Nunes, sobre o modelo do FCP antes do jogo com o Benfica: "Não sei mm como o Benfica vai parar aquilo"
"Tirar a bola ao Porto é uma tarefa hercúlea, tanto que eles só precisam de uma vantagem de um golo para ganhar"

Etc...Etc...

Acho que nunca o Miguel diria que o modelo do Benfica era melhor. Se calhar disse que funcionava melhor no campeonato do que nas provas europeias, mas isso é outra questão. Questão de no campeonato a maioria dos adversários não a qualidade individual e colectiva do Benfica.

Anónimo disse...

Que o modelo do Porto é melhor, pareceu claro.

Agora que Jesus tem virtudes, também o é, pese embora não seja um treinador estupendo, porque tem um modelo um pouco fraco. É um excelente treinador porque consegue implementar o seu modelo. É fraco porque o seu modelo não tem capacidade contra muitos outros superiores.

António Teixeira

PP disse...

Teixeira,

Por acaso não acho o modelo do Porto assim tão melhor quanto o fazem querer.

É um modelo equilibrado, aliás demasiado equilibrado... daí a dificuldade de marcar golos em muitos jogos (recordo que um grande número de jogos o Porto começou a construir resultados com golos de penalties).

Agora, que consegue ser superior nos confrontos directos com o Benfica, isso é um facto, mas para mim deve-se ao problema da forma como o Benfica constrói jogo.

Anónimo disse...

PP,

Claro que o modelo do Porto tem problemas. Mas olha, os penalties não caem do céu, normalmente vem em situações de finalização claras.

Anyway, não é o Benfica solucionar esse problema que vai fazer o Benfica superiorizar-se ao Porto, até porque o Porto tem princípios há já alguns anos que o distinguem de muitas equipas. Por exemplo, o Benfica poderia organizar melhor, mas nunca ou muito dificilmente ia ter a transição do Porto.

Cumprimentos,
António Teixeira