Posse de bola no Facebook

Translate

quinta-feira, junho 20, 2013

Brasil

O seleccionador brasileiro confirmou, o que temos vindo a criticar aqui no blogue, no futebol brasileiro. Lembro que Cruyff tinha confirmado, também, as nossas críticas ao futebol holandês.
«Foi uma atuação muito boa, os     jogadores posicionaram-se bem. Tecnicamente, somos bons, se tivermos qualidade tática... Se igualarmos os europeus nesse aspeto, vamos ter equipa para não perder com ninguém.»
Nas palavras de Felipão, se os jogadores tiverem a qualidade táctica dos europeus, têm equipa para não perder com ninguém. Apesar do acerto da análise, esta carece de algum desenvolvimento: Se a maior parte dos jogadores no onze inicial jogam na Europa, como é que eles não são tão bons quanto os europeus? Se nem os que jogam na Europa têm essa qulidade, o que dizer dos que jogam no campeonato brasileiro? Qualidade táctica significará, apenas, capacidade posicional?
 
Com o potencial técnico que tem, o Brasil, é obrigado a ser o melhor campeonato do mundo, tal como a melhor selecção. E só não o tem porque no desenvolvimento dos jogadores, o conhecimento do jogo/treino táctico é deixado ao acaso. Os jogadores aprendem a jogar, sem saber o jogo. A inteligência de jogo é substituida (tal como muito se faz aqui em Portugal) pela esperteza saloia (Perder tempo quando se está a ganhar, com a bola fora de campo; Fingir lesões para expulsar adversários; Pressionar os arbitros, para que ele nos passe a beneficiar; Simular faltas; Etc...etc). Aprendem, os jogadores, que os factores externos são mais importantes que o jogo em si, tal como aprendem que o desenvolver de uma volumosa musculatura é essencial, para que tenham sucesso no futuro.
E o jogo?
O jogo é tudo aquilo que eles não aprendem no seu desenvolvimento, e essa tal qualidade táctica, é a principal carência do futebol do Brasil. Contudo a táctica não se esgota no que o seleccionador falou.
 
Qualidade táctica é bem mais abrangente que a capacidade do jogador, em adaptar o seu posicionamento com e sem bola. É também saber o porquê de passar a bola, o porquê de rematar, e o porquê de driblar. É saber para onde passar e quando passar, para onde e quando conduzir e driblar, e é também perceber para onde e quando rematar. É neste tipo de trabalho que se deve focar o desenvolvimeno dos jogadores, porque tudo isso é capacidade táctica, tudo isso é treino, e no fundo, tudo isso é conhecimeno do jogo.
 
Mas não será possível, jogadores com elevado nível técnico aprenderem o jogo, transformando-se, depois, em futebolistas que jogam bem?
É! Serão sempre bons jogadores, aqueles que se conseguem adaptar às novas exigências do jogo, mas, nunca serão esses os melhores. Os melhores serão sempre aqueles, que desde cedo, desenvolvem o potencial técnico na mesma medida que o potencial táctico, uma vez que assim se tornarão, ESPECIALISTAS em jogar bem, futebol.

21 comentários:

Anónimo disse...

FALASTE MUITO BEM !!!

Luis Santos disse...

Baggio, o que achaste do Neymar? Devo dizer que no geral surpreendeu-me pela positiva.

Roberto Baggio disse...

Não vi o jogo. Estava a dar treino Luís. Mas não tenho boa ideia do México, por isso até pode ter ajudado a exibição dele. Teve muito espaço e tempo para decidir de certeza e os defesas do México são muito impetuosos. Ainda assim, só vou concluir algo no jogo contra Itália.
Abraço

Luis Santos disse...

Nem ia muito por aí. Foi mais por ter usado a técnica para a equipa em grande parte das acções. Não se perdeu em coisas inúteis como é normal nele.

Roberto Baggio disse...

Ahhh não digas que vou ter de sacar o jogo lol. E colocar um título:Neymar mostra-se ao Barcelona, começando a mudar o padrão de decisão lol

Gonçalo Matos disse...

Foi o melhor jogo que vi do Neymar! Claro que deu cabritos e fez daquelas fintas parado, mas por outro lado este bem na construção! Soube temporizar muitas vezes e muitas vezes decidiu bem. O seu marcador directo, o Miar (acho que era o seu nome) fez também um bom jogo. Acho que mereceu ser nomeado o melhor em campo sinceramente. Na última meia hora o ataque do Brasil foi basicamente entregue ao Neymar.

Luis Santos disse...

Gonçalo, Hiram Mier é o nome do lateral direito mexicano. Ele é central, mas jogou adaptado.

Baggio, não precisas de sacar o jogo
http://www.youtube.com/watch?v=iw21SwaCXT0

PP disse...

O problema do campeonato brasileiro é o da mentalidade e o da cultura de exigência.

Eles acabam por não atingir o potencial no Brasil, porque quem os está a treinar e todo o ambiente envolvente não o permitem. Facilmente qualquer jogador que pape dois ou três adversários numa só jogada é elevado a craque. O jogador pensa que é isso que faz-lhe ser o melhor jogador e depois passa a vida a tentar replicar isso.

É mesmo uma questão de mentalidade. Vejam quando o jovem jogador brasileiro é colocado num campeonato europeu como o holandês e o alemão? Ou o espanhol? A diferença é logo outra. Adquirem logo outro tipo de competitividade.

No Brasil a mentalidade é o deixa para amanhã, vai com calma, temos tempo, etc e tal.

O ambiente e as pessoas que rodeiam o atleta, incluindo a própria família, são determinantes para o jogador dar o salto e conseguir atingir o seu potencial.

Gonçalo Matos disse...

No Lateral Esquerdo foi feita uma análise muito boa a um jogo do Brasileirão, que ilustra o que tu dizes, PP. O melhor que Neymar fez, do ponto de vista deesportivo, foi deixar o Brasil e agora sim, poderá demonstrar se é um dos melhores do mundo

Roberto Baggio disse...

PP, o problema não é esse. Ou melhor, isso é uma consequência do problema.
Se tu tens um campeonato onde os jogadores mais decisivos são os que melhor driblam. É natural que seja esse o tipo de jogador que se valorize mais. Então, o melhor mesmo é perceber o verdadeiro problema: porquê que os jogadores que melhor driblam são os mais decisivos ali?
São porque aquele campeonato potencia muitas situações de 1x1, 2x2... Etc... Marcação HxH, faz com que quem se livre melhor da marcação, seja o melhor. Então o problema da mentalidade é de organização das equipas... Pois com organização o que ia surgir para os dribladores eram situações constantes de inferioridade numérica, e pouco tempo e espaço para executar... Isso é que ia mudar mentalidades pois o drible não ia ser tão eficaz e teriam de começar a procurar alternativas. Recurso a tabelas e mais desequilíbrios com passe e movimentação iriam surgir. É da dificuldade que emergem outras soluções, e sem essa dificuldade, não há necessidade de mudar... Com maior organização do treino, das equipas, dos jogadores, mudava tudo, inclusive a mentalidade.
Abraço

Edson Arantes do Nascimento disse...

Obrigado, é que o argumento do deixa andar, amanhã não sei quê, é tão preconceituoso...

PP disse...

@ Roberto Baggio,

Tudo o que escreveste está correcto, mas se tu sendo um treinador europeu, com ideias de jogo europeias, fosses treinar uma equipa brasileira, faziam-te a folha em dois tempos.

Porquê? Porque simplesmente certos jogadores não iriam gostar de ter que correr mais, de levar nas orelhas, etc e tal. Lá os jogadores são uma espécie de Deuses, colocados no pedestral cujas direcções e público alimentam e defendem. Muito por culpa de ser uma indústria predominantemente exportadora.

Repara que não há a cultura de manutenção de treinadores. Por exemplo, o Wanderlei Luxemburgo já percorreu praticamente todos os clubes (grandes) brasileiros... nem sequer dá para fazer um projecto a médio prazo que permita ir corrigindo as coisas passo-a-passo. Pois este tipo de problemas não se corrigem assim num impulso.

É, também verdade, que o campeonato brasileiro está a mudar, e quanto a mim para melhor. Já vejo jogos com outro nível de intensidade que antes não via. O facto das equipas brasileiras agora adoptarem uma defesa a 4 em vez de 3 tão em volga na última década acaba por reflectir essa mesma preocupação táctica.

Para isso, muito contribuiu o regresso de grandes jogadores brasileiros que estavam no futebol europeu. Embora num ritmo mais baixo que na europa, acabam por fazer melhor a transição entre o futebol do "brasileirão" antes e agora. Também, a contratação de jogadores colombianos, uruguaios, paraguaios, argentinos, e de outros países sul-americanos, veio desestabilizar para melhor, pois os jogadores brasileiros agora têm de defrontar jogadores com outros perfis e comportamentos futebolísticos, enriquecendo o seu futebol.


@ Edson Arantes do Nascimento,

Pelo nome do teu nick, diria que és brasileiro, daí teres sentido a minha crítica de forma mais intensa.

Contudo, fiz-la no prisma de construção e não do "bota-abaixo". É muito importante que tenhamos consciência, enquanto sociedade, dos pontos fortes e fracos que temos. Só assim podemos evoluir. Por isso, não leves tão a peito a minha crítica. Mais, nem tão pouco penses que acho que todos os brasileiros são assim ou assado. Foi uma generalização em determinado contexto. Repara que um pelotão é tão rápido quanto mais rápido for o seu homem mais lento. Ou seja, apesar do Brasil ter grandes individualidades que estão no top a nível mundial, regra geral, a maioria não está. Talvez seja preconceituoso, mas é a mais pura das realidades.

Como Português, não tenho problema algum de dizer que somos um pouco parecidos com os brasileiros no que critiquei. E, vou mais longe, temos o péssimo hábito de fazer tudo à última e em cima do joelho. E, pior que isso, ainda nos orgulhamos por sermos os "mestres do desenrasco". Não digo que seja mal termos essa capacidade de pensar "fora-da-caixa" em momentos de pressão, mas fazer isso o quotidiano... não! Aliás, é pensar assim que o país não anda mais do que isto. E, os outros estrangeiros agradecem... mas isso são outros assuntos (engraçado como o futebol acaba por reflectir muito de uma sociedade)...

Já agora "Pelé", não tenho dúvidas que o Brasil tem tudo para ter a melhor liga do mundo. Mas, para isso precisa de gente mais competente na Liga, e uma forte mudança de mentalidades e de comportamentos. Uma mentalidade de exigência...

Aliás, o mesmo, mas em menor escala penso de Portugal.

KAKA disse...

Roberto Baggio

Muitos são os textos seus q eu gosto, mas esse foi lamentável...

Se a maior parte dos jogadores no onze inicial jogam na Europa, como é que eles não são tão bons quanto os europeus?

ACREDITO Q ESSE “TÃO BONS QUANTOS OS EUROPEUS?” (SIC) QUER DIZER DE FORMA TÁTICA. SE FOR ASSIM É PQ QUANDO ELES SE JUNTÃO PARA JOGAR, O TÉCNICO É BRASILEIRO E FAZ QUESTÃO DE JOGAR DA FORMA Q O BRASIL JOGA DESDE 1958 (O Q NÃO CONCORDO). E PQ NEM TODOS OS TÉCNICOS EUROPEUS SÃO BONS, PRA ENSINAR TÁTICA CORRETAMENTE!!

Qualidade táctica significará, apenas, capacidade posicional?

NA VERDADE PARA O FELIPÃO QUALIDADE TÁTICA É TODOS MARCAREM E FICAREM ATRÁS DA LINHA DA BOLA. Kkkkkkkk

Com o potencial técnico que tem, o Brasil, é obrigado a ser o melhor campeonato do mundo?

ENGRAÇADO EU PENSAVA A MESMA COISA DE PORTUGAL, QUANDO COMPRAVA NOSSOS JOGADORES A PREÇO DE BANANA E NÃO CONSEGUIA FAZER UM TIME CAMPEÃO DA EUROPA (ATÉ O PORTO CONSEGUI, EU JÁ PENSAVA ISSO ANTES!!) ACHEI Q FOSSEM SEGUIR ASSIM MAS ME ENGANEI...

E só não o tem porque no desenvolvimento dos jogadores, o conhecimento do jogo/treino táctico é deixado ao acaso.

ISSO É UMA VERDADE, POR ISSO Q TEMOS JOGADORES TÉCNICOS E CRIATIVOS, FORTE NO 1X1 MAS FRACO NO JOGO TÁTICO. MAS TÁTICA TAMBÉM SE APRENDE DEPOIS DOS 20 ANOS (TÉCNICA E CRIATIVIDADE, NÃO!!)

Aprendem, os jogadores, que os factores externos são mais importantes que o jogo em si...

ISSO É CULTURA DA LIBERTADORES, É CULTURA SULAMERICANA O PIOR É Q É DIFÍCIL SE LIVRAR DESSA DESGRAÇA DE CULTURA
...tal como aprendem que o desenvolver de uma volumosa musculatura é essencial, para que tenham sucesso no futuro.

ISSO É CULTURA EUROPEIA, OS JOGADORES SAEM DAQUI RAQUÍTICOS E VOLTAM MUSCULOSOS, E EM ALGUNS CASOS PREJUDICADOS (RONALDO FENÔMENO).

Os melhores serão sempre aqueles, que desde cedo, desenvolvem o potencial técnico na mesma medida que o potencial táctico, uma vez que assim se tornarão, ESPECIALISTAS em jogar bem, futebol.

AMÉM, DESCUBRIU A POLVORA HEIM? NESSA VC SE SUPEROU!!
VC JÁ CHUTOU UM BOLA OU APRENDEU TODOS ESSES CONCEITOS NA CADEIRA DE UMA FACULDADE?

POR FAVOR NÃO ME DIGA Q VC É O BLESSING LUMENO, NÃO ME DECEPCIONE.

FUI




KAKA disse...

PP

"É, também verdade, que o campeonato brasileiro está a mudar, e quanto a mim para melhor. Já vejo jogos com outro nível de intensidade que antes não via. O facto das equipas brasileiras agora adoptarem uma defesa a 4 em vez de 3 tão em volga na última década acaba por reflectir essa mesma preocupação táctica."

ALGUNS TÉCNICOS ESTÃO TENTANDO COPIAR AS DEFESAS DA ITÁLIA, POR EX:
O TITE ATÉ BEM POUCO TEMPO ERA CONSIDERADO FRACO, MAS FOI A ITÁLIA PASSOU UM MÊS POR LÁ E VOLTOU DIFERENTE

"...Também, a contratação de jogadores colombianos, uruguaios, paraguaios, argentinos, e de outros países sul-americanos..."

EM RELAÇÃO A TÁTICA NÃO MUDOU NADA COM A AQUISIÇÃO DESSES JOGADORES, MUITO PELO CONTRÁRIO, ELES TIVERAM Q SE ADAPTAR AO NOSSO ESTILO, MAS A QUALIDADE TÉCNICA DE ALGUNS AJUDOU POR EXEMPLO:

TEVEZ, VALDIVIA, CONCA, MONTILO, FORLAN...

TEM MUITA GENTE BOA ESPERANDO UMA OPORTUNIDADE PARA ACABAR COM ESSE DESCONHECIMENTO TÁTICO Q TEMOS... MAS PRA ISSO, OS DINOSSAUROS TÊM Q SE APOSENTAR!! (EX A GRANDE QUESTÃO)

Roberto Baggio disse...

Boas Kaka,

Não percebi bem qual foi o motivo para teres ficado desapontado.
Acabas por concordar nas tuas respostas, basicamente com as minhas críticas. Daí não o entender.
O problema que Portugal enfrenta, é esse também, mas de forma diferente. Aqui, os treinadores querem todos ser protagonistas desde bases, não entendem o conceito de formação, de erro/repetição. Não há espaço para os jogadores errarem, porque desde cedo o que interessa é ganhar, mais do que desenvolver jogadores.
Talvez não o notes, mas já reparaste na falta de jogadores tecnicamente fortes e criativos que Portugal tem? Deve-se a isso. Todos aqui, querem ser o Mourinho, mesmo quando os objectivos do escalão que estão a treinar não passe por ganhar, eles querem brilhar. Então tiram criatividade aos jogadores e no processo de escolhas para o onze inicial ou algo do género, escolhem o jogador que naquele momento específico garante resultados, abandonando os que têm real potencial para ser muito, muito melhores que os outros.
Portugal tem, também, obrigação de ter uma formação melhor e um campeonato forte. Mas não podemos comparar a quantidade de jogadores que existe no Brasil, Alemanha, França, Itália, Espanha, Argentina, Inglaterra com os de cá. A base de recrutamento é muito pequena. País pequeno...

Quanto à questão da técnica e da criatividade concordo. Mas um jogador bom tecnicamente e bom no drible, pode não ser criativo. A criatividade aliás, é algo que tem faltado muito na selecção do Brasil. Tens Óscar, Neymar, Daniel Alves e Marcelo. Quando antigamente, tinhas 7,8 jogadores criativos no onze inicial. E lá está, tens jogadores muito bons do ponto de vista técnico e do drible, mas isso não significa que sejam criativos.
Os mais criativos são aqueles que compreendem melhor o jogo. Repara no Xavi, Pirlo, Iniesta, Modric... Esses são criativos, e tecnicamente fortes. Mas garanto que se tivessem começado a desenvolver as capacidades cognitivas, o conhecimento do jogo, às questões tácticas aos 20, nunca seriam os jogadores que são hoje. Seriam bons, como muitos médios bons que andam por aí, mas não seriam os melhores.
Depois dizes que o desenvolvimento muscular é preocupação europeia, quando sabes perfeitamente a loucura que é a preparação física, aí, por culpa do grande desenvolvimento do fitness. Há jogadores que saem e conseguem "fugir" a isso. Mas, nos últimos anos essa tendência tem mudado. O jogador brasileiro que era conhecido por não ser muito forte fisicamente, já sai daí com um grande desenvolvimento muscular.


Os melhores serão sempre aqueles, que desde cedo, desenvolvem o potencial técnico na mesma medida que o potencial táctico, uma vez que assim se tornarão, ESPECIALISTAS em jogar bem, futebol.
AMÉM, DESCUBRIU A POLVORA HEIM? NESSA VC SE SUPEROU!!VC JÁ CHUTOU UM BOLA OU APRENDEU TODOS ESSES CONCEITOS NA CADEIRA DE UMA FACULDADE?

Não compreendi a crítica a frase.
Sim, fui jogador durante dez anos, porquê? Hmmm e não tenho formação académica de futebol. Não frequentei nem frequento uma faculdade de desporto. Por isso, esses conceitos que tenho são fruto da experiência que tenho como jogador e como treinador.




PP disse...

Kaká,

É verdade que os jogadores estrangeiros quando chegam a um país acabam por ter-se que adaptar à realidade que encontram.

Mas, também não é menos verdade que são as diferenças intrínsecas que esses jogadores transportam em si (que tem a ver muito com as suas experiências) que acabam por passo a passo transformar o jogo.

Isso acontece no Brasil, em Portugal, nos EUA e até na China! É um efeito global.

Por isso, mesmo é que considero que o futebol brasileiro acaba por evoluir graças a isso.

Por exemplo, a chegada de Mascherano e Tevez ao Corinthians à uns (valentes) anos atrás trouxe um paradigma diferente para a maioria das defesas e meio-campos brasileiros.

Outro exemplo disso que falei, aconteceu aqui em Portugal, com a chegada do Mário Jardel. Antes do Super Mário, o perfil do ponta-de-lança português era um jogador talentoso, tecnicista, rápido, mas pouco resistente ao choque e não muito alto. Isto porque nos escalões de formação havia muito o culto de meter os mais altos a centrais e os mais baixos no ataque e as coisas iam assim desde as escolinhas até sénior. Quando Mário Jardel começou a dar cartas, o paradigma foi substituído e hoje em dia é vermos uma procura por pontas-de-lança fortes fisicamente, mas também com bons índices técnicos e de velocidade. Eis como um "input" estrangeiro veio contribuir para evolução do futebol luso.

O futebol brasileiro sempre foi um viveiro de talentos. Cá em Portugal, os mais "cotas" costumam dizer que até debaixo das pedras da calçada encontravam craques no Brasil... acontece que se calhar por isso mesmo, fecharam-se muito neles próprios, isso acabou por fazê-los estagnar um pouco em várias vertentes.

Ao nível de treino têm grandes profissionais, mas quando se enfrenta um meio minado por vários interesses de terceiros (o Brasil é um dos maiores, senão mesmo o maior exportador de jogadores do mundo, é um negócio!), altamente viciado (para potenciar as vendas, jogadores que vão à selecção uma ou duas vezes para serem valorizados numa futura transferência), e pior, apoiado por uma mentalidade estereotipada (o público "come" o que os "especialistas da treta dizem, leia-se: os amigos de certos grupos de interesses), faz com que não evoluam tanto noutros campos.

Mas, esse problema também nós aqui em Portugal vivemos...

Gonçalo Matos disse...

Há uma coisa que eu lamento bastante no futebol brasileiro e português que é confundirmos potencial com valor adquirido. Os dois paises têm a tendencia para se refugiar na ideia de que o talento individual é o maior valor que se pode ter. A questão é que é apenas o mais dificil de arranjar! os outros factores que são fruto de algo não inato são tão importantes como a capacidade de dar um drible ou fazer um golo.

vou dar dois exemplos, portugueses e brasileiros, pra que não haja aqui nenhuma ideia de ataque pessoal..
O primeiro caso viu-se hoje e há uns dias atrás e são os sub-20 portugueses, que têm um potencial grande, têm uma qualidade técnica elevada, muitos jogaram na primeira divisão e jogam com assiduidade na segunda mas como colectivo não jogam NADA, e porquê? Porque o treinador é fraco e porque se acha provavelmente que um seleccionador é alguém que só serve pra escolher jogadores.

Pra demonstrar como é dificil enquadrar a táctica no potencial técnico escolho o exemplo de um ídolo meu, o Falcão do futsal. Falcão é Deus na sua modalidade e eu não duvido que a sua qualidade técnica e inclusivé criatividade sejam quase infinitas; porém quando passou para o futebol não se adaptou porque tudo era diferente (o espaço, a velocidade da bola, a trajectoria, o tempo de reacção, as distancias, etc). Isto são coisas que têm de ser adquiridas desde jovens e é por isso que a Espanha tem tanto sucesso. Eles com 16/17 anos são estimulados a fazer o que os adultos fazem.

Só ora finalizar, eu já fui treinado pelo Blessing e "Os melhores serão sempre aqueles, que desde cedo, desenvolvem o potencial técnico na mesma medida que o potencial táctico, uma vez que assim se tornarão, ESPECIALISTAS em jogar bem, futebol." faz-me muito sentido.
Sempre fui um jogador com técnica e razoável qualidade de passe mas era burro a jogar, porque me faltava esse enquadramento táctico. Decidia mal ou raciocinava de forma errada porque não compreendia os fundamentos básicos do jogo (apesar de achar que sim, porque sempre gostei e vi futebol). Depois de passar pelos treinos dele e do André aquela frase faz-me todo o sentido na minha cabeça porque percebo hoje em dia que muito mais que ter o talento natural é preciso saber expressá-lo no campo e pra isso é preciso saber-se muito de táctica e pensar o jogo.

PP disse...

Gonçalo Matos,

Quem é esse "Blessing" e o "André!?

Roberto Baggio disse...

O Blessing foi o gajo que criou o blogue e o André também escreveu textos para o blogue.
Abraço

Anónimo disse...

(Não aproves este comentário)
10 seg. é mt pouco para ler e interpretar!!!!!!!!!!!

(excelente trabalho)

Roberto Baggio disse...

O que sugeres? 20? Acho que vou alterar dependendo da complexidade da imagem, começo a meter mais ou menos tempo, ou o melhor mesmo será fazer vídeos.