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quarta-feira, maio 08, 2013

Exemplo de um "Verdadeiro" treino de futebol!

Aqui  está um grande exemplo do que um treino deve ser e da acção do treinador sobre o treino.

O que acharam?
O que aprenderam estes jogadores neste treino?
Eu achei que a única coisa que eles aprenderam foi que jogar seguro era jogar para trás, segundo o Feedback do treinador.
Segurança nada tem haver com o sentido ou a direcção para onde a bola vai, tem simplesmente haver com a zona do campo onde há mais espaço. Quando eles ouvem "segurança, atrás" associam logo "segurança" ao jogar para trás. Erro gravíssimo no Feedback, mas não é o único erro que ele comete. E quando assim é, está tudo estragado.

No início, troca de passes descontextualizada do jogo, sem dificuldade e sem constrangimentos que aproximariam o gesto técnico da realidade do jogo.
Havendo essa aproximação o exercício ganharia vida, obrigando os jogadores a pensar sobre vários factores que iriam influenciar o passe: Para onde passar? Quando passar? Como passar?

Depois, finalização sem oposição. Mais uma vez sem aproximação do contexto de dificuldade que se encontram, 90% das vezes no jogo.
Alterando os constrangimentos, o exercício guiaria os jogadores a adaptarem-se à outras condicionantes: Tenho adversário por perto ou já o deixei para trás? Rematar de primeira ou segurar, conduzir e rematar? Provocar a saída do Gr e fintar ou rematar a saída dele? Quando rematar? Como rematar? Para onde rematar?
Aqui também há outros problemas, tais como como o "último" passe não sair nas condições em que sairia no jogo e demasiado tempo de espera na fila. O aproveitamento do tempo de treino, aqui é muito mau. É isto que não existia no "futebol de rua", este tempo todo fora do exercício.
Tempo de paragem que não existe no jogo, tempo que obriga os jogadores a um constante "ligar" e "desligar" da concentração que também não existe no jogo.

Para o final, o melhor: "Jogo"...
Treinador:
 -Indicações constantes para onde os jogadores devem passar;
 -Definia ele os tempos de aceleração ou de travagem do ritmo de jogo;
 - Combinações ofensivas pré-definidas, fazendo com que os jogadores decorem uma determinada jogada, o que vai levar a que os jogadores recorram a esta jogada repetidamente em jogo, como se fosse a única solução possível.
 - Alguém tentou fazer algo diferente do que ele padronizou, parou, disse que não era assim que se jogava futebol e corrigiu.
Espaço:
 -Demasiado grande para o número de jogadores em questão, daí haver pouca intensidade. Isto independente do dia da semana e do objectivo maior (físico, técnico ou táctico) do treino.

Não se pode brincar desta forma com a tomada de decisão dos jogadores. Eles devem ser autónomos na decisão em 99% das situações. E se queremos determinado tipo de adaptação, ainda que essa não seja a mais adequada para à aprendizagem dos jogadores, devo fazer emergir o comportamento que quero ver através dos constrangimentos do exercício. Posso "brincar" com o tempo, com o número e com o espaço mas não posso jogar pelos jogadores.
E isto também não havia no futebol de rua.
Fazer os jogadores decorar é muito, muito mau, dentro de um jogo onde reconhecidamente todas as situações de jogo são diferentes.

Por isso quando se diz que a qualidade do treino e as condições melhoraram significativamente, permitindo um maior e melhor desenvolvimento do jogador de futebol, eu digo: Depende, na maior parte dos casos não!

22 comentários:

Anónimo disse...

Também Concordo que os Treinadores vão dando um feedback para dentro de campo, sempre a corrigir, para que nunca percamos a noção daquilo que estejamos a fazer, até porque ao ouvir o mister, os niveis de motivação sobem, pois os treinadores estando calados, para nós (jogadores) dentro de campo, parece nos que eles estão completamente desinteressados.
também acho que não deve existir já jogadas predefinidas, pois como já referido devemos dar ao Jogador liberdade total (dentro dos parâmetros do modelo de jogo) pois ele que está dentro de campo sabe decidir melhor que uma jogada predefinida obviamente

Roberto Baggio disse...

Anónimo, demasiado Ruido atrapalha os jogadores. Não motiva, distrai. Não ajuda, desconcentra. Jogar playstation com os jogadores não é o objectivo. Repito algo que já disse aqui, que foi dito por um amigo muito querido: "Se futebol fosse um jogo de resposta condicionada, qualquer cão de Pavlov era jogador de futebol."
Se perceberes o sentido dessa frase, ganhaste!

Gonçalo Matos disse...

Curto e grosso. Enquanto não se perceber que o importante no treino é aproxima-lo o mais possivel à intensidade do jogo e que o importante na formação do jogador é a tomada de decisão, continuaremos a ter Josés Motas e outros que tais por aí.

Cláudio disse...

Ao formar se um modelo de jogo devem ser definidos principios de açao. Esses principios e sub principios devem sugerir os comportamentos que os jogadores devem ter em determinadas situações. Mas nunca se pode decidir por um jogador, ele deve decidir por ele e deve errar, para que ele descubra por ele que aquele não é o melhor caminho. O treino é um processo que decorre de uma descoberta guiada. O modelo tmb se constroi com a decisoes dos jogadores. é construído em conjunto com ideias do treinador e comportamentos q ele observa dos jogadores. Tal como a palavra diz sao principios, ou seja dão uma noçao de um principio de um comportamento, agora a forma como se desnrola deve ser decidido pelos jogadores. Esse treino que mostraste á partida parece horrivel. Tanto treinador que pensa q por treinar finalizaçao descontextualizada do jogo ja vai fazer muitos golos no proximo jogo. Nada mais errado

Roberto Baggio disse...

Por experiência tive um treinador que treinava finalização descontextualizada, com movimentos específicos, de mil formas diferentes.
E depois nos (eu e o André) dizíamos, mas mister finalizar sem oposição não é o caminho, isso não acontece no jogo.
Ele respondeu: mas se eu meto lá um jogador já corre tudo mal e a movimentação não sai
O André: pois, então isso devia ser um indicador de que vai correr mal no jogo.

Não se percebe que é preciso haver dificuldade para haver evolução no treino.
Não se percebe que o erro faz parte do treino. Aliás o treino serve para isso, os jogadores erraram de forma "controlada".
E depois não se percebe que princípios de acção são isso mesmo. Princípios... A forma como decorre o processo e a forma como se chega ao fim é imprevisível e não é o treinador que lhe dá forma! Não deve ser, pois um jogo mecânico vale zero.
O modelo é idealizado pelo treinador, que guia os jogadores nessa direcção, mas as interacções são todas da responsabilidade dos jogadores. Nós damos a tela, damos o conjunto de cores que queremos, damos até o tipo de pincel e eles dentro disso pintam e fazem a sua arte como querem, na direcção que querem com a combinação de cores que entenderem... Etc...
Abraço Cláudio

Luis Santos disse...

Não sei se alguém concorda comigo nisto, mas é a minha ideia e este blogue também é um espaço de discussão. O anónimo do 1º comentário disse que não devem existir jogas predefinidas. Não tenho a certeza disso. No futsal, em que há muito menos espaço, quase todas as equipas têm algumas jogadas estudadas em bola corrida. Permite criar situações de perigo através da reacção antecipada de alguns jogadores atacantes (defensivamente, é difícil estar atento à bola, jogador e espaço ao mesmo tempo, ainda mais quando toda a equipa está em troca posicional e a jogar ao 1º/2º toque como acontece nessas jogadas no futsal). Por isso, acho que também no futebol de 11 há espaço para algumas dessas jogadas. Não podem, naturalmente, ser a base da criação de oportunidades de uma equipa.

Já agora, diga-se que normalmente essas jogadas são treinadas com algumas variantes e que em jogo a decisão da jogada (/variante) a utilizar é de quem tem a bola em função do que está a acontecer e não do treinador.

Abraço!

Roberto Baggio disse...

Boas Luís, obrigado pela visita frequente.

1* ponto, as jogadas até podem ser estudadas desde que surja espaço ao improviso. Ou seja, no jogo essa jogada vai depender muito do adversário. Se eles estiverem posicionados de forma a impedir essa jogada isso já não sai. E o grande problema disso, para mim é ter visto já jogadores não adaptarem às jogadas, mesmo no treino com a ânsia de cumprir com a movimentação.
Eu não gosto disso, mas por exemplo José Mourinho faz. E. Ele é uma enorme referência para mim em termos de treino.
Mas pode-se fazer desde que nas condições certas pode ajudar um jogador a resolver problemas caso o espaço e adversário fiquem propícios à isso.
O que eu prefiro Luís é decidir a movimentação dos jogadores sem bola. Por exemplo, quantas demarcações de profundidade, quantas demarcações em apoio, dependendo da zona do terreno e espaço disponível. Fazendo que os jogadores possam dar às melhores linhas de passe ao portador da bola. Se ele acelera, quem vai para onde, se ele trava, o que fazer, se ele vem dentro como reagimos, se ele vai para linha como movimentar, se ele cruza quem aparece onde... Isto tudo para os jogadores sem bola.
O com bola deve decidir o melhor em função da movimentação dos colegas e dos adversários e do espaço e zona do campo... Não decido nada por ele, nem tenho nada pre decidido, só o ajudo a ter mais soluções criando linhas de passe de apoio e profundidade, não lhe retirando espaço para criatividade. Seja em que zona do campo for.

O problema principal da jogada estudada é os jogadores não fazerem outra coisa.

Jorge disse...

A jogada estudada devia ser eliminada nas camadas jovens ja que nao ajuda o jogador a perceber o jogo e a tomar decisoes, antes pelo contrario condiciona o jogador a nao pensar.

Roberto Baggio disse...

Jorge, boas
Enquanto o objectivo dos treinadores de formação for ganhar jogos, vão continuar a perder-se jogadores para se promoverem, mal, treinadores.
Abraço

Unknown disse...

A miinha area eh o hoquei patins, irrita me o que se faz nas camadas jovens e principalmente nas primeiras fases de ensino a patinagem.....o patinador nao tem a liberdade de explorar os patins, nao tem a possibilidade de ver o potencial deles....pior que tudo, fazem se filas de espera, para exercitar um exercicio. Claro que basta um cair, percebe se o que acontece a todos os outros.....! As filas de espera eh uma boa estartegia para quem quer trabalhar para a beleza, dosmpais, dos mais velhos: treino organizado(!!!!!!!).

Exercicios pre definidos sou apologista, a partir de junres, mas nunca tirando o merito e decisao dos atletas, com a sua criatividade e ate porque maior parte das vezes arrnjam solucoe melhores, mas o mecanismo de uma jogada, esta la, e treinando com opositor, memo sabendo que vai ser feito, consegue se melhorar imenso......treino=evolucao

Roberto Baggio disse...

Filas de espera não são boas para o tempo de prática principalmente de atletas em fase de aprendizagem.
Não conheço o hóquei em patins.
Mas sei que devem ser os jogadores a fazer as maiores descobertas. Pois algo que eles aprendem por si percebendo que pode ser funcional, fica lá para o resto da vida. É o que digo, queres treinar uma situação específica, cria às condições com às ferramentas que tens para guiar o jogador nessa descoberta. Mas será sempre ele a decidir.
Padronizar jogadas em fase inicial da modalidade, é mesmo mau.
O Tomás Morais disse algo na palestra ontem: "A aprendizagem em fases iniciais, tem de ser multilateral. Não pode haver especialização" . Os jogadores devem crescer numa base que lhes permita crescer tendo entendimento do que fazer em todas as vertentes, para depois poderem ganhar quando, ganhar for importante.

Roberto Baggio disse...

Ps: so ha evolução se houver dificuldade... Qual é a dificuldade de estar atrás duma fila e depois quando for a nossa vez ir para a nossa posição e rematar a baliza?
Acho que nem a técnica fica devidamente enquadrada dentro deste tipo de trabalho com um longo tempo de espera.

Luis Santos disse...

Não deixei claro uma coisa no meu comentário anterior. Quando dizia que havia espaço no futebol para as jogadas estudadas/predefinidas estava a falar ao nível competitivo/sénior. Na formação concordo que não há lugar para isso. Não faz sentido perder tempo com isso.

Mas já agora, esse tipo de jogadas não têm que ser treinadas até à exaustão para ficarem na memória e não ser preciso pensar no que se está a fazer. Pode servir só para condicionar uma tomada de decisão "positiva". Por exemplo, fazendo esse exercício (essencialmente de movimentação e passe) como aquecimento. No fundo, seria o mesmo que os meiinhos do Barcelona. Dão-lhes soluções rápidas para uma situação que encontram muitas vezes (superioridade numérica e proximidade dos jogadores em certas zonas do campo). Enfim, mas isto são só teorias minhas, não tive oportunidade de as testar...

Na evolução com a dificuldade, voltas à questão da atitude (não sei se foi neste blogue ou no LE que foi falado...). Os jogadores não se sentem desafiados pelos treinos de fila indiana e desleixam-se, depois a culpa é da atitude dos jogadores (não é que não possa haver alguma culpa do próprio jogador).

Roberto Baggio disse...

O texto da atitude está a chegar. Está em fase final. :)
Luís, o problema é que nos meinhos não tens regras.
Ou seja, ninguém te obriga a passar para a esquerda ou para a direita, ou em apoio frontal, ou deixar a bola passar sem tocar nela. O jogador decide. O princípio de acção pode ser teu, colocando como regra jogar ao primeiro ou segundo toque, levando a uma adaptação do tempo que têm para pensar e colocar a bola. Mas não defines para onde passam e quando passam, essa é a diferença.

Claro que como disse essas movimentações podem ter as suas vantagens, mas eu não gosto muito delas.

E mesmo com a limitação de toques tenho problemas. Só em exercícios muito específicos tipo meinhos ou PB em estrutura, sem objectivo de atacar a baliza é que admito limitar os toques.
Quando há balizas, ou objectivo de progressão já não coloco limite de toques porque prejudica a tomada de decisão.

KAKA disse...

Roberto baggio

Vc está dizendo q nem nas fases iniciais seus jogadores, trabalham com cones? (driblando-os), ou com chutes descontextualizados? (em uma parede por exemplo).

Grande utilidade passar aqui e lê os post q vcs escrevem!!Poucos são os site q visito diariamente e esse é um deles!!

Parabens!!
Grande abraço
;)

Roberto Baggio disse...

KAKA,
Muito Obrigado mesmo :)
Nas fases muito iniciais onde eles ainda estão a desenvolver a relação com a bola, é importante eles treinarem a relação descontextualizada do jogo, porque se não o exercício fica muito complexo, pois para eles fica muito difícil estar atento aos estímulos e ainda controlar a bola.
Na parede, se é que percebo o que queres dizer, não há filas. Todos os jogadores estão a jogar, passe-recepção, passe-recepção. Circuitos de condução de bola com obstáculos, onde estejam todos em acção, seguidos um dos outros, com muito, muito pouco tempo de paragem.
Remates a baliza descontextualizados, sim... Numa fase muito inicial, isso faz todo sentido.
Desde que, repito, não estejam muito tempo parados.
Mas imagina, que eles têm já 9 anos... Aí, já começa a ser imperativo 80-90% do treino ser jogado. 2x1, 2x2, 3x2, 3x3, 3x3+joker... Etc... Aí eles já treinam passe, condução, drible, remate tudo sempre em jogo. Podes e deves jogar com o espaço onde o exercício é executado, com o tempo que lhes dás para executar a tarefa dependendo do teu objectivo e do que queres que eles ganhem, e com o número de jogadores de forma a desenvolver mais ou menos relações colectivas e tornar o exercício mais ou menos complexo.

Abraço

KAKA disse...

Roberto Baggio

Obrigado pela atenção!!

Também sou contra filas, contra espaço enorme pra poucos jogadores, sou adepto dos "campos reduzidos" mas há coisas feitas no passado q, (se bem adaptadas) pra mim não valem a pena tirar.

Por exemplo:

Eu costumo fazer os dois tipos de exercício, o arremate descontextualizado e o contextualizado. Pq não acredito q alguém q não consiga um bom chute sem marcação, conseguirá o chute sendo marcado...

Tem um jogador do Fluminense aqui no Brasil que estva a quartoze meses sem fazer gols, e ele joga de avançado, percebi q ele chuta muito mal...

Duvido muito q ele melhore sem um treinamento específico de arremate de forma descontextualizada...

Em suma eu concordo com vc mas em partes!!;)

PS.
A propósito, concordo com o Luis Santos, nos seus dois comentários!!

Valeu!
Abraço!




Roberto Baggio disse...

Kaka,
claro que há excepções...
Se houver uma clara dificuldade técnica no jogador, o caso é diferente...
Ai sim especificamente para esse jogador há que o tentar fazer evoluir desse ponto de vista, técnico com outro tipo de estímulos.
E sim, eu também duvido muito que alguém que mostre dificuldade evolua com oposição nesse caso.
Abraço

KAKA disse...

Ah tá!!
Entendi... achava q não haveria excepções!!

Continuem com o trabalho, é de grande utilidade!!

Sucesso!!
;)

Roberto Baggio disse...

Obrigado mais uma vez.
Abraço

DC disse...

parceria?

http://dcfutebolclube.blogspot.pt/

Roberto Baggio disse...

Vamos lá ;) já te adicionei