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terça-feira, julho 16, 2013

FCP - Algumas ideias de Paulo Fonseca

Esta análise é referente aos primeiros 40 minutos de jogo entre Porto e Marselha.
Só vi estes primeiros 40, porque um jogador do Marselha foi expulso, tendo ficado o jogo adulterado. Seria interessante, do meu ponto de vista, se fosse um jogador do Porto expulso. Assim, fica apenas o registo deste tempo de jogo, onde já deu para perceber algumas das ideias que P. Fonseca quer implementar, contra o Marselha, que vai jogar a liga dos campeões.
Mobilidade dos homens sem bola fica na retina.

34 comentários:

Ronaldinho disse...

Nota-se bem ideias novas principalmente as trocas de Lucho com Fernando, já as trocas com o extremo foram aproveitadas pelo PF porque o Lucho já as fazia o ano passado. Ainda não vi bem este Porto, tenho de ver com atenção.

Roberto Baggio disse...

Eu só apanhei a partir do minuto 15, porque me enganei e cortei o vídeo até aí. Mas antes disso, já tinha havido pelo menos 3 trocas com o Jackson. Mas percebo bem a ideia, Lucho aparece muito bem em zonas de finalização. Sou homem para arriscar, caso a dinâmica evolua, bem, neste sentido, ser esta época que Lucho mais golos vai fazer pelo FCP

PP disse...

Baggio,

Grande trabalho! Parabéns!

Queria apenas destacar duas coisas:

1 - Aparentemente (porque não sei em que estágio físico se encontra neste momento o Marselha), acho que o Porto tem rotinas mais bem assimiladas que o Benfica. A forma como constroem jogo é bem notória.

2 - O "atacar sem pressas" que referiste no filme, é uma excelente maneira de gerir o esforço. Notar que fizeram isso passados pouco mais de meia-hora de jogo. Revela inteligência de jogo. Algo que o meu Glorioso, por exemplo ainda não consegue fazer, infelizmente... (mas acho que isso deve-se à equipa técnica...)

Mais uma vez, excelente trabalho (deve ter-te demorado umas belas horas...). Fico à espera de um filme do Benfica. Se fizeres, repara como o Benfica sai para o ataque e com as duas variantes, ou seja, quando joga com dois "extremos puros" e outra quando joga com "falsos extremos".

Depois, diz lá se não achas que os "erros defensivos" dos encarnados não começam invariavelmente pela forma errada como atacam?

;)

PP disse...

Ah! Quanto ao 4-2-3-1 do Porto, é fácil de anular, se o PF continuar a meter o Lucho como "10".

A táctica poderá resultar para a maioria dos jogos do nosso campeonato, mas num jogo intenso, não estou a ver bem o Lucho a conseguir rodar-se. Uma defesa bem organizada, compacta e pressionante, mata esse tipo de jogo.

Outra coisa: o 4-2-3-1 virou moda! ;)

Anónimo disse...

O Porto não joga em 4231, mas joga em 433. O Lucho aparece como médio ofensivo. Aliás, o esquema é até agora muito semelhante ao do Vitor Pereira, havendo apenas mais jogo posicional, daí a transição defensiva não ser tão forte, ainda (e também em virtude de nos encontrarmos na pré-epoca). Ainda não percebi, é que em certas acções na 1a fase a equipa parecia jogar com duplo pivot, mas depois houve algum jogo posicional e nem sei qual é o esquema.

O movimento de troca com o extremo era feito já no tempo do Libras, mas parecem existir mais trocas a nivel de médios (ainda que o Vitinho já tenha pedido isso à equipa numa fase mais adiantada da sua orientação, e com a evolução do Fernando), e a troca com o Jackson não ocorria muito noutras alturas (claro que pela sua capacidade técnica e criatividade, podes deixar o Jackson trocar com o Lucho), mas ainda assim já se via algumas vezes.

Acima de tudo, o que transparece é que desde o Libras, o futebol da equipa assenta não só no mesmo esquema táctico, mas também nos mesmos princípios: posse e pressing. É perfeitamente natural que uma equipa que tem sido tão forte em quase todos os momentos de jogo tenha esses princípios bem assimilados. Pois, o papel do Paulo Fonseca passa, essencialmente, por melhorar a criação de finalização da equipa, que era, podemos concordar, o pior da equipa do Vitor Pereira (por culpa dele e pelos jogadores de que dispunha).

Sobre o Benfica PP, eu, pessoalmente, acho que a equipa de Jorge Jesus tem o mesmo problema do Barça: a construção demasiado vertical, que não te ajuda a teres posicionamento para uma boa transição defensiva e, portanto, organização.

Cumprimentos,
António Teixeira

DC disse...

O que achas pela opção de 2 médios à frente da defesa?
Eu sinceramente não gosto, acho que torna o Porto defensivamente mais fraco relativamente ao ano passado.

Notam-se algumas dinâmicas interessantes ofensivamente, mas preocupa-me um pouco a defesa.

Mas eu também sempre preferi equipas com 1 médio apenas à frente da defesa (Barça de Pep, Juve, Porto de quase todos os treinadores, etc...)

Roberto Baggio disse...

PP,
o primeiro ponto a realçar é que ele só é 4-2-3-1, na saída de bola.
Depois é 4-4-2 (Clássico) quando Lucho encosta em Jackson, ou 4-1-2-3 (4-3-3) quando Lucho troca com os extremos.

Quanto ao ser fácil de anular, não é uma simples dinâmica posicional que vai ditar isso, isto ainda tem muito que evoluir e vamos ver como ele o faz. Qualquer defesa bem organizada, compacta, e pressionante, mata qualquer tipo de jogo. Então qualquer tipo de jogo é fácil de anular. E ambos sabemos que não é bem assim. Temos de esperar para ver como isto evolui, como entram outros jogadores nisto, etc... Como ele vai jogar a ganhar, a perder, empatado, com o decorrer do tempo, muita coisa...

O Benfica, já o referi na época passada, e neste ano, ao que tudo indica, parece ser mais do mesmo. Vi com atenção os jogos, e deparei-me com os jogadores (Aqueles que chegaram agora), na sua maioria a pedir por linhas de passe mais próximas, enquanto que os outros colegas estavam mais esticados. Depois a juntar a isto, uma indicação de JJ, para o Cortes jogar directo no extremo, que estava bem longe, mesmo tendo adversários a frente. Isso são indicadores que vamos continuar a atacar pela qualidade individual dos jogadores e pouco pelo colectivo. A boa notícia é que ten muita qualidade individual, em quantidade. A má, é que assim, vais continuar a sofrer nos jogos grandes, e a estar mais perto de perder em cada um deles.

E sim, a forma rápida como o Benfica tenta atacar, sem antes organizar a equipa (na maior parte das situações em que recupera a bola) é o principal motivo pelo qual a equipa sofre tantos golos.

Obrigado pelos elogios. Todas as análises levam muito tempo, quer as faça estáticas (imagens) ou dinâmicas (vídeos), porque tenho que ver e repetir, e rever, etc, mas como já tenho feito estes vídeos, já estou "treinado" para isto e demoro muito, muito menos tempo do que da primeira vez. :)

Quanto ao filme do Benfica, logo se vê, até porque não quero que a concorrência venha cá espreitar hahahaha :)

Abraço

Anónimo disse...

Roberto Baggio,

Mas o problema do Benfica, para além do modelo do Jesus dar preferência a certos princípios, é que não podem escolher jogar de um certo modo (por exemplo, como o Porto) sem um grande trabalho por trás, não de formação, mas de assimilação dos princípios por parte da estrutura. Ora, não sei como jogam os escalões do Benfica, mas a imagem do Benfica é hoje o modelo do Jesus, e temos, portanto, duas equipas em Portugal com princípios de jogo muito diferentes, o que de certo modo é bom para o futebol. Assim, temos a cultura do Benfica, com um futebol mais vertiginoso, e a do Porto, com um futebol mais pausado. Cada uma com as suas virtudes e defeitos, mas creio, como leigo, que o modelo do Porto está mais próxima de ultrapassar os defeitos que tem do que o do Benfica.

Cumprimentos,
António Teixeira

Roberto Baggio disse...

DC,
A defender, ele não coloca 2 médios defensivos, só a construir. O problema é que Lucho, ainda não capacidade física para recuperar das subidas e os extremos, quando trocam, poucas vezes percebem que devem baixar para a linha média.
Jackson, quando trocou com Lucho, baixou sempre a compensar a subida dele, quando a equipa perdeu a bola, ficando perto de Josué, a frente de Fernando. Então, pela falta da capacidade física (que vai ganhar ainda) Lucho, parece jogar em 4-2-3-1, ou em 4-4-2, o que não é verdade.

JON disse...

Excelente análise. Obrigado!

Pergunta: debruçaste-te também sobre a movimentação da equipa na transição defensiva e queres comentar ou fica para uma próxima?

DC disse...

Tens razão Baggio, confesso que comentei baseado no que li na imprensa sem ver o vídeo e também não tive oportunidade de ver o jogo com o Marselha.

Depois de comentar fui ver o vídeo e realmente o Fernando aparece na ponta do vértice como anteriormente.
Espero que o Paulo Fonseca defensivamente mantenha os princípios. Depois com as soluções ofensivas que tem pode produzir muito bom futebol e agrada-me muito a possível aposta no Josué. Acho-o um jogador fabuloso.

Já agora, não achas que nesta posição, fazendo trocas posicionais com o ponta, o Quintero seria mais forte que o Lucho devido à sua capacidade de explosão?

Roberto Baggio disse...

Sim António, concordámos que a criatividade é o que mais faltava a equipa de VP, optava invariavelmente pelo cruzamento, concordando também que a única melhoria possível neste Porto é exactamente a criação de situações de golo. Ainda assim, não noto no PF a intenção de colocar os médios a jogar entre linhas, mas noto a intenção de colocar os extremos a fazerem esse trabalho. O que já é um grande upgrade relativamente ao VP.

Quanto ao Benfica,
A estrutura não tem haver com isto. O Benfica pode e deve jogar como o treinador quer! Isto porque não há cultura de bases (formação) que permita justificar o que dizes. O Benfica tem tido uma politica de contratação de jogadores com o perfil que o treinador exige e dessa forma o único culpado do sucesso e insucesso do Benfica, é unicamente o treinador. Portanto a chave é só o modelo. Percebo o que dizes com modelos diferentes, mas Jesus apesar de vertiginoso, atacava melhor e equilibrava a equipa, melhor, também, no primeiro ano em que chegou ao Benfica. Apesar da vertigem, jogava por dentro. Apesar da vertigem, havia apoios próximos ao portador. Apesar da vertigem, Jesus, mostrou-me, que quando não podia atacar rápido, mantinha a bola e depois atacava bem. E isso ele mudou, e é isso que eu exijo de volta! Assim já podíamos voltar a pressionar em transição e em organização, já poderíamos deixar a defesa menos exposta a situações de igualdade/inferioridade numérica.

PS: Não és leigo nenhum

Abraço

Roberto Baggio disse...

JON, boas
Não me debrucei, por um motivo: As condições físicas ainda não são as ideais, como se vê com Lucho, por exemplo.
Daqui a duas semanas, poderei chegar a mais conclusões :)

Roberto Baggio disse...

DC, vi poucos jogos do Quintero e o problema nessa posição, onde vais estar muitas vezes com pouco tempo e espaço para decidir é conseguir transportar a qualidade que tem, para esse constrangimento, de decidir bem e depressa. E depois, será perceber o que o treinador vai exigir em transição defensiva, para o jogador dessa posição. Mas, fazedno uma análise curta e pouco exacta, sim o Quintero será melhor que Lucho, até pelo que se notou, Lucho falho ali imensos passes (não sei se por técnica, não sei se por cansaço, vamos ver com o tempo).

Josué, gosto muito e está a trabalhar que nem um cão. Vê-se que tem muita vontade de agarrar lugar no onze e está a esforçar-se por melhorar defensivamente (em termos posicionais) e em transição. Espero que ele agarre, porque o quero na selecção já!

Anónimo disse...

Sim claro, o Jesus tem mudado, para pior. Estás a concordar comigo, não existe uma cultura de clube.

Cumprimentos,
António Teixeira

Roberto Baggio disse...

Sim, então se não existe essa estrutura, não há nada por assimilar. Para mim, não faz sentido especializar os jogadores da formação, até eles chegarem aos juniores ou, equipa B.

PorquÊ? Porque as equipas em Portugal, com excepção do FCP nos últimos 5 anos, não têm tido modelos de jogo de base. Ou seja, porque haverás de especializar um jogador a jogar de forma X, quando depois chega aos séniores e joga de forma H? Para isso, tinha de escolher treinadores, como diz o Jesus, para a estrutura, e não treinadores que sejam a estrutura.
Tinhas de passar a contratar quem trabalhasse de acordo com o modelo de jogo do clube, sem o descaracterizar, por forma a que essa especialização desde cedo tivesse frutos no plantel sénior. Então, sou adepto, de metam os miúdos a jogar e a passar por diversas experiências, dentro do modelo de jogo, de nome: Jogar Bem!
Assim, tendo eles passado por vários modelos, por jogarem, bem, em vários sistemas inclusive, podem almejar a adaptarem-se melhor ao estilo dos treinadores que estiverem nos Juniores, Equipa B, e Equipa principal em última instância.

Abraço

Anónimo disse...

Pois, por isso é que estava a sublinhar os méritos da estrutura do Porto, que permitem que a equipa (ainda que quase sem ninguém da formação), jogue durante vários anos com princípios iguais.

Cumprimentos,
António Teixeira

Roberto Baggio disse...

Sim,
Eu como treinador preferia estar na situação do Jesus de poder escolher o meu modelo. Mas se eu fosse da direcção do clube queria sempre contratar um treinador que viesse cumprir com o modelo do clube.

Mas depois há a situação do modelo do clube ser aproximado do meu modelo ideal, e isso seria a melhor situação possível para treinador e direcção.

Luis Santos disse...

Boas!

Baggio, contra o Maastricht notou-se o uso do duplo pivô na 1a parte. Talvez seja só em circunstâncias de organização defensiva e ofensiva ou então era porque o Fernando não estava em campo (jogou o Castro a "6").

Apesar de o Porto ter mudado de treinador e o Benfica não, não achas que o Porto já joga mais de acordo com o seu treinador do que o Benfica?

Já agora, Fernando ou Defour para a posição "6" no Porto?

Só mais uma coisa, no contra-ataque após o canto, não acho que as decisões tenham sido as melhores. Izmailov devia ter procurado o centro mais cedo e Jackson o lado esquerdo do russo (este principalmente, depois o Izmailov não vai para o centro porque o Jackson está na frente).

Abraço!

PP disse...

@ Teixeira: Esse 4-3-3 do Porto já vem desde o tempo de Artur Jorge e do Futre e do Fernando Gomes, salvo os períodos com o Bobby Robson (4-4-2), e mais recentemente com o Co Adrianse (3-4-3/3-3-4). Agora, realmente parece-me que se está a desenvolver em 4-2-3-1. Noutro dia via o Josué mais a "10", por exemplo. Mas, concordo que não seja assim tão linear.

Quanto ao Glorioso, para mim, o problema da fase de construção está no posicionamento, não do Matic, não do Enzo e não dos centrais e dos laterais, mas sim na de quem ocupa a posição "10", na posição do extremo do lado da saída da bola e na posição do ponta-de-lança.

Não achas que falta linhas de passe quando a bola cai num central ou num lateral? ;)

@ Baggio: Acho que será fácil de anular o Lucho se levar-se o jogo para uma dimensão física mais intensa. O argentino tende a desgastar-se e lá pelos 60-70 minutos, "kaput". Então se tiver um "cão de caça" a não deixar rodar e ter outro à espreita para interceptar os passes que ele faz. Ficam completamente manietados. Depois, não acho que Izmailov e Kelvin sejam assim tão fortes no um contra um. O Kelvin é uma mota. O Izmailov perdeu muito a sua capacidade de explosão e vejo-o mais cerebral. Ou seja, os desequilíbrios se houver no Porto será por meio de combinações/movimentações tipo, logo mais facilmente identificáveis.

Por isso, é que até entendo a preocupação que estão a ter em procurar contratar um Bernard... e a avaliar o amadurecimento do Iturbe...

Quanto ao Glorioso, destaco estas três frases que escreveste:
1 - "Isso são indicadores que vamos continuar a atacar pela qualidade individual dos jogadores e pouco pelo colectivo."
2 - "A má, é que assim, vais continuar a sofrer nos jogos grandes, e a estar mais perto de perder em cada um deles."
3 - "E sim, a forma rápida como o Benfica tenta atacar, sem antes organizar a equipa (na maior parte das situações em que recupera a bola) é o principal motivo pelo qual a equipa sofre tantos golos."

É isto! ;)

Anónimo disse...

Caro PP,

Não conheço muito bem o Benfica e, aliás, sou um leigo nestas coisas. Mas do que me recordo, parece-me que as linhas estão demasiado distantes na primeira fase de construção.
O grande problema é, contudo, na criação: está muita gente em zonas de finalização e desse modo não existem apoios para construir e criar zonas de pressão; o mesmo acontece em fases antecedentes, em que está muita gente à frente da linha da bola. Se perdes a bola ali, tens menor capacidade de pressing porque tens menos jogadores.

Cumprimentos,
António Teixeira

Roberto Baggio disse...

PP,

"Quanto ao Glorioso, para mim, o problema da fase de construção está no posicionamento, não do Matic, não do Enzo e não dos centrais e dos laterais, mas sim na de quem ocupa a posição "10", na posição do extremo do lado da saída da bola e na posição do ponta-de-lança.

Não achas que falta linhas de passe quando a bola cai num central ou num lateral? ;)"

Isso é uma consequência do problema. E o problema é toda uma dinâmica posicional que tem como objectivo a criação de situações 1x1 para os jogadores desequilibrarem de forma individual. Caso os jogadores tivessem, no modelo de JJ, ordens para aproximar do portador, criando várias linhas de passe (excepção aos jogadores mais longe da bola), isso já não acontecia. Então, pela dinâmica ofensiva que JJ quer, isso é apenas um dos resultados. Vi variadíssimas vezes o Amorim, que é médio, a pedir por linhas de passe perto dele, a esquerda e a direita, não tinha e invariavelmente jogava para trás. Aí também podes analisar que linhas faltam e onde faltam, mas como digo, são consequências do modelo.

"Acho que será fácil de anular o Lucho se levar-se o jogo para uma dimensão física mais intensa. O argentino tende a desgastar-se e lá pelos 60-70 minutos, "kaput". Então se tiver um "cão de caça" a não deixar rodar e ter outro à espreita para interceptar os passes que ele faz. Ficam completamente manietados. Depois, não acho que Izmailov e Kelvin sejam assim tão fortes no um contra um. O Kelvin é uma mota. O Izmailov perdeu muito a sua capacidade de explosão e vejo-o mais cerebral. Ou seja, os desequilíbrios se houver no Porto será por meio de combinações/movimentações tipo, logo mais facilmente identificáveis."

As combinações colectivas são as mais difíceis de anular, precisamente por serem mais imprevisíveis... Combinações colectivas, são aquelas coisas que não se treinam, não podes dizer passa para este, ou para aquele. O que acontece, é tu definires, por exemplo, 3 linhas de passe perto do portador, uma em diagonal a esquerda, outra a direita, outra em apoio frontal, depois disso, o jogador decide se passa para a esquerda, direita, para o apoio, ou se dribla e conduz ele mesmo. Como é que vais identificar para onde ele passa? E como identificas para onde o jogador que ele passou passa a seguir? Isso é imprevisível... Daí ser ser melhor que atacar pela individualidade, como tanto, bato em Jesus.

Roberto Baggio disse...

Luís, olá amigo

"Apesar de o Porto ter mudado de treinador e o Benfica não, não achas que o Porto já joga mais de acordo com o seu treinador do que o Benfica?"

Isso é uma faca de dois "legumes", á lá Pacheco heheheh
Porque eu não sei como o Jesus quer que o Benfica jogue.
Porque o Jesus apresentou sempre, no onze inicial, pelo menos 4 jogadores que não estavam com ele o ano passado, ao contrário de Fonseca, que optou por jogar com uma base que já tinha e mesmo que não estejam ainda as ideias dele, podem-se confundir com as do VP, pelo entrosamento dos jogadores.

"Já agora, Fernando ou Defour para a posição "6" no Porto?"

Fernando

"Só mais uma coisa, no contra-ataque após o canto, não acho que as decisões tenham sido as melhores. Izmailov devia ter procurado o centro mais cedo e Jackson o lado esquerdo do russo (este principalmente, depois o Izmailov não vai para o centro porque o Jackson está na frente)."

Sim concordo com o que disseste, mas isto é futebol e é dinâmico.
1-Izmailov para melhorar o que fez só se fizesse uma recepção orientada para o centro do campo.
2-Não tenho a certeza de isso ser a melhor decisão, porque os únicos jogadores no campo de visão dele são Josué, que não é muito rápido e Lucho. Ou seja, atacando logo o meio aí ele iria estar a acelerar a acção, tanto dos defesas, como a dele, podendo não ter dado tempo suficiente para os colegas chegarem.
3-Admitindo que ele errou, corrige-o de forma fenomenal, pois consegue outro timming para desequilibrar
por dentro.
4-Jackson vai por dentro, porque Izma não ataca logo o meio, e na minha opinião o que ele fez é muito bom. Atrai a atenção dos defesas, depois faz o movimento para o lado que Izma abandona para vir dentro. Também podes dizer que Jackson podia ter vindo logo pela esquerda de Izmailov, mas aí já entra outra coisa no futebol: Há várias formas de chegar ao mesmo sítio.

Há várias formas de atacar o meio... Izmailov até podia ter continuado pela lateral e ter entregue em Josué, no meio para ele decidir, que estávamos na mesma a atacar o meio.

Abraço

PP disse...

@ Teixeira: "está muita gente em zonas de finalização e desse modo não existem apoios para construir e criar zonas de pressão", pois essa também é a minha leitura.

@ Baggio: "E o problema é toda uma dinâmica posicional que tem como objectivo a criação de situações 1x1 para os jogadores desequilibrarem de forma individual.", concordo! E, é por isso que não acho o modelo de jogo do Jesus válido.

Ele despreza uma coisa fundamental em qualquer desporto: a necessidade de respirar.

Ainda neste artigo, vimos o Porto a atacar com tempo. Fê-lo aos 30 minutos, porque toda a equipa necessitava de respirar, recuperar o fôlego.

O Benfica do Jorge Jesus é demasiado nervoso. Vive em constantes acelerações. Não respeita a necessidade que muitas vezes os jogadores têm de recuperar.

Ele deve mesclar a procura de situações de um-contra-um, com situações de posse. E, claramente, fico com a sensação de que ele não treina nada disso.

O que o Guardiola mais faz a nível de treino é exactamente ensinar os jogadores como fazer essa gestão da posse de bola. Como movimentarem para darem linhas de passe, sem nunca perderem a noção do espaço que ocupam e das necessidades que daí advêm.

O Jesus não! Depois é fácil berrar para o jogador correr para vir defender...

E, quanto às combinações colectivas, estava-me a referir dos movimentos atacantes que são treinados, para criar espaço. Um exemplo, comum é o descer do extremo para zonas interiores do terreno, deixando o lateral subir e com isso o médio meter nas costas,... movimentos dos géneros.

Quanto ao melhor... não existe isso. O melhor é o que cada situação necessitar. Por vezes, as coisas só se desdobram com jogadas individuais. Outras, só com o colectivo.

Miguel Nunes disse...

excelente Robby! Já assinei :)

Roberto Baggio disse...

Achas que posso ser profissional dos vídeos, se não safar como treinador? Hahahaha
Abraço Miguel

Miguel Nunes disse...

Queres vir fazer o meu casamento...? LOL

Roberto Baggio disse...

PP,

"E, é por isso que não acho o modelo de jogo do Jesus válido."

Eu discordo desta afirmação. Dentro das limitações que tem o modelo, dentro daquilo que são os princípios contidos nele, tendo em conta a forma que o treinador trabalha esse mesmo modelo, faz com que seja válido. Agora, dentro da validade, pode ser melhor ou pior. Pode ser mais ao meu gosto ou menos ao meu gosto.

"Ele despreza uma coisa fundamental em qualquer desporto: a necessidade de respirar."

Klopp e Mourinho, ao que parece, também desprezam essa necessidade! É uma maneira que ver o jogo diferente que eles têm, querem bolas rápidas na frente, querem futebol mais directo... É essa a forma deles de ver o sentir o jogo, diferente das nossas, o que não faz deles grandes treinadores, pelo contrário, faz deles enormes treinadores, derivado das equipas apresentarem os comportamentos que eles querem/gostam/acreditam/treinam.
O Guardiola é incomparável, não serve de exemplo. É demasiado diferente, pelo melhor, claro.

"E, quanto às combinações colectivas, estava-me a referir dos movimentos atacantes que são treinados, para criar espaço. Um exemplo, comum é o descer do extremo para zonas interiores do terreno, deixando o lateral subir e com isso o médio meter nas costas,... movimentos dos géneros."

Sim, as jogadas "estudadas". Só que eu tenho muito más opiniões desse tipo de jogadas estudadas por se tornarem vícios, ao invés de auxilio. Então prefiro não as fazer. Mas isso sou eu, outros não sei como funcionam com isso. E sim, essas tais jogadas/combinações são fáceis de anular.

Roberto Baggio disse...

Miguel,
Seria uma honra, trabalhar com tão ilustre treinador :P

PP disse...

Baggio,

Tu és treinador? Se sim, dá aí uma dica de como e onde se pode tirar esse curso.

Quanto às tuas respostas...

1 - É verdade que o melhor para mim, pode não ser o melhor para ele... mas há coisas que são universais, e a verdade é que a maioria dos jogos que o Benfica ganha é mais pelo talento que os jogadores têm, do que pelo plano de jogo do treinador. Aliás, olhando para os planos de jogo dos últimos encontros... enfim!

2 - Não acho que o Klopp e o Mourinho desrespeitam ao nível do Jesus... é verdade que preferem jogar numa toada de transições rápidas, mas quase sempre optam por um bloco mais baixo, com os homens da frente a esticarem o jogo. O Benfica, acaba por ter movimentos muito contraditórios, daí que sofra golos da maneira como sofre.

3 - Porque é que preferes não fazê-las? O Barcelona, embora faça muito "tiki-taka" a meio-campo, acaba quase sempre por depois criar um espaço devido a uma movimentação modelo "jogada ensaiada"... aquelas movimentações do Pedro da direita para o interior, as subidas sorrateiras do Dani Alves, são bem típico deles.

Eu por acaso acho que esse tipo de "playbook" muito útil para incentivar a criatividade e entrosamento dos jogadores. Mais, do que deixar "o ataque por conta deles".

Quando se deixa o "ataque por conta deles" dá logo azo a "rodriguinhos". Começam a ligar o complicómetro... vejo muito isso no Benfica.

Ah! Já agora, acho um pouco contraditório, deixar atacar por conta deles e defender como o treinador quer (conforme o Jesus defende). E, explico porquê.

Tu quando atacas "como bem entendes", o mais provável é o teu lateral direito, por exemplo, poder ir para a extrema esquerda (já aconteceu com o Maxi...) Sendo assim, como é que se pode exigir que o mesmo lateral no momento defensivo (se ocorrer intercepção e a equipa ter que fazer uma transição defensiva) esteja no sítio dele?

Poderás condicionar o jogador, mas aí acaba por condicionar a criatividade dele.

Como tal, mais vale dar-lhe "um texto/um papel" sobre o qual ele poderá ter uma interpretação mais livre. Acho que assim funciona melhor. E, é aí que o Guardiola é excelente. Na construção do "texto", que vai muito ao encontro do perfil do futebolista.

Roberto Baggio disse...

PP,
conheces mal Guardiola.
Vou colocar no próximo post, um vídeo do que ele pensa sobre o trabalho do treinador e logo vês.
O jogador é que decide, ele só guia. Ou seja, ele diz quero sempre X, Y, Z linhas de passe no meio, nas alas, etc. E a partir daqui, dependendo do movimento do adversário tentem desposicionar. Toquem a bola. Por onde? Não sei, isso é com vocês, o adversário mexe de forma X, vocês tocam para, Y, e etc. Se o adversário não desposicionar, não vier ao vosso encontro, continuem a provocar, como? Decisão deles, se em drible? Se em passe? Etc...

Então Klopp e Mourinho preferem marcar menos e sofrer menos, Jesus prefere marcar mais e se isso resultar em sofrer mais, não há problema porque marcou mais do que sofreu... Ideias...

Quanto à tua questão, sim sou treinador, tal como o Ronaldinho, o Savicevic e o Fred. Quanto aos cursos tens de pesquisar nos sites das associações distritais de futebol ou na federação.

PP disse...

Baggio,

Pelos vistos, vão abrir em Agosto na Associação de Futebol de Lisboa... Nível I e II ;) (Já agora o que se dá nesses níveis?)

Bem, quanto ao Guardiola... hmm... não vou contrariar o que ele diz, mas também consigo identificar 3 ou 4 movimentos tipos/chaves que o Barcelona do Guardiola fazia (e ainda utiliza), para pensar que haja essa liberdade toda concedida aos jogadores...

O meu problema/A minha crítica com o Jesus vai apenas para o facto de ele não conseguir controlar o jogo. Isso é inadmissível numa equipa como o Benfica.

Roberto Baggio disse...

PP,
Não sei qual é o conteúdo dos cursos, ainda não fiz nenhum.
Pode ser que consigas, mas são movimentos dos jogadores sem, bola, tal como eu sugiro. Se a bola vai para lá, depois ou não, isso é outra história.

Anónimo disse...

Truque para parar o FCP na era PF: Contratar o Bynia, para no minuto 1 arrebentar o joelho ao Lucho! Fácil