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terça-feira, junho 25, 2013

A Importancia do Contexto

Hoje em dia sinto bastantes dificuldades em avaliar a qualidade de um jogador, principalmente um jogador jovem, sem o observar em diversas situações (diferentes equipas, por exemplo) e sem ter em consideração o colectivo em que está inserido.

Há uns dias liguei a televisão no Mundial de sub-20 e fiquei a ver o jogo de Portugal e pus-me a avaliar alguns dos jogadores individualmente. Admito que não conheço todos os jogadores do 11 que estava a jogar, mas ainda conheço alguns.

Obviamente que Bruma se destacou nos jogos que vi, é rápido, tem drible, criatividade, finalização, imprevisibilidade… No fundo tem todas as características individuais que precisa pra se ser um grande jogador e é claramente a referência da equipa. Seja no Sporting, no Sporting B, nos sub-19 ou sub-20 consegue sempre fazer a diferença. Ficarei muito surpreendido se não tiver uma grande carreira e não duvido que seja uma das melhores individualidades deste torneio.

Tomei atenção também ao João Mário. A qualidade de passe mantem-se, faz passes precisos, com a força indicada, no tempo certo, mas não tem conseguido gerir os ritmos do jogo, coisa que consegue fazer nos B do Sporting com mais facilidade. Como já o vi fazer noutros jogos, tenho noção que é capaz de faze-lo; mas quem nunca viu ficará com uma imagem deturpada da qualidade do jogador. Defensivamente parece um jogador pouco agressivo, permeável, quase que preguiço; coisa que não é no seu clube. Ele vale mais do que consegue demonstrar nesta equipa dos sub-21.

Como ultimo exemplo tenho o caso do Tiago Ferreira. Já vi alguns jogos dele (poucos, talvez uns 6/7 no total) no Porto B e nos escalões de formação mas nunca vi um jogo onde estivesse bem. Comete erros comprometedores, não tem boas noções de posicionamento, não parece nunca conseguir controlar o opositor... Provavelmente a minha análise é injusta e enquadrado noutro grupo, com outras dinâmicas, organizações, com outro tipo de treino seria bem mais capaz, caso contrário não estaria nem na selecção nem no Porto B mas em função do que vi não acho que tenha qualidade pra ser titular em detrimento, por exemplo, do Ilori.


A questão que me coloco é simplesmente se não se perderão inúmeros jogadores de qualidades firmadas por estarem em colectivos não adequados para si ou em colectivos em que a qualidade de trabalho é má e onde estejam reprimidos. Neste momento, se fosse olheiro teria excelentes recomendações sobre Bruma e pouco mais e acho que tal não reflete de todo o valor individual dos jogadores da nossa selecção.

quinta-feira, junho 20, 2013

Brasil

O seleccionador brasileiro confirmou, o que temos vindo a criticar aqui no blogue, no futebol brasileiro. Lembro que Cruyff tinha confirmado, também, as nossas críticas ao futebol holandês.
«Foi uma atuação muito boa, os     jogadores posicionaram-se bem. Tecnicamente, somos bons, se tivermos qualidade tática... Se igualarmos os europeus nesse aspeto, vamos ter equipa para não perder com ninguém.»
Nas palavras de Felipão, se os jogadores tiverem a qualidade táctica dos europeus, têm equipa para não perder com ninguém. Apesar do acerto da análise, esta carece de algum desenvolvimento: Se a maior parte dos jogadores no onze inicial jogam na Europa, como é que eles não são tão bons quanto os europeus? Se nem os que jogam na Europa têm essa qulidade, o que dizer dos que jogam no campeonato brasileiro? Qualidade táctica significará, apenas, capacidade posicional?
 
Com o potencial técnico que tem, o Brasil, é obrigado a ser o melhor campeonato do mundo, tal como a melhor selecção. E só não o tem porque no desenvolvimento dos jogadores, o conhecimento do jogo/treino táctico é deixado ao acaso. Os jogadores aprendem a jogar, sem saber o jogo. A inteligência de jogo é substituida (tal como muito se faz aqui em Portugal) pela esperteza saloia (Perder tempo quando se está a ganhar, com a bola fora de campo; Fingir lesões para expulsar adversários; Pressionar os arbitros, para que ele nos passe a beneficiar; Simular faltas; Etc...etc). Aprendem, os jogadores, que os factores externos são mais importantes que o jogo em si, tal como aprendem que o desenvolver de uma volumosa musculatura é essencial, para que tenham sucesso no futuro.
E o jogo?
O jogo é tudo aquilo que eles não aprendem no seu desenvolvimento, e essa tal qualidade táctica, é a principal carência do futebol do Brasil. Contudo a táctica não se esgota no que o seleccionador falou.
 
Qualidade táctica é bem mais abrangente que a capacidade do jogador, em adaptar o seu posicionamento com e sem bola. É também saber o porquê de passar a bola, o porquê de rematar, e o porquê de driblar. É saber para onde passar e quando passar, para onde e quando conduzir e driblar, e é também perceber para onde e quando rematar. É neste tipo de trabalho que se deve focar o desenvolvimeno dos jogadores, porque tudo isso é capacidade táctica, tudo isso é treino, e no fundo, tudo isso é conhecimeno do jogo.
 
Mas não será possível, jogadores com elevado nível técnico aprenderem o jogo, transformando-se, depois, em futebolistas que jogam bem?
É! Serão sempre bons jogadores, aqueles que se conseguem adaptar às novas exigências do jogo, mas, nunca serão esses os melhores. Os melhores serão sempre aqueles, que desde cedo, desenvolvem o potencial técnico na mesma medida que o potencial táctico, uma vez que assim se tornarão, ESPECIALISTAS em jogar bem, futebol.

terça-feira, junho 18, 2013

Pensamentos: Espanha, Espanha e mais Espanha

Ontem num programa da Sporttv, Nelo Vingada disse que quando se juntavam os jogadores espanhois, na equipa A, o jogo surgia de forma natural. Compreendo que o diga, porque de facto eles jogam assim com essa aparência de naturalidade, já que jogam assim TODOS os jogadores do plantel. Mas de natural acho que o estilo de jogo espanhol tem pouco, não será possível juntar naturalmente 11 jogadores e pô-los a jogar como jogo La Roja. O que nos parece natural surge após anos sucessivos de trabalho, não só nos plantéis seniores e também após uma mudança de mentalidade desde as estruturas federativas aos treinadores e jogadores.

Neste momento, mais interessante que ver os “A” jogar, interessa-me ver os sub-21 e sub-20. Isto porque os sub-21 espanhóis apresentam inúmeras características comuns ao plantel principal: futebol apoiado desde a defesa, grande dinâmica em todas as posições, excelente capacidade de jogo enquanto pressionados e ainda excelente reacção aquando da perda da bola. Se nos A isto poderá surgir de forma natural, até porque vários jogadores jogam juntos no Barcelona, onde executam de forma semelhante, nos sub-21 poder-se-á tornar mais surpreendente. De qualquer forma, também sabemos que estes jogadores da actual sub-21, que já ganharam várias competições internacionais, jogam há muito assim. E que antes deles os sub-23 olímpicos também o faziam e os ex-sub21!

Trata-se portanto de uma “filosofia” implementada desde cedo nos escalões das selecções espanholas, que permite colher frutos, independentemente dos estímulos que os jogadores recebam nos seus clubes. Independentemente de Rodrigo ou Morata jogarem em equipas preferencialmente de transição, sabem jogar o futebol apoiado da selecção e o mesmo se aplica aos seus colegas que tradicionalmente jogam em equipas com princípios e ideias diferentes da selecção.
Provavelmente não surigirão Iniestas e Xavis todas as gerações, mas não duvido que constantemente se formarão jogadores do nível de um Mata, Cazorla, Piqué ou até Fabregas. Ano após ano surgem inúmeros talentos JOVENS no campeonato espanhol, jogadores dotados de técnica elevada, que decidem bem e executam melhor. Será que no vácuo, são realmente melhores que brasileiros, portugueses ou alemães? Ou será que acima de tudo, são mais inteligentes que os demais? E se eles conseguem, será que mais ninguém conseguirá?


O futuro do futebol é o presente do futebol espanhol. Mais do que futebol de posse, de pressão, de tiki-taka, o importante é o futebol jogado com a cabeça. Joga-se em posse porque permite ganhar mais, mas não duvido que se fosse necessário mudar para melhor, que os jogadores respondessem positivamente. Quando insisto tanto no papel da formação, principalmente em Portugal, penso muito no que vejo em Espanha…

Melhor futebolista espanhol de sempre?!


segunda-feira, junho 17, 2013

México-Itália, Taça das Confederações



Faltou imaginação a Itália, para conseguir aproveitar as fragilidades do México.
Se assim fosse, seria jogo para goleada.
México muito desorganizado defensivamente, para aquilo que a Itália apresentou, se defendesse com muitos homens na zona da bola, mesmo que mal posicionados, teria tido outro resultado. Um princípio simples como a concentração defensiva, por forma a criar superioridade numérica na zona da bola, ou um simples princípio como a compactação, por forma a reduzir espaços entre linhas, teria tido grande eficácia neste jogo.

No final do jogo, assim foram as declarações dos treinadores, ao site da FIFA:
"Ninguém gosta de perder, muito menos nos últimos minutos. A proposta hoje era esperar aItália, cansá-la e aproveitar os espaços que fossem criados. Mas não fomos defensivos de maneira nenhuma: não é necessário ser defensivo para ceder a saída de jogo ao rival. Se tivéssemos feito isso, não teríamos gerado as oportunidades que geramos. Mas estávamos jogando contra uma grande equipe, bem coordenada, que fez valerem as suas condições individuais. Foi isso que fez a diferença", José Manuel da Torre, treinador da seleção doMéxico.
"Em torneios desta classe, é importantíssimo começar com o pé direito, e por isso estou muito satisfeito. Diria que a partida foi bem tática, e que o México tentou aproveitar erros que poderíamos cometer. Mas trabalhamos bem, fomos superiores e saímos com uma vitória merecida. Pirlo? Não tenho palavras para descrever o que ele fez hoje. Ele é o futebol em pessoa. É um exemplo para todos e merece muitos aplausos. Nos colocou em vantagem e controlou a partida. O Mario (Balotelli), por outro lado, deveria parar de mostrar os músculos: esse tipo de comemoração só lhe traz cartões desnecessários", Cesare Prandelli, treinador da seleção da Itália.

sexta-feira, junho 14, 2013

Arbeloa sobre Mourinho

Deixo-vos aqui uma declaração de Arbeloa acerca de José Mourinho:

«Mourinho partiu a cara e partiram-lhe a cara por nossa culpa. Fez tudo para defender este clube e no Real Madrid poucos podem dizer isso. Neste clube, as pessoas, sobretudo os jogadores, normalmente olham primeiro para eles próprios e só depois para os outros. Há quem não goste que haja um treinador que não te deixa relaxar, eu prefiro pessoas como Mourinho, frontais. Mourinho saiu desencantado com os jogadores», afirmou o lateral, em entrevista ao La Sexta.

Penso que esta frase diz muito não só do Real como instituição, como do seu plantel...


quinta-feira, junho 13, 2013

Mind Games

Era isso que todos os adeptos do Porto pediam.
Afinal, como aqui se vê, ele também os soube fazer.

Fica um excerto da entrevista de Vítor Pereira ao DN:

Foi mais saborosa aquela vitória aos 92 minutos contra o Benfica ou o título propriamente dito?
_ Aquilo foi um momento indescritível. É um campeonato, é uma época de trabalho decidida numa fração de segundos. É uma mistura de sentimentos, uma explosão de alegria, as lágrimas até me vieram aos olhos. Não consigo descrever outro momento emocionalmente tão forte como aquele.

Como é que motivou os jogadores para o jogo?
_ Disse-lhes que bastava sermos iguais a nós próprios, manter um ritmo forte, o entusiasmo. Que recordassem as vezes que o título já tinha sido atribuído ao longo da época ao Benfica.

Estava à espera que o Benfica tivesse escorregado até àquele jogo?
_ Esperava. Até ao jogo do Benfica com o Marítimo o meu discurso era um desafio para o Benfica. Era uma motivação para eles, ultrapassar o desafio que lhes lançava em que dava sempre a sensação de que iam falhar. Naquela semana, achei que tinha de lhes entregar o título. Tinha de fazer o contrário, dar-lhes a ideia de que o título já estava ganho. E queria motivar o Estoril. Quando disse que o Estoril não teria qualquer hipótese, quis transmitir duas ideias. Uma, para os jogadores do Benfica pensarem que nós já tínhamos deixado de acreditar. E outra, para o Estoril, motivando-os no sentido de contrariar o que eu tinha dito. Contei a estratégia aos meus jogadores, disse-lhes: vamos fazer como a cobra, fazemo-nos de mortos que é para no momento certo lhes saltar em cima. Com sorte, sem sorte, ou com boa estratégia, o que é certo é que a coisa resultou.
Viu o jogo do Benfica com o Estoril?
_ Vi. O Estoril não ganhou o jogo, mas mereceu ganhá-lo.
O que é que fez a seguir? Como é que reagiu, a quem é que ligou?
_ A ninguém. Mas precisava daquilo. Sabíamos, a partir dali, que o campeonato estava nas nossas mãos.

No final do jogo com o Benfica, elogiou Jorge Jesus.
_ É verdade.
Vê-o a treinar, por exemplo, um dia, o FC Porto?
_ Possivelmente. Tem qualidade para isso.

O FC Porto perdeu jogadores importantes, Moutinho, James...
_ Isso é o ADN do clube. O de se renovar. Continua sempre uma equipa com uma hegemonia muito grande. As pessoas saem, os jogadores, os treinadores, e o clube continua com uma estrutura forte, com um grande presidente. O FC Porto não vai mudar. Há um espírito competitivo muito forte, vontade de vencer, acreditar sempre até ao fim. E essa união resulta em muitos títulos.
O jogo em Paços de Ferreira foi limpinho, limpinho, ou aceita que aquele lance não foi penálti, foi fora da área?
_ É claro, sem qualquer tipo de problema. E nós ganharíamos sempre. Depois de uma época inteira a trabalhar, tinha a certeza de que a equipa, se precisasse de fazer dois ou três golos, faria.
O FC Porto e o Benfica foram beneficiados pela arbitragem?
_ Às vezes foram, outras vezes prejudicados. Admito claramente um erro, porque também erro. Agora, erros repetidos é que não. Nestes dois anos de FC Porto, tive duas contestações mais sérias. Depois de ver erros repetidos no mesmo jogo, isso ninguém me cala, porque não devo nada a ninguém. Nunca pedi nada, não devo favor nenhum, vivo do meu trabalho. É como na minha vida: nasci num meio pobre, tive de trabalhar muito para chegar onde estou. Sou uma pessoa simples, com uma vida simples, que se apoia totalmente no trabalho e na confiança no seu trabalho, e também na fé. Talvez por isso seja tão criticado: se calhar, para ser treinador do FC Porto precisava de ter nascido em berço de ouro, ter daqueles discursos à político, mas não tenho.

Quando acabou o jogo em Paços de Ferreira, abraçou o presidente no balneário. O que é que disseram um ao outro?
_ Sou uma pessoa grata, que gosta de agradecer a quem trabalhou, acreditou. O que me apetecia era agradecer, um a um, aos meus jogadores, à equipa técnica, ao clube, ao presidente, à administração, adeptos, claques. E às outras pessoas que ficam sempre na sombra, dos roupeiros ao departamento médico... Queria sentir a alegria no olhar das pessoas. É o que nos dá entusiasmo. Porque isto não é uma profissão fácil, é uma profissão de grande desgaste, de uma pressão constante.
E o que é que Pinto da Costa lhe disse?
_ Também me agradeceu, agradeceu o nosso trabalho.
E qual foi o melhor momento desta época?
_ Aquele golo do Kelvin, de um miúdo de uma irreverência... Além da qualidade individual, teve ali um momento de inspiração que resolveu o campeonato. Quer dizer... claro que o campeonato se decidiu em trinta jornadas. E o FC Porto não ganhou, como já li, por demérito dos outros, porque nem uma derrota teve. Só uma em dois anos! Não entendo essa forma intelectualmente desonesta, ou facciosa, de avaliar as coisas. Mas também não me desilude, porque já não me iludo. O FC Porto usa essa revolta interior para se unir e provar que é melhor.

E se não tivesse ganho este título com o FC Porto, também saía?
_ Isso era ponto assente. Partindo de mim a iniciativa. Coloquei-a há muito tempo. Não é nada do que veio nos jornais, que o clube me informara que não contava comigo. Eu é que estabeleci claramente que nem equacionaria continuar se não ganhasse o campeonato. E foi o que lhes disse há uns meses.

Seria capaz de voltar a ser adjunto?
_ Não, isso está fora de hipótese. Ser adjunto foi a decisão mais difícil da minha vida. Não nasci para ser adjunto. Gostei muito da experiência porque o André [Villas-Boas] era uma pessoa aberta, leal, e partilhámos muita coisa. Mas nasci para ser treinador principal, para fazer as coisas à minha maneira, para liderar o meu grupo, para sentir orgulho no meu trabalho. Aquele ano foi um pedido do clube e, por gratidão à minha formação - tinha lá passado cinco anos -, por sentir que era uma oportunidade de trabalhar com jogadores de grande nível, disse que sim e orgulho-me daquela época.
Sonha, algum dia, poder chegar a uma cadeira de treinador no Real Madrid ou no Manchester, por exemplo?
_ Sonho, um dia, ganhar a Liga dos Campeões. Esse é o meu objetivo e um dia vou ganhá-la.
Foi o grande balde de água fria desta época a eliminação pelo Málaga?
_ Foi, porque criámos grandes expetativas. Não estávamos preparados para aquela perda. Passados três dias estávamos a ir para a Madeira e não foi fácil, sabe-se.

O facto de não ter renovado contrato preocupou-o ao longo do ano?
_ Não me preocupou minimamente. Uma coisa nunca me vão tirar: a minha competência. O trajeto que fiz até aqui vai-me permitir trabalhar cá ou noutro lado qualquer. Mas nem eu admitiria, já disse, trabalhar no FC Porto sem ter resultados. Numa estrutura que vive de títulos, é preciso alimentá-la com títulos.
Gostava de ser treinador por muitos anos?
_ Vou ser treinador até quando puder, porque é a minha vida, a minha paixão. Já ouvi alguns colegas meus dizerem «trabalho mais dez anos e acabou». Para mim não dá, vou trabalhar até sentir que já não posso mais. Em toda a minha vida, só estive quatro meses sem futebol. Quando passei de jogador a treinador. E foram os quatro piores meses da minha vida, não conseguia dormir. Trabalhava de noite e de dia para me preparar para ser treinador, porque era o que queria. As ideias eram tantas que não conseguia adormecer. Foi a única vez que vivi sem futebol, e percebi que não consigo.
Alguma vez pensou chegar tão alto?
_ Acredito muito na competência e no perfecionismo. E como sou um lutador, sabia - há já uns anos - que chegaria onde cheguei. Como sei que hoje estou aqui e chegarei mais longe, ganharei uma Liga dos Campeões. Sei que vou lá chegar. Assumo isso: um dia, vou ganhar a Liga dos Campeões.
Ser treinador do FC Porto era, para Villas-Boas, a sua cadeira de sonho. E para si?
_ Uma fase do meu trajeto a que queria chegar. Podia ter feito um trajeto diferente, mas, mais ano menos ano, sabia que chegaria lá. Se gostaria de ficar muito tempo? Sim, claro, mas também sei que isso implica um desgaste muito grande, os adeptos do FC Porto são muito exigentes... E vivo perto... Se o jogo corria bem, podia estar tranquilo e sair com a minha família à vontade. Quando as coisas não correm bem... e isso desgasta. Mas gostava de criar, de implementar uma ideia de jogo. O que me apaixona, no futebol, é criar a equipa com um jogo brilhante, um jogo bonito, de grande qualidade, e isso leva o seu tempo. Mas o futebol não é feito desses projetos, o tempo é curtíssimo.

Como é que são as suas relações com Pinto da Costa?
_ Não sou de falar muito, não sou de manter essas relações no dia a dia. Falava com o presidente, às vezes, uma vez por semana.
Não almoçavam, não jantavam habitualmente?
_ Não. Apenas no dia do jogo, porque ele almoça ou lancha com a equipa. Quando acha que tem de falar... fala. As pessoas têm uma ideia de um presidente controlador. Mas ele é uma pessoa essencialmente inteligente. Aparece quando acha que tem de aparecer. Mas não é, nem de longe, nem de perto, aquela pessoa que define tudo. No FC Porto, o treinador é o treinador, o presidente é o presidente. O presidente nunca quis ser treinador. Temos de estar todos ligados, mas cada um na sua função.
No FC Porto, qualquer treinador arrisca-se mesmo a ser campeão?
_ Muita gente diz que, o ano passado, só resisti porque tinha uma estrutura por detrás de mim que me protegeu. Não há dúvida nenhuma de que quem trabalha no FC Porto sente essa estrutura... Conhe­ço-a bem. Mas, por conhecê-la, sei que não há ninguém sem resultados que resista. Não há ninguém sem competência que resista. E eu fiquei.
Também se diz que o Vítor quase não contribuiu para a construção da equipa...
_ O FC Porto jogou com as ideias de jogo do seu treinador. As opções foram tomadas por ele. É claro que faço parte de uma estrutura maior, não sou ninguém para dizer «quero o jogador A e se o jogador A não vier vou-me embora». Não posso fazer isso no FC Porto, nem em clube nenhum. Se me disserem «não há dinheiro para o jogador A», não não vou tirar do meu ordenado para o ir buscar. Mas se achar que o jogador A, B ou C não está a corresponder àquilo que é o meu jogo, esse jogador não entra.
Mesmo que o presidente ou alguém da estrutura lhe diga «ponha-o a jogar, que a gente precisa de o vender»?
_ Isso é um erro. Quem diz isso não faz a mínima ideia de como esta estrutura funciona. Defendem o treinador e a ideia do treinador até às últimas consequências. Se o treinador entende que o jogador A, B ou C não funciona, põem-se do lado dele. É isso que faz a diferença deste clube.
Lutou contra a saída do Hulk e do Falcão há duas épocas?
_ Não podia lutar.

Tornou-se treinador do FC Porto porque estava no momento certo, na hora certa, ou mais do que isso?
_ Provocação? [risos] Por muito mais. Com toda a frontalidade! Passei sete anos na formação do FC Porto. Depois, por iniciativa própria, pedi para sair sabendo que, normalmente, quem sai, não volta. Mas quis trabalhar com seniores. E voltei! Por iniciativa própria outra vez, pedi para sair novamente e então aí é que não se volta mesmo! Só que as pessoas voltaram a convidar-me e voltei. Pensei que ia fazer um trajeto natural, segunda divisão, segunda liga, primeira liga, mas não foi assim. E confesso que, quando aceitei ser adjunto, terá sido provavelmente o momento ou a decisão mais difícil que tomei a nível profissional.
Porquê?
_ Porque passei de treinador principal, com muito orgulho e com uma carreira de que me orgulhava, para adjunto. Já tinha tudo definido com um clube da primeira liga, mas fui desviado para o meu clube do coração, para um projeto a que não pude dizer que não. Foi a única noite que não dormi por causa do futebol, achava que não tinha perfil para... ser número dois.
O risco que correu valeu a pena?
_ Sim, valeu a pena. Fundamentalmente, entendi que não podia dizer que não a um clube onde me formei, achei que aquele era o momento de retribuir. Também era uma oportunidade, não digo que não, mas foi uma decisão que me custou muito a tomar.
Vai dizer que é outra provocação. Mas diz-se que o FC Porto é um bocadinho como o Barcelona, dispensa treinadores...
_ Não me sinto ofendido, porque quem diz isso quer reconhecer a estrutura e, realmente, a estrutura do FC Porto é de top mundial, permite aos seus treinadores concentrarem-se só no seu trabalho. Mas já vi muita gente passar pelo FC Porto sem sucesso. É muito difícil chegar e, mais difícil, é corresponder ao nível do clube. Não é para qualquer um. A forma como cheguei ao FC Porto é um bocadinho atípica, saí quase do anonimato para assumir o clube num momento excecional, numa época de muitas vitórias.
E isso trouxe-lhe problemas. São conhecidos alguns...
_ Foi o não reconhecimento do trabalho de uma pessoa que esteve na sombra. As grandes expetativas criadas por nós próprios, equipa e jogadores, traduziram-se num contexto dificílimo.
Como geriu aqueles primeiros meses de tensão?
_ Com muita flexibilidade, com muita paciência, a sentir muitas vezes que as pessoas falavam de mim sem me conhecerem. Senti-me injustiçado, algumas vezes pouco treinador, no sentido de não estar a construir o que me faz vibrar no futebol, uma coisa minha, um projeto, uma ideia de jogo. Estava apenas a gerir uma herança, pesadíssima, sem margem mínima de erro.

Presumo que André Villas-Boas o quis levar para o Chelsea. Porque é que em vez desse lugar seguro decidiu assumir o risco de ficar?
_ O André não me convidou só uma vez, convidou-me insistentemente. E só uma coisa me podia desviar de um projeto no Chelsea: um convite para treinar o FC Porto. E o André acreditava sinceramente que o FC Porto me iria convidar. Não foi uma oportunidade de ocasião. Havia muitos treinadores disponíveis, mas o FC Porto optou pelo adjunto da altura. Trabalhei neste clube muito tempo, penso que acreditaram na competência. Mas a herança não foi fácil, os primeiros seis meses foram tremendos, de conflito constante, de choques de personalidade.

Está a falar disso pela segunda vez. Ficou marcado...
_ O único clube que tinha orientado tinha sido o Santa Clara. Jogadores campeões na Liga Europa, de repente tinham à frente o adjunto, o ex-Santa Clara... Houve esse não reconhecimento dos próprios jogadores, dos adeptos, da imprensa. Para mim foi também uma experiência perceber as motivações de jogadores a este nível. Uma coisa é trabalhar com jogadores do Santa Clara, em que o reconhecimento é imediato. Aqui esse reconhecimento tem de ser conquistado com muito trabalho.
Há também uma relação diferente com os jogadores?
_ Nunca fui aquele tipo de adjunto com uma relação pessoal muito forte. Sempre fui mais virado para o que domino, que é o pormenor do jogo e do treino tático, técnico. O Pedro Emanuel, o Zé Mário, provavelmente teriam uma relação mais próxima com os jogadores.
Nunca se sentiu como o special three?
_ Nunca me senti assim, porque, em termos de personalidade, sou muito diferente dos meus antecessores.

A equipa deste ano, foi mais à Vítor Pereira?
_ Sim. Implementei a ideia de jogo que tenho, um jogo de qualidade, de muita posse, domínio. Gosto de dominar os acontecimentos, controlar, de uma equipa que seja proativa, que aja e não reaja. E isso não é fácil de construir. No futebol, é assim: podemos ter uma ideia, mas os jogadores é que vão dando corpo a essa ideia, expressando o seu talento. Temos de encontrar uma forma em que a expressão do talento individual seja organizada. É quase ver um filho crescer. É o que encontro de mais similar ao que é o futebol para mim. Ver crescer uma equipa com uma qualidade de jogo cada vez maior é como ver crescer um filho, uma coisa que é nossa, que vamos modelando, mas sem lhe retirar a expressão. Isso é o que me faz andar na bola, não é o dinheiro.
Foi para isto que pediu tanta paciência?
_ A paciência é importante, mas no futebol é uma palavra que às vezes até confunde. Para expressarmos as nossas competências, temos de ter tranquilidade. A minha equipa conseguiu, apesar de todas aquelas dificuldades, ganhar a Supertaça e o campeonato no primeiro ano. E os factos dizem que depois de uma época de muito sucesso, a época seguinte será um desastre. Não foi.

Mas não acha este lado psicológico, em que o José Mourinho é especialista, importante?
_ É. Mas sou muito mais focado no que é tático, técnico, no que é futebol, porque é aquilo que domino. Se me falarem de futebol, ao pormenor, não tenho dúvida nenhuma de que dou lições às pessoas, mesmo aos que vejo na televisão que parecem catedráticos. Passo horas da minha vida, dias e noites, a refletir sobre futebol. Neste jogo de palavras, nesta relação com a imprensa que também é necessária, neste mundo que é... esta fachada social, continuo exatamente a mesma pessoa.

A sua tese de licenciatura, orientada por Vítor Frade, é sobre o Barcelona de Cruijff. Porquê?
_ O professor Vítor Frade transmitiu-me a capacidade de questionar tudo, de nunca me satisfazer com o que os outros dizem. Argumentar, contra-argumentar, descobrir e redescobrir o treino e o jogo. A partir de determinada altura comecei a questionar o que fazia - joguei sempre nas terceiras divisões, dez anos, e já não tinha paciência para um nível de treino que achava que não estava correto. Foi o professor Vítor Frade que me ajudou com as dúvidas. Na faculdade, na opção de futebol - sabia que era a minha vida - andei um ano completamente apagado, não percebia nada do que ele queria. Eram textos de economia, filosofia, de tudo, menos de futebol. Eu à espera de receita, não encontrava resposta nenhuma. Esse primeiro ano foi uma frustração. Para mim e para todos os alunos. Escrevia frases inteiras dele para tentar decifrar em casa. No segundo ano, de repente, tudo começa a encaixar. A capacidade de refletir e de trabalhar em qualquer realidade, a capacidade de colocar em causa tudo, a todo o momento.
Foi ele que o levou a escolher o tema para a tese?
_ Ajudou, mas eu adorava ver o Barcelona de Cruijff. Escrevi-lhe uma carta, para lá ir, não tive sorte. Mas observei o Barcelona... Tentei identificar o modelo de jogo da equipa. Via as cassetes, puxava atrás, vi oito vezes cada jogo, para tentar perceber claramente quais eram os princípios. E gostei muito.
Utiliza algum daqueles movimentos?
_ Treinar é descobrir e redescobrir coisas, voltar atrás, andar à frente... Adaptar. Eles têm de jogar o jogo deles, só que organizado por mim. Antigamente, as minhas equipas jogavam o meu jogo. Mas mudei a forma de ver as coisas. Andei durante muito tempo a pensar que se podia defender à italiana e que se podia jogar com aquele... Barcelona. Mas é impossível.
Como é que começa a sua carreira de treinador?
_ Com uma lesão e uma certa saturação. Daquele treino sem condições. Já estava um bocadinho cansado aos 28 anos. Lesões mal curadas, umas atrás das outras, tive uma hérnia que me obrigava a tomar muitos anti-inflamatórios e parei. Estive quatro meses... em casa. Mas foi impressionante, não conseguia dormir.

É mesmo obcecado por futebol?
_ Estou sempre a pensar em futebol, sempre...

Se há jogos que lhe correm mal, revê-os para perceber os erros?
_ É claro que sim. Vejo tudo e o que é que falhou.
Quantas vezes?
_ Com a experiência que tenho, normalmente a ideia com que saio do jogo já é muito aproximada daquilo que falhou. Mas depois vou ver ao pormenor o que é que falhou e onde estivemos bem. Como sou muito exigente comigo, antigamente cometia o erro de ser obcecado pelo pormenor e muitas vezes podia fazer dez coisas boas, mas se fizesse uma mal, era nessa que eu ficava focado. Agora mudei. Não o transmito aos outros. Não estou a ver a minha equipa a evoluir pela apresentação dos erros que cometeu ou por aquilo que não fez, mas sim pelo que já fez de bom.
Fala com cada um dos jogadores?
_ Delego funções, cada um dos adjuntos tem uma. Um disseca ao pormenor o individual. Outro anda toda a semana à volta das bolas paradas. O observador está toda a semana a discutir comigo o adversário. Outro faz a ligação do balneário, a relação dos jogadores, os problemas, e transmite-me.
Mesmo os problemas pessoais?
_ Até esses. Tem mesmo uma relação muito próxima com eles.

Costuma dizer «ainda não viram nada». O que é que falta ver?
_ Muita coisa, muita coisa. Acho que tenho tanta coisa ainda para descobrir no futebol. A cada esquina descubro uma coisa nova e sei do que sou capaz. Sei a força interior que tenho, que me distingue.
Qual é a equipa que mais gosta de ver jogar, fora o FC Porto?
_ O Barcelona.
Qual é o melhor jogador do mundo? Não vale nenhum do FC Porto...
_ É difícil responder. Metade Messi, metade Cristiano Ronaldo, e um bocadinho do Iniesta.
E o melhor treinador do mundo?
_ Também uma mistura. O melhor treinador do mundo não é o melhor treinador do mundo, é o melhor projeto de futebol apresentado. O jogo do Guardiola é lindíssimo. Mas tenho de reconhecer também que o Zé Mourinho, que já ganhou em tanto lado, tem de ser mesmo diferente dos outros.
A melhor equipa portuguesa de sempre?
_ Adorei ver jogar o FC Porto do Mourinho na Taça UEFA. No segundo ano, na Liga dos Campeões, já foi muito mais racional, estratégica. Gostei também muito de ver a que ganhou a Liga dos Cam­peões, que era uma equipa maravilhosa.
E a melhor equipa estrangeira de sempre?
_ Acho que foi o Barcelona do Guardiola.
Faça o melhor onze de sempre do FC Porto.
_ Guarda-redes, lá está, uma mistura entre o Mlynarczyk e o Baía. Se disser que é o Mlynarczyk, estou a ser injusto com o Baía, se disser que é o Baía estou a ser injusto com o Mlynarczyk. Uma mistura entre os dois.
Siga, para o resto... Defesa -direito?
_ Eu gostava muito do Gabriel mas também era aí uma mistura entre o João Pinto e o Gabriel. Os dois centrais? Aquela classe do Aloísio e a agressividade de um Fernando Couto ou de um Jorge Costa. A lateral-esquerdo gostei muito de ver jogar o Branco. No meio-campo tínhamos o Deco, o Oliveira... depois aqueles trabalhadores, o Vasquinho... Nas alas, o Futre, gostava muito do Kostadinov, e o Madjer era um regalo! E na frente tivemos o «bibota» [Fernando Gomes], o Jardel também nos deu tanta coisa. Devia ser ali entre um e outro. Mas houve mais gente de grande qualidade. O Drulovic, lembrei-me agora, o Jaime Magalhães...


quarta-feira, junho 12, 2013

Adaptação

"Era um técnico organizado, metódico e um líder por natureza. Com ele não havia treinos iguais e chegava muito facilmente aos jogadores. Nas duas épocas em que aqui esteve, fizemos um grande percurso na Taça de Portugal. Quando fomos eliminados pelo FC Porto, ele disse-me que ia jogar no Dragão como a equipa jogava sempre e ao intervalo tínhamos 50% de posse de bola",

Amândio Dias, presidente do Pinhalnovense, sobre Paulo Fonseca.


Hoje em dia muito se fala em adaptação, e na grande importância que ela tem para o futebol. Os anteriores sucessos das equipas italianas nesse estilo, e mais recentemente com José Mourinho essa capacidade em moldar a nossa equipa ao adversário, ficou super-estimada. É um facto que quando as equipas estão bem preparadas, com conhecimento do adversário, pontos fortes e pontos fracos, caso consiga aproveitar bem as fragilidades, poderá ter uma grande margem de sucesso, em número. O grande problema que coloco é, o facto desse tipo de abordagem depender em demasia, daquilo que o adversário nos vá apresentar, naquele momento específico. Então, estamos a trabalhar sobre coisas que não podemos controlar. Não discuto a importância da vertente estratégica do jogo, mas acho, sinceramente, que a obsessão e a relevância que tem sido dada a essa vertente é absurda. Não há, para mim, melhor estratégia que depender, apenas, de nós, fazendo o jogo que estamos habituados a fazer.

Digo isto, porque o mais importante para uma equipa de futebol, é o desenvolver de uma identidade colectiva. E essa identidade só se desenvolverá, no caso de o treino, o feedback, e o comportamento da equipa técnica for congruente com a ideia de jogo que defende 99% das vezes, e se calhar 99% é pouco. A obsessão pela adaptação, confunde princípios, baralha as interacções criadas, e torna a equipa mais fraca. Uma equipa que se adapta de semana à semana aos adversários que defronta, nunca vai ser colectivamente forte, isto porque nunca teve, em jogo e em treino, oportunidade de estabelecer relações próprias e um elo de ligação comum, que os torna verdadeiramente únicos, aquilo a que geralmente se chama "jogar de olhos fechados".
O que ganha campeonatos, são precisamente regularidades apresentadas pela equipa, a impressão digital instruída pelo treinador e desenhada pelos jogadores. Com a adaptação podemos, no máximo, conseguir sair vencedores em competições a eliminar, onde a sorte e os detalhes jogam um papel importante. O próprio José Mourinho, que hoje é um treinador diferente do que conheci, dizia que ele não encaixava a equipa dele em nenhuma, se os outros assim o entendessem, que encaixassem a equipa deles na sua. Isto, porque nesta fase, ele entendia que as colectividades eram tão mais fortes, quanto mais desenvolvidas fossem dentro do seu próprio estilo. 

O jogo, deve ser uma consequência do trabalho semanal, e o trabalho semanal deve ser consequência do jogo anterior. Trabalhar sobre os pontos fracos da equipa, mais do que sobre pontos fracos do adversário, reforçar e melhorar os pontos fortes da equipa mais do que trabalhar pontos fortes do adversário. A adaptação ao adversário deve ser, sempre, congruente com aquilo que é a nossa forma de jogar, com aquilo que nos caracteriza. Eu não posso considerar um ponto fraco do adversário, se esse mesmo ponto não se enquadrar na forma de jogar da minha equipa. Eu não posso elevar a estratégia, acima daquilo que é a minha identidade colectiva. 

Passando para um exemplo prático: Tenho como modelo valorizar a bola e pressionar alto, desde o primeiro minuto, e a equipa adversária é fraca na reacção a perda de bola, apresentando fragilidades na recuperação, e perde muitas bolas no meio campo ofensivo, evidenciando dificuldades na construção. Eu nunca irei pedir a minha equipa para jogar em bloco baixo, dando iniciativa ao adversário para ele sair a construir, até ao meu meio campo. Tão pouco, irei pedir para que entreguem a bola ao adversário, propositadamente, para que possamos recuperar e aproveitar a fraca reacção do adversário, apanhando-o mal posicionado. Muito menos irei pedir para que, quando recuperemos a bola, que a equipa saia na vertigem, na tentativa de os precipitar a fazer golo, depressa. Esse tipo de acção que temos na equipa, é castrador da identidade que estamos a construir e do estilo de jogo que idealizamos. Note-se que, neste caso, a aplicação da vertente estratégica, é altamente divergente do tipo de jogo em que eu acredito, aquele que eu quero que os meus jogadores acreditem, ainda mais do que eu. E é aqui que está a confusão. Não estou a valorizar a pressão alta e modelo dominante que quero impor, não estou a valorizar a bola e o controlo dos ritmos por tentar finalizar rápido após a recuperação. 
Posso e devo passar a informação dos pontos fracos e fortes do adversário aos jogadores, mas nunca, vou colocar no treino, nem pedir aos jogadores, princípios contrários ao meu modelo de jogo. 

Tudo o que fizermos deve ir de acordo aos os parâmetros defendidos no modelo.
Ter modelo é bom, mas se fizermos coisas contrárias então mais vale não ter um modelo.
É preciso haver congruência dos princípios de jogo.

Pelo que Fonseca defende, jogar igual contra qualquer equipa, para mim, já começou a ganhar!

terça-feira, junho 11, 2013

Neymar em Espanha

«Até agora tem sido um excelente jogador, mas todos sabemos que o jogo que se pratica na Europa é completamente diferente. Todos esperam vê-lo ao mais alto nível na Europa, mas não estou tão seguro disso, porque a sua estatura vai ser um fator a ter em conta», declarou Michael Laudrup numa recente entrevista.

Tem havido muita confusão à volta da jovem promessa brasileira, e o aspecto que mais tem merecido a minha atenção, tem sido a questão acerca do crescimento físico, necessário para que o jogador tenha sucesso num campeonato europeu.
Os, melhores, campeonatos europeus são diferentes, do ponto de vista físico. Os jogadores são confrontados com sucessivas situações de choque, e encontram adversários mais fortes, do ponto de vista físico. Então tenho ouvido, por aí, que o Neymar precisa de ir ao ginásio para ganhar peso, de forma a resolver a diferença física que tem para os outros jogadores.

A diferença, física, que o Neymar tem para os outros jogadores não é fundamental! Não é por ela que vai ter mais ou menos sucesso na Europa. Da forma que se fala das mudanças que ele precisa de ter, parece até que o aumento de massa muscular, o vai ajudar a resolver a diferenças, ao nível do jogo, que ele vai encontrar.
O jogo europeu, é mais físico. Mas só o é, por ser mais evoluído do ponto de vista táctico. O encurtar dos espaços, a maior organização das equipas, e o maior conhecimento do jogo, são o verdadeiro problema de Neymar. Então, a adaptação que ele deve ter, é do ponto de vista táctico. Dessa adaptação, e do uso da técnica que ele já possui, irá surgir, naturalmente, a evolução física que Neymar, realmente, necessita. Ele só necessita das capacidades físicas necessárias para jogar futebol, e essas conseguem-se dentro de campo. Indo mais longe, ele só precisa das capacidades físicas para jogar o futebol que a equipa dele pratica e que ele, fugindo do modelo de jogo, necessitará para ser criativo.
E esse tipo de capacidades, são tão específicas, que não vejo outra forma de ganha-las, sem que isso seja prejudicial a saúde do atleta, que não no campo. 

domingo, junho 09, 2013

Tomada de decisão, exemplo de Morata.

Grande golo de Morata, que é mais jogador do que aquilo a que Rodrigo poderá um dia almejar. Candidato a melhor 9 da Europa, e futuro avançado de referência da Roja. Tudo nele é inteligência e qualidade técnica, para além do porte físico invejável. Ainda que hoje não seja indiscutível nem nos sub21, e ainda que hoje perca para o avançado do Benfica esse estatuto, no futuro ninguém ficará com dúvidas. Resta esperar para ver.

Factores que influenciaram o jogador no acerto na decisão:
  • Percepção da zona onde se encontrava a bola, e da sua posição em relação à baliza
  • Percepção do posicionamento dos colegas
  • Percepção do posicionamento do adversário




sábado, junho 08, 2013

Real Madrid: Gareth Bale e Ronaldo

Gareth Bale foi hoje dado por “A Bola” como confirmado no Real Madrid a troco de 90 milhoes de Euros. Aquele que hoje é por muitos considerado o terceiro melhor jogador do mundo, junta-se então ao plantel onde joga o segundo melhor. E quer Bale, quer Cristiano são jogadores fantásticos! Aliam força com poder de explosão, com capacidade técnica elevada ao nível da finta e ambos têm grande poder de finalização.

Por outro lado, são jogadores que se movimentam de maneiras similares em campo; partem da linha para zonas mais centrais do campo, seja com ou sem bola. Ainda, são jogadores que nas últimas época foram a referencia ofensiva de suas equipas, sendo a principal solução para a maioria das jogadas de finalização e gozando portanto de inúmeras oportunidades.

Contudo para o ano estarão os dois no mesmo plantel e só haverá uma bola em campo. É necessário que o treinador do Real Madrid consiga encaixa-los os dois no mesmo modelo e que ambos entendam que a presença do outro não é uma adversidade, mas sim uma vantagem. Tenho dificuldades em imaginar os dois a fazerem qualquer tipo de jogada entre si que não seja em transição. Em ataque organizado, acredito que assim que a bola caia num deles, atacarão o centro e rematarão à baliza, pois são os automatismos que tiveram nos últimos anos…

Tenho também bastante dificuldade em imaginar um esquema com os dois + um ponta-de-lança. Ou servirá como um pivot, servindo fundamentalmente para tabelar com os dois “extremos” ou então terá pouquíssimo jogo e poucas oportunidades…
Parece-me que a táctica indicada passará por um 4-4-2 em losango ou um 4-1-3-2, com Bale e Ronaldo na frente, alternando entre si o jogador que descai para o flanco e o que fica no meio. Tendo em conta o plantel actual do Real Madrid parece-me a melhor solução, jogando Alonso no vértice mais recuado, Khedira e Modric como interiores e Ozil como o médio mais ofensivo dos 4.


Pessoalmente, sinto-me bastante ansioso por ver como Bale e Ronaldo irão adaptar-se à presença um do outro!

Transição Defensiva

A imagem é de uma equipa em transição defensiva...


A equipa em "transição", é, curiosamente, a que se encontra em posse da bola.

A equipa de Jorge Jesus tem um modelo tão bem trabalhado, que acrescentando melhorias em Org. Ofensiva seria, praticamente, imparável.
JJ, em Org. Defensiva é fora de série, tem comportamentos defensivos muito evoluídos, e defende tão bem, que o salto qualitativo só tem uma direcção: Melhorar a forma de atacar, melhorando, por consequência, a forma de defender.
Aproximando jogadores do portador da bola, criando uma dinâmica de apoios forte (de forma a garantir superioridade numérica na zona da bola) daria ao modelo de JJ um salto qualitativo brutal. Dessa forma, haveria jogadores perto do lance, e prontos para reagir caso a equipa perdesse a bola. Haveria opção de reagir forte à perda, recuperando a bola, ali, onde se tinha perdido, ou fazer falta. Assim, estaríamos a evitar, apesar da excelência que a equipa apresenta em transições, defender muitas situações desse tipo. Na maior parte do tempo, estaríamos em Org. Ofensiva ou em Org. Defensiva, desfazendo o jogo de transições que nos caracteriza. Estaríamos, também, a possibilitar mais soluções colectivas, ao portador da bola.

A melhor forma de defender em transição, é não deixar que a transição aconteça.

sexta-feira, junho 07, 2013

Retirada de pressão!


Aqui,  a selecção espanhola demonstra grande competência, naquilo que se designa, normalmente, por saída/retirada de pressão.
O conceito em si não é adequado ao que eu procuro, para a minha equipa.
O que eu quero, é que a minha equipa esteja preparada para jogar sob pressão. O que eu quero, realmente, não é retirada de pressão, é qualidade, em posse, mesmo a jogar sob pressão.
Para que não haja precipitação, para que se possa jogar rápido quando se tem de fazer e, lento quando for necessário. Quero a bola a circular em todas as direcções e sentidos possíveis, se assim for necessário. E por fim, quando o objectivo de manter a bola, mesmo sob pressão, for conseguido, atacar, novamente, com muitos adversários por perto, pois, é sempre dentro do bloco que quero atacar o adversário.
Valorização da bola em todas as circunstâncias.
Bom jogo posicional dos jogadores com bola, que como se vê, não têm de se movimentar para fazer correr o adversário, sem que esse tenha qualquer hipótese de recuperar a bola.
O que quero demonstrar é que, normalmente, quando se pede retirada/saída de pressão, os jogadores têm uma adaptação no sentido oposto a valorização da bola. Tentam, de qualquer forma, e no timing errado, tirar a bola de lá, e a isso, eu chamo receio de jogar sob pressão.

O meu conceito é, portanto, conforto a jogar sob pressão.

quarta-feira, junho 05, 2013

Análise a um resumo da equipa de um amigo meu

Ricardo Galeiras, treinador da equipa de Juvenis do Gondomar B, fiz uma análise ao resumo de um jogo teu. Espero que não fiques triste amigo!
Parabéns pela vitória no campeonato. Tens uma equipa muito bem trabalhada, com grande mobilidade, inteligência nas coberturas ofensivas, activos na tentativa de recuperar a bola e com muita qualidade individual. MDef e Lateral Esquerdo em evidência!
No fundo, tentas  cumprir com os princípios de jogo, com um toque pessoal, que torna o teu modelo atractivo.


José Mourinho e o Real Madrid

Entrevista ao programa espanhol Punto Pelota, na manhã antes do último jogo, pelo Real Madrid.

Ai Cristiano, Cristiano, que não aguentas uma emenda táctica, e queres tu ser o melhor do mundo meu menino.

http://www.youtube.com/watch?v=OjSG40fqT9A&list=UUYN2ZCTT_hFBTi1g5iNU0Sw&index=5

http://www.youtube.com/watch?v=p4AH7g25Ee4&list=UUYN2ZCTT_hFBTi1g5iNU0Sw&index=6

http://www.youtube.com/watch?v=uToKzxfgL4A&list=UUYN2ZCTT_hFBTi1g5iNU0Sw&index=7

http://www.youtube.com/watch?v=fmD0a-FY6Hk&list=UUYN2ZCTT_hFBTi1g5iNU0Sw&index=8

Não consegui carregar todos os links no blogue, mas ficam aí para a entrevista completa.




terça-feira, junho 04, 2013

José Mourinho



«Agora posso dizer que sou um de vós, o que é um pouco diferente. Na minha carreira, tive duas paixões: O Inter e o Chelsea. O Chelsea é bastante importante para mim. Foi muito difícil para mim defrontar este clube. Prometo as mesmas coisas que prometi em 2004, apenas com a diferença de que agora sou um de vós. (…) A ideia é sempre a mesma: evoluir e estabilizar o clube ao nível mais alto possível. Tenho a mesma natureza mas estou agora muito mais maduro. Espero ficar durante muito tempo, estabilizar-me e pensar num projeto diferente»

Mourinho mostrou-se muito feliz no regresso ao Chelsea, com palavras realmente inspiradoras e, pra mim, surpreendentes. Será que irá mesmo assentar no clube?

O tal lance que define o campeonato

Aqui está uma possível análise ao lance.

Aqui fica a minha impressão:


"O Benfica beneficiava de um lançamento lateral à esquerda.
Qual a opção estratégica e táctica? Precaver a transição defensiva? Assegurar superioridade numérica na defesa? Isso é para os fraquinhos.
O nosso mestre da táctica deixou que OITO jogadores do Benfica estivessem no meio campo do Porto (todos se vêem na imagem), cinco deles ficariam facilmente fora de um contra ataque rápido como viria a suceder"

Acho que a transição defensiva está mais que precavida. Pelo menos no que concerne ao posicionamento dos jogadores. Dependendo o resto, exclusivamente, da sua acção sobre a dinâmica do lance. O Benfica tem 5 jogadores atrás da linha da bola, contra 4 jogadores do Porto para sair em transição. Superioridade numérica assegurada.



"A bola já estava perdida. Quatro jogadores do Benfica ficavam irremediavelmente para trás.
Quatro jogadores colocados a meio campo, capazes de assegurar a transição defensiva em superioridade numérica se tivessem sprintado e ocupado posições defensivas mais conservadoras. 
Fora da imagem estavam dois defesas do Benfica. Um deles sairia para tentar cortar o lance de cabeça."

Aqui, dás-me razão. Não há falha de JJ, dizes tu, e bem, Quatro jogadores a meio campo capazes de assegurar a transição defensiva em superioridade, se tivessem sprintado e ocupado posições defensivas mais conservadoras... Os jogadores estão bem posicionados, dependendo o resto, exclusivamente, da acção que os mesmo têm na dinâmica do lance.



"Um momento em que vemos cinco jogadores do Benfica para dois do Porto. 
Se pelo menos estes cinco se tivessem recolocado bem, o Benfica aumentaria exponencialmente as suas possibilidades de ganhar o campeonato. Mas infelizmente nenhum deles acreditou que aquela jogada podia ser realmente perigosa."

E continuas, a dar-me razão. Mais uma vez superioridade numérica, bem evidente... Jesus não pode jogar pelos jogadores. A excelência táctica da equipa a defender termina na interpretação dos jogadores e o modelo de organização é tão evidente, que tu, consegues descortinar erros por haver um padrão. E se o há, então como é possível colocar a culpa em Jesus, nestes erros, quando dizes sempre que a culpa é dos jogadores? Mas só o é, porque o modelo defensivo tem provas dadas e neste momento específico, falhou. Mas não foi o modelo defensivo que falhou. Foram os jogadores que o interpretam que o fizeram. A minha questão é: Qual é a tua sugestão para o posicionamento a adoptar no lançamento? Todos atrás da linha da bola? Um jogador perto do lançamento e todos os outros atrás?




"Dois segundos antes, na segunda imagem deste post, vemos 6 jogadores do Benfica contra 2 do Porto. 
Dois segundos depois vemos 6 do Benfica contra 6 do Porto.
Se a partir daqui as decisões tivessem sido correctas, a situação ainda podia ter sido remediada.
MAS, se o mestre da táctica tivesse evitado estas correrias loucas para a transição defensiva, depois de um jogo tão intenso, provavelmente a simples colocação mais conservadora dos jogadores do Benfica teria sido suficiente para evitar o perigo de contra-ataque."

Mais uma vez, erro dos jogadores certo? Os do Porto reagem ao ganho de bola, os do Benfica não reagem a perda! Compreendo a crítica que fazes, mas então a culpa é do modelo de jogo da equipa. Tens de ser coerente no que criticas e não criticar um lance em si, que viste repetido inúmeras vezes com grande percentagem de sucesso defensivo por parte do Benfica. A grande questão que fica é: Não foi este o modelo que catapultou a equipa para o entusiasmo da possibilidade de conquistar 3 competições nesta temporada? E com tamanha dose de sucesso, porquê que não o criticaste nas vitórias? É que o padrão de jogo, de posicionamento, de ataque, está e sempre esteve intimamente ligado a forma como defendes. Se o Benfica ataca em transições, defende em transições! Se o Benfica não reage, imediatamente, após a perda de bola, com pressão sobre o portador, vai defender em transição. E o Benfica, defende bem em transição! Pelo menos defendeu 90% dos lances nesta temporada.
Se queres criticar o treinador, critica-o pelo criticável, o modelo de jogo, e dá a tua sugestão para a melhoria desse modelo!

Só vou colocar mais uma imagem, porque nas restantes delas a tua explicação continuou a passar pelos erros dos jogadores. Lá está! Jesus não pode jogar por eles. Eles deveriam ter recuperado posições por forma a nunca perderem a superioridade numérica. Não aconteceu, erros individuais. De ressalvar, também, a tua análise ao Roderick, pois o erro dele, foi o mesmo que o dos outros, demorou a recuperar a posição e quando chega perto do Kelvin, já ele está dentro da área. Se queres que ele faça falta, então tem de fazer penalti. Mas o golo dele é tão improvável nesse lance, que não faria sentido fazer penalti ali. Foi um grande golo!



"Três defesas do Benfica contra dois avançados do Porto.
Dois médios centros contra um médio centro do Porto.
Um médio do Porto isolado, no círculo do meio campo: nem mais nem menos do que Kelvin, aquele que viria a sentenciar o campeonato do Benfica.
Os três jogadores do Benfica mais adiantados na imagem podiam ter recuado mais rápido e assumido posições mais conservadoras, um deles a sair logo em pressão ao Kelvin, se necessário, fazendo falta. Não aconteceu.
Importante sublinhar: Seis segundos depois de ter perdido a bola, o Benfica tinha 3 jogadores que simplesmente não recuaram para defender. Além disso, três dos médios não desceram ao ponto de ficar atrás da linha da bola. Só seis jogadores atrás da linha da bola.
O contraste com o Porto: no início do lance, no lançamento de linha lateral, o Porto defendia com 4 defesas, 4 médios, e um avançado a recuar. Só UM (!) jogador ficava mais adiantado.
O Porto estava  na eminência de perder o campeonato, faltavam 3minutos e meio, e mesmo assim assegurou 8 jogadores a defender, mais o guarda-redes, e um avançado antes do meio campo.
O Benfica, pelo contrário, permite um contra-ataque do Porto com cinco atrás da linha da bola, outros três que não recuperariam a tempo. 
O Porto já tinha 6 ou 7 jogadores colocados para a transição ofensiva!
Eficiência do Porto, displicência do Benfica, estratégia desastrosa, risco desnecessário!"

Atenção amigo, aos erros de análise... Como dizes, e bem, o Benfica tinha a bola! Isso significa necessariamente que o Porto deveria garantir superioridade numérica, por forma a conseguir recuperar a bola mais rápido! E foi o que fez. atrás da linha do lançamento assegura um 6x4, mais um jogador na zona central a controlar o marcador do lançamento e Kelvin a assegurar uma possível entrada da bola no lateral contrário, mais outro avançado a impedir o lançamento para trás. Sim o Porto na eminência de perder, continuou a fazer o que lhe dava maiores possibilidades de atacar e isso seria, recuperar a bola rápido. E isso faz-se, melhor, com superioridade numérica. Assim o Porto o fez! O demérito que colocas ao Benfica neste lance é a adopção de um posicionamento mais conservador. Porém, quanto menos jogadores do Benfica estivessem na frente, menos do Porto estariam atrás. Jesus queria manter a equipa subida, de forma a defender o mais longe possível da sua baliza, como tenta fazer sempre.  Quantas vezes viste o Benfica a jogar com a linhas baixas, a não ser quando o adversário realmente o obrigou a tal? E para mim, essa é a melhor forma de defender, o adversário o mais longe possível da minha baliza. Poderiam ter evitado a transição se estivessem mais atrás, sim. Mas, um treinador não muda um modelo de jogo e um princípio tão nuclear da sua forma de defender como que por magia. Portanto, reitero que se fizeres a crítica, é ao modelo, que propicia muitas transições defensivas, pela forma como a equipa ataca. Mas se o fizeres, deves ser coerente ao ponto de o fazer de forma correcta.

Agora vamos ao importante: Porquê dos erros dos jogadores do Benfica naquela fase do jogo?

Já aqui no blogue defendemos a ideia de intensidade de concentração. E derivado dessa mesma intensidade, há um desgaste emocional (Mental), proveniente do esforço que exige a concentração. O problema aqui é portanto de hábitos: O campeonato português por ano, exige ao Benfica 4/5 jogos desta natureza, que obrigam os jogadores a elevar os índices de concentração ao máximo, do início ao fim do jogo. Portanto pode-se perceber que, a equipa não está habituada a manter-se no máximo esforço mental, durante toda a partida. Os jogos da Liga dos Campeões e fases adiantadas da Liga Europa, exigem, também, esse tipo de esforço. Mas o volume de jogos desse tipo, não se compara ao das competições internas, e portanto o estímulo não é regular o suficiente, para que se faça disso um hábito. Mas não terá o treinador a obrigação de exigir esse esforço de concentração aos jogadores? Sim!
Então porque não o faz? Ele faz!
O problema é que os jogadores têm cabeça própria. Por si sós, concentram-se mais ou menos, dependendo da natureza do jogo e do adversário. Concentram-se muito mais se o adversário for melhor, se tiver melhores valores individuais. Na liga portuguesa, portanto, esse tipo de exigência não é, para já, possível! Então em fases decisivas, destes jogos, é natural ocorrerem mais erros desta natureza, por falta de hábito. Tal como em fases adiantadas das competições europeias.

Há coisas a melhorar no modelo de jogo de Jesus, sim, em organização ofensiva.
E isso, sim, define o vencedor do campeonato!

José Mourinho explica:
"No campeonato, quero jogar sempre igual, seja qual for o rival... Na liga portuguesa, poucas vezes vamos defrontar equipas superiores a nós"