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terça-feira, junho 04, 2013

O tal lance que define o campeonato

Aqui está uma possível análise ao lance.

Aqui fica a minha impressão:


"O Benfica beneficiava de um lançamento lateral à esquerda.
Qual a opção estratégica e táctica? Precaver a transição defensiva? Assegurar superioridade numérica na defesa? Isso é para os fraquinhos.
O nosso mestre da táctica deixou que OITO jogadores do Benfica estivessem no meio campo do Porto (todos se vêem na imagem), cinco deles ficariam facilmente fora de um contra ataque rápido como viria a suceder"

Acho que a transição defensiva está mais que precavida. Pelo menos no que concerne ao posicionamento dos jogadores. Dependendo o resto, exclusivamente, da sua acção sobre a dinâmica do lance. O Benfica tem 5 jogadores atrás da linha da bola, contra 4 jogadores do Porto para sair em transição. Superioridade numérica assegurada.



"A bola já estava perdida. Quatro jogadores do Benfica ficavam irremediavelmente para trás.
Quatro jogadores colocados a meio campo, capazes de assegurar a transição defensiva em superioridade numérica se tivessem sprintado e ocupado posições defensivas mais conservadoras. 
Fora da imagem estavam dois defesas do Benfica. Um deles sairia para tentar cortar o lance de cabeça."

Aqui, dás-me razão. Não há falha de JJ, dizes tu, e bem, Quatro jogadores a meio campo capazes de assegurar a transição defensiva em superioridade, se tivessem sprintado e ocupado posições defensivas mais conservadoras... Os jogadores estão bem posicionados, dependendo o resto, exclusivamente, da acção que os mesmo têm na dinâmica do lance.



"Um momento em que vemos cinco jogadores do Benfica para dois do Porto. 
Se pelo menos estes cinco se tivessem recolocado bem, o Benfica aumentaria exponencialmente as suas possibilidades de ganhar o campeonato. Mas infelizmente nenhum deles acreditou que aquela jogada podia ser realmente perigosa."

E continuas, a dar-me razão. Mais uma vez superioridade numérica, bem evidente... Jesus não pode jogar pelos jogadores. A excelência táctica da equipa a defender termina na interpretação dos jogadores e o modelo de organização é tão evidente, que tu, consegues descortinar erros por haver um padrão. E se o há, então como é possível colocar a culpa em Jesus, nestes erros, quando dizes sempre que a culpa é dos jogadores? Mas só o é, porque o modelo defensivo tem provas dadas e neste momento específico, falhou. Mas não foi o modelo defensivo que falhou. Foram os jogadores que o interpretam que o fizeram. A minha questão é: Qual é a tua sugestão para o posicionamento a adoptar no lançamento? Todos atrás da linha da bola? Um jogador perto do lançamento e todos os outros atrás?




"Dois segundos antes, na segunda imagem deste post, vemos 6 jogadores do Benfica contra 2 do Porto. 
Dois segundos depois vemos 6 do Benfica contra 6 do Porto.
Se a partir daqui as decisões tivessem sido correctas, a situação ainda podia ter sido remediada.
MAS, se o mestre da táctica tivesse evitado estas correrias loucas para a transição defensiva, depois de um jogo tão intenso, provavelmente a simples colocação mais conservadora dos jogadores do Benfica teria sido suficiente para evitar o perigo de contra-ataque."

Mais uma vez, erro dos jogadores certo? Os do Porto reagem ao ganho de bola, os do Benfica não reagem a perda! Compreendo a crítica que fazes, mas então a culpa é do modelo de jogo da equipa. Tens de ser coerente no que criticas e não criticar um lance em si, que viste repetido inúmeras vezes com grande percentagem de sucesso defensivo por parte do Benfica. A grande questão que fica é: Não foi este o modelo que catapultou a equipa para o entusiasmo da possibilidade de conquistar 3 competições nesta temporada? E com tamanha dose de sucesso, porquê que não o criticaste nas vitórias? É que o padrão de jogo, de posicionamento, de ataque, está e sempre esteve intimamente ligado a forma como defendes. Se o Benfica ataca em transições, defende em transições! Se o Benfica não reage, imediatamente, após a perda de bola, com pressão sobre o portador, vai defender em transição. E o Benfica, defende bem em transição! Pelo menos defendeu 90% dos lances nesta temporada.
Se queres criticar o treinador, critica-o pelo criticável, o modelo de jogo, e dá a tua sugestão para a melhoria desse modelo!

Só vou colocar mais uma imagem, porque nas restantes delas a tua explicação continuou a passar pelos erros dos jogadores. Lá está! Jesus não pode jogar por eles. Eles deveriam ter recuperado posições por forma a nunca perderem a superioridade numérica. Não aconteceu, erros individuais. De ressalvar, também, a tua análise ao Roderick, pois o erro dele, foi o mesmo que o dos outros, demorou a recuperar a posição e quando chega perto do Kelvin, já ele está dentro da área. Se queres que ele faça falta, então tem de fazer penalti. Mas o golo dele é tão improvável nesse lance, que não faria sentido fazer penalti ali. Foi um grande golo!



"Três defesas do Benfica contra dois avançados do Porto.
Dois médios centros contra um médio centro do Porto.
Um médio do Porto isolado, no círculo do meio campo: nem mais nem menos do que Kelvin, aquele que viria a sentenciar o campeonato do Benfica.
Os três jogadores do Benfica mais adiantados na imagem podiam ter recuado mais rápido e assumido posições mais conservadoras, um deles a sair logo em pressão ao Kelvin, se necessário, fazendo falta. Não aconteceu.
Importante sublinhar: Seis segundos depois de ter perdido a bola, o Benfica tinha 3 jogadores que simplesmente não recuaram para defender. Além disso, três dos médios não desceram ao ponto de ficar atrás da linha da bola. Só seis jogadores atrás da linha da bola.
O contraste com o Porto: no início do lance, no lançamento de linha lateral, o Porto defendia com 4 defesas, 4 médios, e um avançado a recuar. Só UM (!) jogador ficava mais adiantado.
O Porto estava  na eminência de perder o campeonato, faltavam 3minutos e meio, e mesmo assim assegurou 8 jogadores a defender, mais o guarda-redes, e um avançado antes do meio campo.
O Benfica, pelo contrário, permite um contra-ataque do Porto com cinco atrás da linha da bola, outros três que não recuperariam a tempo. 
O Porto já tinha 6 ou 7 jogadores colocados para a transição ofensiva!
Eficiência do Porto, displicência do Benfica, estratégia desastrosa, risco desnecessário!"

Atenção amigo, aos erros de análise... Como dizes, e bem, o Benfica tinha a bola! Isso significa necessariamente que o Porto deveria garantir superioridade numérica, por forma a conseguir recuperar a bola mais rápido! E foi o que fez. atrás da linha do lançamento assegura um 6x4, mais um jogador na zona central a controlar o marcador do lançamento e Kelvin a assegurar uma possível entrada da bola no lateral contrário, mais outro avançado a impedir o lançamento para trás. Sim o Porto na eminência de perder, continuou a fazer o que lhe dava maiores possibilidades de atacar e isso seria, recuperar a bola rápido. E isso faz-se, melhor, com superioridade numérica. Assim o Porto o fez! O demérito que colocas ao Benfica neste lance é a adopção de um posicionamento mais conservador. Porém, quanto menos jogadores do Benfica estivessem na frente, menos do Porto estariam atrás. Jesus queria manter a equipa subida, de forma a defender o mais longe possível da sua baliza, como tenta fazer sempre.  Quantas vezes viste o Benfica a jogar com a linhas baixas, a não ser quando o adversário realmente o obrigou a tal? E para mim, essa é a melhor forma de defender, o adversário o mais longe possível da minha baliza. Poderiam ter evitado a transição se estivessem mais atrás, sim. Mas, um treinador não muda um modelo de jogo e um princípio tão nuclear da sua forma de defender como que por magia. Portanto, reitero que se fizeres a crítica, é ao modelo, que propicia muitas transições defensivas, pela forma como a equipa ataca. Mas se o fizeres, deves ser coerente ao ponto de o fazer de forma correcta.

Agora vamos ao importante: Porquê dos erros dos jogadores do Benfica naquela fase do jogo?

Já aqui no blogue defendemos a ideia de intensidade de concentração. E derivado dessa mesma intensidade, há um desgaste emocional (Mental), proveniente do esforço que exige a concentração. O problema aqui é portanto de hábitos: O campeonato português por ano, exige ao Benfica 4/5 jogos desta natureza, que obrigam os jogadores a elevar os índices de concentração ao máximo, do início ao fim do jogo. Portanto pode-se perceber que, a equipa não está habituada a manter-se no máximo esforço mental, durante toda a partida. Os jogos da Liga dos Campeões e fases adiantadas da Liga Europa, exigem, também, esse tipo de esforço. Mas o volume de jogos desse tipo, não se compara ao das competições internas, e portanto o estímulo não é regular o suficiente, para que se faça disso um hábito. Mas não terá o treinador a obrigação de exigir esse esforço de concentração aos jogadores? Sim!
Então porque não o faz? Ele faz!
O problema é que os jogadores têm cabeça própria. Por si sós, concentram-se mais ou menos, dependendo da natureza do jogo e do adversário. Concentram-se muito mais se o adversário for melhor, se tiver melhores valores individuais. Na liga portuguesa, portanto, esse tipo de exigência não é, para já, possível! Então em fases decisivas, destes jogos, é natural ocorrerem mais erros desta natureza, por falta de hábito. Tal como em fases adiantadas das competições europeias.

Há coisas a melhorar no modelo de jogo de Jesus, sim, em organização ofensiva.
E isso, sim, define o vencedor do campeonato!

José Mourinho explica:
"No campeonato, quero jogar sempre igual, seja qual for o rival... Na liga portuguesa, poucas vezes vamos defrontar equipas superiores a nós"

19 comentários:

TiagoFCR disse...

As duas análises apresentadas são interessantes, mas acho que o que mais falhou aqui foi a falta de atitude guerreira da equipa que estava a 3 min de garantir um titulo de campeão. Os jogadores do Benfica parecem abordar o lance quase de forma displicente (do tipo, isto aqui não vai dar nada.. vamos controlar aqui a jogada) versus a garra e determinação dos jogadores do porto que viram ali mais uma (talvez a última) oportunidade de serem campeões. Às vezes mais que tática, a atitude faz toda a diferença, e aqui o brinde calhou a quem foi mais "agressivo".

Roberto Baggio disse...

Concordamos Tiago. E também o Porto teve sorte em fazer um grande golo. E o Benfica não procurou a sorte nesse último lance ao ser mais agressivo a atacar os espaços e baixar para trás da linha da bola.

Saber Sobre o Saber Treinar disse...

É missão do treinador ou de quem analisa o jogo tentar compreender mais objectivamente, o que falha na equipa, mas sempre... dentro da dimensão táctica.
Pois como o Vitor Frade explicou um dia: "a Táctica não é psicológica, não é física, não é técnica, mas necessita de todos elas para se manifestar".

Roberto Baggio disse...

Boas,
Qual é a tua ideia do ponto de vista táctico sobre este lance?

Abraço

SLBenfica Vencedor disse...

Caro Roberto Baggio,


Não sabia que tinhas espreitado o meu blogue, muito menos que tinhas citado um post meu... descobri agora de surpresa. Para a próxima avisa, please! :)

Agora, meu amigo, eu não tenho um blog chamado lateral-esquerdo ou possedebolla, por isso posso fazer análises erradas aos lances!
Tu é que não podes, pah! Ainda por cima és o Roberto Baggio, eu sou um qualquer!
Eu fiz a recolha das imagens, e a humilde crítica, de forma emocional e inexperiente.

Concordo com todas as observações que fazes à minha análise deste lance do golo do Kelvin.
O erro foi realmente dos jogadores na forma como interpretaram o lance, e não no modelo que, está visto, apresentava soluções para que o lance de contra-ataque do Porto fosse anulado ou controlado de outra forma.

No lance do James o ano passado, já foi um pouco diferente.
Eram cinco do porto contra quatro do Benfica:
- O benfica tinha os quatro defesas, dois centrais e dois laterais;
- O porto tinha dois extremos, o avançado, o James a progredir com a bola, e um quinto jogador que subiu pelo meio a tempo de tabelar com James para ele depois rematar à entrada da área.
Aí provavelmente um dos laterais podia ter abdicado da faixa para ir ocupar espaço do central, para que o central subisse a fazer pressão ao meio, ou então um lateral saísse ao meio, arriscando que a bola fosse passada para o extremo que ficasse livre.

Eu gosto do modelo do JJ e gosto do JJ.
Tenho pena que em dois campeonatos seguidos um único lance (Kelvin este ano, e James no ano anterior quando o Benfica estava a ganhar 2 a 1 aos 60 minutos de jogos e podia ficar novamente com avanço de cinco pontos - também tenho imagens desse lance no blog) em que a transição defensiva não funcionou bem deitou muita coisa a perder.

Basta um lance destes, num campeonato tão equilibrado, para ir tudo ao ar (no que ao meu Benfica diz respeito).

SLBenfica Vencedor disse...

No final desse post, eu escrevi:

"90minutos52segundos:
21segundos depois da perda da bola, dois defesas e seis médios do Benfica, dois deles atrasadíssimos a assistirem ao jogo a acontecer. Nem Matic, nem Roderick, nem outro foram compensar ao meio, após a saída de Maxi.
20 segundos eram mais do que suficientes para a transição defensiva de seis ou sete jogadores do Benfica! Desconcentração? Negligência? Estratégia ou táctica suicidas? Arrogância? Cagança? Soberba? Estupidez? Burrice? Cansaço? 'LOL'"

E depois escrevi ainda:

"90minutos55segundos:
Repare-se na eficiência dos jogadores do Porto e na ineficiência dos jogadores do Benfica:
- seis jogadores do Porto a atacar, contra CINCO do Benfica a defender.
- três jogadores do Benfica que só participaram na jogada com os olhos (os três mais próximos do árbitro).

No fim da linha:
- pode-se dizer que Roderick podia ter encostado ao Kelvin, feito carga de ombro, em desespero de causa que fizesse falta;
- Artur estava suficientemente bem colocado para defender aquela bola cruzada, podia e devia ter feito muito melhor."

E para concluir escrevi:

"Mas...
...24 segundos não são suficientes para que 6 ou 7 jogadores do Benfica corressem 50 metros e assumissem posições defensivas mais adequadas?!?
... os mesmos 24 segundos que permitiram ao Porto transformar um lance em que colocaram 4defesas+4médios em colocação defensiva para defender um lançamento lateral, estando eles com o campeonato perdido a três minutos e meio do fim!"

Ou seja,

sem usar as tuas palavras, disse exactamente o que disseste: os jogadores tiveram mais do que possibilidade de recuperar melhor, mas não o fizeram. Ou porque se desconcentraram, ou porque acreditaram que aquilo que já não representava perigo, ou porque as pernas já não aguentavam.

Oh amigo, não sejas assim tão bera, porque a minha análise não foi assim tão estúpida.

Tirei conclusões precipitadas numa altura em que a emoção de perder se sobrepôs à Razão de perceber porque perdi.

Provavelmente se fosse hoje tinha tirado umas quantas frases/ideias erradas, e tinha mudado o tema do post.

Roberto Baggio disse...

Como disse, amigo, percebi a tua crítica sobre o posicionamento dos jogadores, mas a transição do Benfica deste ano é muito melhor que a do ano passado. Isso é evidente. Sim, no lance do ano passado houve inferioridade, mas neste não. Daí a melhoria de Jesus neste ano quanto a transição defensiva.

Eu também fiquei triste pelo Benfica ter perdido da forma como perdeu estes 3 títulos. E por exemplo na Liga Europa, no primeiro golo do Chelsea, como deixei aqui no blogue houve erros de cobertura, mas isso é uma coisa que o Benfica faz de olhos fechados e naquele momento específico os jogadores se esqueceram do que deveriam fazer, va-se lá saber porquê.

Eu também gosto do JJ, mas sei que ele tem de melhorar muito. Nomeadamente no modo como a equipa ataca, que vai melhor de sobre maneira a forma de defender. atacando em coberturas ofensivas, com muitos homens em apoio, a equipa defende melhor, sofre menos transições por recuperar rápido, ou por fazer logo falta no local onde perdeu a bola.

Citando Jorge D, do antigo centro de jogo: "O dia que JJ se preocupar com o modo como a equipa ataca, em vez de deixar que determinados jogadores agem apenas em função da própria qualidade, as suas equipas darão um salto qualitativo brutal."

Roberto Baggio disse...

Eu não disse que análise era estúpida, exceptuando a última imagem que coloquei aqui no blogue, onde continuas a criticar JJ. Disse, sim, que a crítica a JJ, neste caso específico, não fazia sentido :)

SLBenfica Vencedor disse...

Caro Roberto, não percebi o que dizes que pode melhorar no JJ. Significa isso atacar assegurando posiçoes que permitam a transição defensiva mais rápida?

Roberto Baggio disse...

Com uma imagem seria mais fácil de visualizar, mas vou tentar explicar.
O Benfica, joga muito em ataque rápido, ou seja, durante o jogo os jogadores são obrigados a fazer muitas transições para acompanhar os lances, sejam elas ofensivas ou defensivas.
Dessa forma, em muitos lances a equipa não tem tempo suficiente para acompanhar o lance e ser decisivo nele, quer a atacar, quer a defender. Isso só acontece, pela forma como o Benfica ataca. Então, a sugestão seria gerir melhor o momento quando se ganha a bola, dando segurança, e ficando com a bola. Assim, já estou a dar tempo para que a maior parte dos jogadores se posicione bem, para atacar melhor, e sobretudo para defender melhor. Então, fico com a bola, espero que a equipa se organize, parto para o ataque, garanto 3 apoios perto do portador da bola (um a esquerda, um a direita e outro atrás ou a frente, dependendo da ideia do Jesus) e assim estou logo a garantir mais soluções colectivas e menos soluções individuais, e depois, quando perderes a bola tens logo 4 homens perto daquela zona. Ou seja, vais conseguir parar muitas transições aí, seja fazendo falta, seja recuperando a bola. O segredo está em não acelerar todas as vezes que vamos para o ataque e garantir mais homens a apoiar o portador da bola.

Abraço

SLBenfica Vencedor disse...

Obrigado pela explicação. Um abraço

Anónimo disse...

Ou seja... pela análise deste blog o JJ tem o mérito mas os jogadores não cumpriram, será que então as coisas boas da equipa não podem ser só atribuídas aos jogadores?
Já tinha lido a análise anterior e concordei com ela, especialmente porque alguém que se diz mestre da Táctica (e não dos modelos de jogo) no jogo em si não consegue dar uma resposta efectiva ás solicitações dos contextos especificos do próprio jogo, e dizer que os jogadores não deram um pouco mais podendo estar a 3' de serem campeões e desculpar o treinador que ataca um lançamento lateral na area adversária a 3' de ser campeao com 5 jogadores atrás da linha da bola (5 jogadores em 60m).
Sabem o que fazia um treinador que percebesse de táctica (que é a aplicação ao contexto especifico e não um modelo de aplicação a todos os contextos) punha o Aimar a lançar e outro para lhe devolver a bola á 1ª e ai tentava guardar a bola o máximo de tempo possivel.
Querem exemplos? Mourinho fez isso em todos os clubes que treinou... sabem o que é isso... ser inteligente. Embora paracer ás vezes possa parecer melhor mas ser inteligente é sempre melhor.

Roberto Baggio disse...

E portanto, durante a semana de treinos, tu trabalhavas o posicionamento dos jogadores em caso de lançamento ofensivo no teu meio campo e no meio campo adversário e explicavas quem lançava e quem ficava onde, tendo em conta o resultado. E daí os jogadores aprendiam a forma de se posicionar. Ou então, dizias na palestra e na cabine durante o intervalo falando sobre esse posicionamento. Ou gritavas para dentro de campo para que eles o fizessem.

Ou então, como no final da taça, pudesses perceber que quem joga são os jogadores e se eles não quiserem o resultado é o que se vê.
Outro exemplo disso é esse tal mestre de que falas nesta temporada no Real Madrid... Por muito bons que sejam os treinadores , são os jogadores que jogam.

Podes discordar da ideia do treinador, mas nesse caso, como digo, tem de ser criticado quando ganha e quando perde. Quem ganha e quem perde são as ideias de jogo, tal e qual Barcelona de Guardiola. Ganhou e perdeu a jogar da mesma forma...

Roberto Baggio disse...

Mas ainda há outra hipótese, que é fazer batota. Como os jogadores do Porto tentaram o tempo todo a simular faltas. Então o Benfica perderia tempo aproveitando as reposições de bola, fingindo lesões, parando constantemente o jogo. Isso era, também, mestria do treinador, sempre em contexto, tendo em conta o tempo de jogo.

Roberto Baggio disse...

E, sim, não tenho dúvidas que jesus tem tanta culpa quanto os jogadores. Só que não pelos motivos de que se falam. A culpa dele foi na escolha do modelo de jogo e dos valores e princípios que passou aos jogadores.

Anónimo disse...

Antes de mais queria dizer que sou o anónimo acima.
"Se queres criticar o treinador, (...) desse modelo!": Então na sua opinião as substituições e adaptação aos contextos do jogo não são criticáveis nem revelam a qualidade do treinador enquanto reveladores da sua leitura de jogo nem da qualidade do seu planeamento estratégico?
"durante a semana de treinos(...) tendo em conta o resultado": Presumo que sendo este um bom blog dedicado ao treino considere útil treinar os momentos de jogo em situação de inferioridade e/ou superioridade numérica? Então qual será a desvantagem de treinar também os mesmos momentos em vantagem e/ou desvantagem no marcador? não acha possível ou não acha vantajoso? Acredite que não precisava de dedicar muito tempo a essa situação especifica... ainda para mais numa fase tão adiantada da época em que os treinos aquisitivos de princípios do modelo de jogo já estão mais que realizados e devem versar mais a questão estratégica de cada jogo, não acha?
Embora denote algum sarcasmo na 2ª resposta acho que era exactamente isso que o Benfica devia ter feito e não considero isso minimamente batota, apenas jogar com o tempo de jogo e as regras do futebol permitem isso.
"A culpa dele foi na escolha do modelo de jogo e dos valores e princípios que passou aos jogadores": este foi o modelo de jogo que levou a sonhar mas devia ter contemplado questões de controlo do ritmo do jogo com bola o que não faz. Ou seja, mesmo o tão elogiado modelo tem falhas gritantes que levam a não ganhar nada.

Anónimo disse...

... Já agora: "Ou gritavas para dentro de campo para que eles o fizessem." Se calhar nunca se viu o JJ a gritar para dentro de campo e se calhar coisas bem menos importantes e decisivas? Era novidade!

Roberto Baggio disse...

Olá amigo anónimo,

"Então na sua opinião as substituições e adaptação aos contextos do jogo não são criticáveis nem revelam a qualidade do treinador enquanto reveladores da sua leitura de jogo nem da qualidade do seu planeamento estratégico?"

Acho que isso não é o mais importante. 95% do trabalho, que considero, ser importante, é durante a semana, e mesmo o planeamento estratégico, dentro dessa semana, é 5% do trabalho. É como a questão da relação dos avançados e do golo. O golo também não é o mais importante, é 5% do trabalho deles. Por isso mesmo, para mim, na minha opinião, que é a que estou aqui a expor, não, não é nunca algo que vá criticar (A não ser em contextos muito específicos, onde este tipo de decisão tem um peso muito grande, como nas selecções).


"Presumo que sendo este um bom blog dedicado ao treino considere útil treinar os momentos de jogo em situação de inferioridade e/ou superioridade numérica?"

Sim, considero, claro.

"Então qual será a desvantagem de treinar também os mesmos momentos em vantagem e/ou desvantagem no marcador? não acha possível ou não acha vantajoso?"

Acho vantajoso, claro. Mas, não o acho, que, EU, fosse mudar a dinâmica de lançamentos laterais, estando em vantagem, ou desvantagem. Iria sempre querer gente na frente. Não posicionados como os jogadores do Benfica estavam, mas não ia abdicar de homens na frente.

"Acredite que não precisava de dedicar muito tempo a essa situação especifica... ainda para mais numa fase tão adiantada da época em que os treinos aquisitivos de princípios do modelo de jogo já estão mais que realizados e devem versar mais a questão estratégica de cada jogo, não acha?"

Acredito que sim. Mas por ser final da época, não ia descaracterizar o meu treino, por forma a contemplar mais a questão estratégica, que, para mim, está sobrevalorizada. Na mesma medida, a equipa iria continuar a receber 95% de estímulos do modelo + 5% de estímulos da questão estratégica, que pode ser aproveitada. Ou seja, só os pontos fracos do adversários que podem realmente ser aproveitados pela minha equipa iriam ser contemplados aí nesse plano estratégico. E também os pontos fortes do adversário, que são pontos fracos nossos, passíveis de ser alterados. O objectivo, a partir do momento em que a equipa assume uma identidade colectiva, é, até ao final, não descaracteriza-la.

"Embora denote algum sarcasmo na 2ª resposta acho que era exactamente isso que o Benfica devia ter feito e não considero isso minimamente batota, apenas jogar com o tempo de jogo e as regras do futebol permitem isso."

Pois, mas eu considero! Nunca uma equipa minha, por maior que fosse a necessidade em defender o resultado, o fez, ou o fará, fora de campo. Bola sempre dentro.

"este foi o modelo de jogo que levou a sonhar mas devia ter contemplado questões de controlo do ritmo do jogo com bola o que não faz. Ou seja, mesmo o tão elogiado modelo tem falhas gritantes que levam a não ganhar nada."

Sem dúvida, foi disso que disse durante o ano todo. Foi isso que sempre defendi, que o modelo de Jesus era, por exemplo, pior do que o modelo do Porto.

"Se calhar nunca se viu o JJ a gritar para dentro de campo e se calhar coisas bem menos importantes e decisivas? Era novidade!"

A mim, pareces ser treinador. Se não o és, então isto não se aplica.
Então diz-me, quantas dessas vezes os jogadores não lhe passam cartão nenhum? É que ele grita tanta vez, que na maior parte do tempo os jogadores desligam... E mesmo que assim não fosse, quantas vezes os jogadores ignoram ordens dos treinadores para dentro de campo?

Roberto Baggio disse...

E continuando as questões, quem garante que o Porto, que teve uma sorte tremenda no dois golos que marcou, não marcaria em organização, se o Benfica tivesse evitado a transição, tal como aconteceu no golo de Varela?

O Benfica defende tão bem situações de transição que a única forma de melhorar essa forma de defender, esse modelo, é, como disseste, e como defendi a todo tempo, saber ter a bola. Acho que só isso, teria evitado estas derrotas. Mas então, isso é como digo, uma falha do modelo. Não naquele momento específico, mas do início e decorrer da temporada.