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sábado, maio 25, 2013

Não te adaptes

Jürgen Klopp

“Contra o Manchester City, percebemos que se jogássemos de igual para igual, podíamos vencer qualquer equipa..."


 “Nunca jogámos de forma a adaptarmo-nos ao nosso adversário.”






Jesus tem melhorado muitos aspectos ao longo do seu percurso pelo Benfica mas este é um dos quais ele não alterou e é ao mesmo tempo um dos que mais o prejudicou.
Alguns pensam que esta ideia é atrevimento, ou que é fácil dizer o que Klopp disse quando se tem uma boa equipa mas eu penso exactamente ao contrário… Atrevimento é dar uma identidade, uma forma de jogar a uma equipa e depois julgar que se pode mudar essa identidade com sucesso numa semana só porque se vai jogar contra um adversário forte para a seguir voltar a jogar como sempre. Ou então julgar que mudar constantemente adaptando-se ao adversário torna a sua equipa versátil, capaz de interpretar e executar vários modelos de jogo quando na verdade o que acontece é que a equipa não vai ter identidade, nunca será uma equipa com comportamentos fortes, expressivos. O que faz um grupo de jogadores ser uma equipa é precisamente a ideia de jogo colectiva, os princípios que fazem com que em todos os momentos os jogadores interpretem o jogo da mesma forma e tenham a mesma intenção para o colectivo. Ora se não conseguimos cimentar uma forma de jogar ou se não usamos a que construímos não teremos essa tal “cola” que une a equipa, teremos um grupo em que cada individuo terá intenções diferentes que levam a comportamentos incompatíveis e ao mau funcionamento da equipa.

A equipa deve jogar com a sua ideia de jogo, com aquilo que treinou durante a maior parte da época, com aquilo que se esforçou para adquirir. É nessa forma de jogar que os jogadores vão acreditar, pois a ideia pode vir do treinador mas são eles que a desenvolvem, que lhe dão vida e que acrescentam algo de pessoal e a tornam única. É com essa ideia de se deve enfrentar seja quem for porque se não tiverem sucesso com algo que treinam, estão habituados e em que acreditam então dificilmente terão com outra forma qualquer.

17 comentários:

Roberto Baggio disse...

Está super estimada a capacidade de adaptação, porque leva a que de forma errada se perca a identidade da equipa na maior parte do tempo.

Ronaldinho disse...

Infelizmente acontece demasiadas vezes...

Zé Pelé disse...

Concordo com o post. E a minha maior irritação da época enquanto benfiquista foi ver o JJ jogar para o empate no Dragão. Se tivesse jogado com a habitual dinâmica ofensiva da equipa o resultado teria sido bem diferente.

Pedro Filipe Godinho disse...

É uma "guerra" antiga esta questão das adaptações do Jesus. Lembro-me bem de ficar de cabelos em pé com o onze de Liverpool em 2010. Artigo interessante este!

Ronaldinho disse...

Obrigado Pedro! Eu falei no JJ precisamente por essa guerra ser antiga e conhecida mas muitos outros o fazem e a minha maior desilusão foi ver o Mourinho fazê-lo, logo ele que foi com quem eu aprendi que não se faz isso.

Anónimo disse...

Verdade. Por vezes pode dar certo mas não é a melhor forma seguramente.

Mas não se deve ter um modelo diferente ou capacidade para se poder alterar algumas dinâmicas durante algum jogo em que os princípios inicias não estão a resultar?

Ronaldinho disse...

Excelente pergunta Anónimo!

Penso muito nisso até porque já nos aconteceu várias vezes enquanto treinadores. E cada vez que penso nisso lembro-me do Barcelona contra o Chelsea no ano passado... O Barcelona não ganhou essa eliminatória provavelmente porque nunca abdicou da sua filosofia e enquanto quase toda a equipa do Chelsea defendia quase dentro da área o Barcelona teve espaço para fazer uns 30 remates de meia distância, teve oportunidade de pôr gente na área e fazer dezenas de cruzamentos mas nunca o fez, provavelmente perdeu por isso mas... e tudo o que ganhou também por isso? Uma das razões para que o Barcelona jogasse tão bem foi precisamente por nunca abdicarem da sua ideia, para eles aquela era a única forma de jogar não existia outra e também por isso conseguiram praticar esse futebol como mais ninguém! Que ninguém duvide que se o Barça sempre que estivesse a perder ou a jogar menos bem recorresse a outro tipo de futebol nunca chegaria a jogar aquilo que jogava.

Depende de que tipo de alterações estás a falar, modelos diferentes nunca, alterações de algumas dinâmicas parece-me aceitável.
Existem muitas maneiras de mudar o jogo quando não está a resultar sem alterar a ideia de jogo da equipa, alterar jogadores, a simples mudança de um extremo que procura a linha por outro que procura zonas interiores para fazer combinações ou mudar um médio que privilegia o passe por outro que goste de transportar a bola e furar linhas já altera muita coisa. Alterar o sistema táctico, jogares com dois avançados ou jogares com 3 defesas por exemplo. Enfim, podes mudar muita coisa sem que a equipa perca os seus princípios. Agora mudar de uma filosofia de posse e dominio do adversário para uma filosofia de "vamos oferecer a iniciativa ao adversário e explorar o contra-ataque" por exemplo, isso não consigo aceitar.

Mas isto já é uma questão de filosofia dos treinadores, provavelmente muitos treinadores terão sucesso com mudanças mais profundas, eu defendo que se perde mais do que aquilo que se ganha com essas mudanças.

Gonçalo Matos disse...

O Porto não alterou dinamicas colectivas,e foi campeão, o mesmo se observou com Estoril e Paços.

Não acredito que seja sequer possível aterares um modelo de uma equipa. Quando tu perdes 90% de uma época a preparar uma equipa com bons resultados, porquê mudá-la quando apanhas uma adversário mais poderoso?

Faz-me confusão ver tão poucas equipas a pressionar alto equipas teoricamente superiores. A pressão colectiva poderá ser dificil de treinar, mas não o é mais que por exemplo, ataque organizado. é ainda garantia de que, quando bem feita, traz aos seus adversários muitas dificuldades..

Anónimo disse...

Devo dizer que não concordo inteiramente com este post. Penso que a grande virtude deste Bayern que tem demolido equipa atrás de equipa (embora hoje tenha tido um adversário que por vezes assustou) é a capacidade de adaptarem o seu estilo de jogo. Contra equipas mais pequenas é capaz de jogar como um autêntico Barcelona em posse, mas contra equipas que primam por ter a bola, revertem para um jogo muito físico e um contra-ataque imparável. Aliás os dois médios, o Schweinsteiger e o Javi Martinez são grandes exemplos disso mesmo, jogadores com uma grande capacidade física (então o espanhol!) mas ao mesmo tempo fantásticos com a bola nos pés. Capazes de passar um jogo a destruir para no seguinte criar.

Dito isto, este nível que o Bayern apresenta demorou vários anos a atingir. Antes da chegada do Javi Martinez eram uma equipa mais ao estilo do Real Madrid, mortífera no contra-ataque mas menos confortável com a bola. E ainda assim já tinham atingido duas finais da Champions consecutivas.

Ronaldinho disse...

Anónimo gosto sempre que haja alguém com opinião contrária, dá mais riqueza a estas discussões! Permite-me discordar também do que disseste, o Bayern não é uma equipa que se adapte às outras equipas mas tem sim um modelo de jogo mais global onde gosta de explorar o contra-ataque se tiver essa possibilidade mas que sabe ter a bola e desorganizar o adversário com a sua posse quando sente que o ataque rápido já não é possivel. Obviamente que se jogar contra um adversário fraco vai ter mais bola porque primeiro a capacidade do adversário em ter a bola é mais reduzida e segundo porque adversários mais fracos jogam com o bloco mais baixo e com muita gente atrás da bola o que dificulta o contra-ataque. E claro que explorará muito mais o contra-ataque contra equipas mais fortes porque faz parte do seu modelo de jogo e porque aí sim terá espaço para isso. Isso quer dizer que eles se adaptam? Não, nunca vamos ver o Bayern ceder a iniciativa para que possam ter mais espaço para explorar por exemplo, cedem-na, em momentos do jogo, quando são obrigados como tu disseste por equipas de posse. Se têm um modelo mais versátil e isso permite variar as respostas a um dado momento do jogo? Sim, mas isso não quer dizer que se adaptem ao adversário, têm um modelo e seguem-no seja contra quem for disso podes ter a certeza.
E volto a repetir, versatilidade pode ter as suas vantagens mas também tem as suas desvantagens... Podes dizer que o Bayern tem esmagado toda gente com a sua forma de jogar mais versátil mas eu digo-te o mesmo do Barcelona que esmagou toda gente precisamente com o oposto, com a sua especificidade.
É uma questão de escolha e filosofia, eu tenho a minha e sei o porquê de a ter assim como sei sustentá-la.

Anónimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=1qDfThaxmTU

Entrevista interessante do Pellegrin onde falar exatamente sobre isto.

Cláudio disse...

Tenho para mim que o trabalho semanal de uma equipa deve sempre incidir em 3 pontos : Modelo de jogo da equipa (o foco principal e do qual nunca podemos fugir), características do próximo adversário e o que aconteceu no jogo anterior. Através destes 3 pontos estabelecer objectivos semanais. Trabalhar sempre de acordo com o modelo de jogo, não retirando nunca identidade à equipa, melhorando aspectos menos bons du último jogo e tendo em conta alguns comportamentos do próximo adversário. Treinar alguns aspectos que potenciem o comportamento da equipa perante o adversario mas que nunca se desvirtuem do modelo de jogo.

Cláudio disse...

quem se adapta está mais longe de vencer um jogo, uma vez que jogará sempre em função do adversário.

PS: foi por isso que Mourinho levou 5 do Barcelona na primeira epoca.

Gonçalo Matos disse...

Concordo com o que dizes Cláudio! Ontem falava com o André aka Ronaldinho sobre precisamente o que fazer durante a semana de trabalho para adaptar a nossa equipa.

Na altura estavamos a falar de uma equipa que no seu modelo pressiona alto e que durante a semana, deveria alterar o posicionamento dos seus jogadores em função da disposição dos seus adversários (i.e. o posicionamento face a um 4-4-2 não é igual face a um 4-3-3 ou um 3-5-2) mas nunca alterar o seu modelo, nunca desistir da ideia de pressão.

Cláudio, qual a importancia, numa semana de trabalho, que darias a estas alterações da tua equipa?

Cláudio disse...

Peço desculpa pela demora na respostas. Na minha opinião, como referi, podemos introduzir pequenas alterações , mantendo sempre a ideia princiapal, de forma a nunca perdermos a nossa identidade. Sou totalmente contra uma equipa que pressiona de uma forma contra adversário x e muda radicalmente contra o y. É certo que se o meu adversário se dispuser num 4x4x2, a minha equipa não pressionará da mesma forma como se fosse contra um 4x3x3, no entanto, tal como dizes, nao abdico de pressionar alto, visto que é isso que defendo no meu modelo. Aquilo que posso fazer é observr comportamentos que nao correram muito bem no último jogo ( em termos de pressão) e potenciar o que faço no meu modelo, aproveitando fragilidades do adversário.
O meu modelo defende que eu pressione alto mas de forma expectante e que quando a bola entra nos laterais, faço uma zona pressionante, subindo o bloco, fechando linhas de passe e espaço circundante. No entanto, no jogo anterior, a equipa demorou muito a subir o bloco e a fechar essas linhas o que permitiu que o aversário rodasse a bola por fora do bloco. E sabendo que o próximo adversário sai a jogar pelos centrais e que estes nunca jogam nos laterais, posso estabelecer objectivos semanais que trabalhem o meu modelo e uma alternativa de pressão, uma vez que a bola nao cairá nos laterais. Posso tmb, desenvolver comportamentos que levem o adversário a jogar nos laterais, para depois pressionar como quero. Construo exercicios que atinjam estes objectivos. Passo a fazer zona expectante quando está nos centrais e fecho a linha de passe entre os centrais, obrigando o a bater logo ou a colocar no lateral.

Gonçalo Matos disse...

Sim, concordo com tudo o que dizes!

O que gostava de saber era qual o volume de trabalho que dedicas ao treino da pressão! Tens um padrão, ou como dizes, depende da performance da semana anterior? Ou varia consoante o microciclo?

Cláudio disse...

Eu não gosto de falar de microciclos. Eu tenho um morfociclo padrão pq a semana de treinos é uma evolução, onde tu treinas, recuperas para treinar melhor no dia seguinte, voltas a treinar etc, sempre trabalhando a organização de jogo. A pressão alta se for um sub-principio do meu modelo trabalho-a em principio à quarta feira. No dia em que trabalho a facção intermedia do "jogar". Faço um exercício em que os defesas saiem a jogar ( como o meu modelo define ) e coloco os meus 3 extremos a presionar. A configuraçao do exericio pode trabalhar mais do que um momento, mas o feedback que eu dou será mais direccionado para os 3 extremos q pressionam ( como se colocam como pressionam etc.) Nesse exercício vou ter em conta como qero pressionar ( modelo de jogo), corrigir alguns aspectos que não correram bem no último jogo e alertar os jogadores acerca da forma como o adversário sai a jogar. Crio essa situaçao no treino e dou uma sugestão, mas procuro ver como os jogadores vão decidir, porque isso pode ser determinante. Sao os jogadores que fazem evoluir o modelo de jogo.