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sábado, maio 11, 2013

A razão pela qual vou preferir sempre modelos de posse...

Aqui,
O comentário da Célia é o complemento perfeito.

Desorientar o adversário,
Desgasta-lo do ponto de vista físico e emocional,
Dominar ou controlar o jogo,
Descansar com bola...

Eu entendo que isso confere grandes vantagens!

Não é por um resultado. É por tudo o que eu sempre pensei como executante e vi na prática quando Mourinho começou a treinar o Porto e depois em todo seu esplendor com Guardiola...

POSSE DE BOLA!

22 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem um modelo de posse será sempre o melhor. Mas gostaria de fazer algumas perguntas.
Contra que tipo de equipas será sempre mais difícil jogar em posse?
O 433 é o melhor sistema para se jogar em posse de bola?
É possível colocar equipas de menor qualidade como por ex. Olhanenses, Moreirenses a jogar num modelo de posse com qualidade?
Neste mesmo modelo é preferível ter se extremos a jogar com pé contrário por causa do jogo interior?

Cumprimentos e continuação do excelente trabalho. :)

Roberto Baggio disse...

Boas anónimo,
Será sempre mais difícil jogar contra equipas de posse também.
Mas não tendo essa possibilidade, sair em ataque rápido, organizado. O melhor para os modelos de posse é sempre equipas que jogam de forma muito vertical, porque assim dão mais hipóteses que se recupere a bola.
Exemplificando: O Dortmund joga em ataque rápido... Sempre com a bola controlada, sem que a percam assim que a ganham. Mas caso não consigam atacar rápido têm mais dificuldade em organização ofensiva.
Por isso teria mais hipóteses contra um modelo de posse do que por exemplo o Leverkusen que joga muito directo.

Para mim o problema não é dos sistemas, é dos princípios contidos nos modelos. Se bem que há sistemas mais elásticos e outros mais fluídos. Acho que 4 homens no meio campo é o ideal para garantir superioridade em várias zonas e principalmente no meio campo. Portanto 4-4-2 losango. Ou então dentro de um 4-3-3 esperar pela subida dos laterais para que se crie a tal superioridade que vai permitir manter a bola. Por exemplo o Barcelona verificou que os adversários jogavam todos atrás da linha da bola, então meteu um 3-4-3 e funcionou muito, muito bem em posse, porque os princípios do modelo já estavam criados.

Quanto às equipas de menor dimensão, depende da qualidade da individualidade... Se eu não tiver jogadores para jogar em posse, por mais que queira não o consigo e aí tenho que adaptar.
Eu parto do princípio que em Portugal a maioria dos jogadores nos permite fazer esse tipo de jogo por razões históricas e culturais e de crescimento dos jovens.
Posso dar um exemplo, neste caso o meu pessoal: Tive uma equipa de juniores este ano que queria que jogasse em posse. Mas os jogadores não o compreendiam, não o conseguiam executar, por mais que treinasse e desse cabo da cabeça deles, era sempre ataque rápido. Então tratamos de organizar para que a equipa jogasse o melhor possível em ataque rápido, tentando claro, sempre jogar com a bola controlada.
A questão é conhecer o plantel e dentro disso jogar o melhor possível. Não conheço no promenor nenhum dos plantéis, ms sei que se fosse eu a construi-los, podendo escolher os jogadores, escolheria os que melhor me permitissem jogar num modelos de posse. Nem sempre isso é possível, por exemplo quando cheguei ao clube onde estou disseram que tínhamos que ficar com todos os jogadores que já eram do clube. E isso também pode acontecer noutro nível.
Não é preciso um modelo de posse para jogar com qualidade. É só preciso dentro de cada modelo, jogar bem.

É preciso que os extremos independente do pé, conheçam a importância do jogo interior. Vir dentro para desequilibrar. Independentemente de rematar ou tabelar. Receber dentro do bloco, invadir o bloco para desorganizar e soltar no espaço.

Grande abraço e obrigado :)

Roberto Baggio disse...

Só para terminar, o Estoril tem dificuldade em organização ofensiva, mas o modelo é muito bom e tentam sempre atacar de forma organizada... Com melhores jogadores o Estoril estaria a lutar por outros objectivos de certeza.

Tiago disse...

Boas fui eu que comentei em cima não sabia que dava para colocar só o nome :)

Muito obrigado pelas respostas!
É verdade relativamente ao Estoril fiquei com pena de não ter acompanhado mais jogos deles depois do que vi na Luz, foram provavelmente os únicos dos chamados "pequeninos" que não se limitaram a ficar atrás da linha da bol,a até tiveram bastante mais posse de bola que o SLB e o resultado está a vista.
Só mais uma questão se me permites. Nos modelos de posse por vezes há a tendência a se jogar demasiado lento principalmente no meio, no Barcelona isso deixa de acontecer por vezes quando o Messi pega na bola de trás e acelera, não será um problema equipas que não têm essa capacidade e criatividade no meio? por ex; o FCP?

Roberto Baggio disse...

Tiago,
Isso depende muito do treino e das ideias do treinador.
O Barcelona joga rápido e lento no meio porque os jogadores percebem perfeitamente o timing para acelerar.
Por exemplo, sempre que o Barcelona recebe e enquadra dentro do bloco, de frente para a defesa adversária, eles aceleram logo e os extremos começam a entrar em diagonais para o centro.
Sempre que o Messi começa a rasgar no meio, quebrando linhas adversárias eles aproximam dele para garantir uma tabela e um apoio próximo.
E muitas vezes, de trás aproveitam às diagonais nas costas dos centrais com a bola no chão ficando muitas vezes assim isolados.

O Porto faz muitos cruzamentos é verdade e tem pouca criatividade no corredor central. Por exemplo às acelerações de Messi não iriam acontecer muitas vezes. Mas percebendo os jogadores o tempo exacto de jogar rápido ou de jogar devagar é depois uma questão de treino.

Acho que o Vítor Pereira gosta muito dos cruzamentos, daí ser tão recorrente. E não acredito que trabalhe muito os desequilíbrios na zona central.

Roberto Baggio disse...

O Barcelona tenta jogar dentro do bloco porque acha que essa é a melhor forma de mover o adversário, tal como eu. Arrisca muito passe dentro do bloco, muito apoio frontal. Quando desiquilibra, aproveita. Já ouviste falar do terceiro homem?

Anónimo disse...

Como é que é isso mesmo do terceiro homem?

Roberto Baggio disse...

Entrevista realizada e analisada por Nuno Amieiro, Licenciado em Desporto pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
Barcelona, 14 de Abril de 2008.

Como ponto previo importa perceber que o Guardiola ee completamente "obcecado" com o ter a bola, com o como a circular para criar desequilibrios no adversario, com o como fazer chegar a bola aos extremos e deles tirar o maximo proveito. Toda a organizacao ee pensada em funcao de como querer atacar e o como atacar ee muito influenciado pela paixao que tem em jogar com extremos.

Facilmente se percebem inumeras semelhancas com a forma de pensar o jogo de Cruyff, treinador que ele nao esconde ser a sua maior influencia. Com uma diferenca curiosa: Guardiola refere que tem tambem algumas preocupacoes com o momento defensivo (fecho da equipe, basculacoes, coberturas etc...), ao contrario de Cruyff que apenas se preocupava com a organizacao ofensiva, que nao treinava sequer os aspectos defensivos. De qualquer modo, diz, o importante ee atacar pensando ja na possibilidade de perder a bola. Dai as suas preocupacoes em termos de jogo posicional com o equilibrio defensivo nos primeiros momentos de construcao, com as coberturas ofensivos no ultimo terco, com o ter sempre muita gente nos espacos interiores etc.

Vou tentar agora descrever uma das ideias mais curiosas e interessantes do Guardiola. Alias, foi o te-la ouvido por terceiros que me fez ir a Barcelona conversar com ele! Porque? Porque constatar uma serie de treinadores espanhois encantados com uma prelecao sua onde supostamente defende a ideia de, em construcao, o jogador em posse conduzir a bola para de seguida jogar no homem livre - repetindo-se esta acao numa especie de "efeito domino" - ee, a primeira vista, inquietante, estranho ... sobretudo contrastante com a ideia que temos do estilo de jogar de Guardiola e do Barca de Cruyff!!

Foi esta aparente contradicao que serviu de "motor de arranque" para a nossa conversa...

A ideia base ee a seguinte: como principio fundamental para iniciar e/ou dar continuidade a construcao Guardiola quer o PROVOCAR COM BOLA PARA APROVEITAR O HOMEM LIVRE. Entende-se provocar no sentido de atacar o espaco. E esta acao enquanto primeira acao dos defesas centrais em primeiros momentos de construcao ee muito importante para ele (perceba-se que a acao enquanto principio de jogo nao se esgota aqui, mas ee neste momento onde ela assume, para ele maior relevancia). Parta-se do principio que a linha defensiva tem superioridade numerica sobre a linha avancada adversaria quando a bola esta no GR - imagine-se que o adversario esta estruturado em 1.4.2.3.1 frente ao 1.4.3.3 do Guardiola. A equipe faz campo grande com 3 avancados bem dentro do ultimo terco, o triangulo de 1/2 campo bem subido, os centrais abertos pelos "bicos" da area e os laterais totalmente abertos e profundos, quase sobra a linha do meio campo. A bola entra num central e estes estarao normalmente em 2x1 com PL adversario. Eles podem ir trocando a bola entre eles e inclusivamente com os laterais e ir tentando subir um pouco, isso nao ee relevante para o caso (tal como a possibilidade de nessa circulacao inicial aparecer um homem do triangulo livre entre linhas adversarias pois ee obvio que nessa caso a bola de entrar imediatamente).

Roberto Baggio disse...

...Como a partida a equipe adversaria esta fechada e ee dificil encontrar homem livre, aquilo que vai acontecer ee que um central vai atacar o espaco em conducao para com isso atrair sobre si um adversario. Se for o PL adversario, ele passara ao outro central e ele atacara o espaco ja com o PL batido; se o adversario que vier for um medio criou-se um homem livre que, ao receber a bola vai gerar instabilidade no bloco adversario. A partir dai tendencialmente sera mais facil "tocar" ou, se houver espaco livre pode repetir-se a mesma logica de "provocar para atrair", pensando sempre, sucessivamente, em termos de criar situacoes de 2x1... Para alem disso, com adversarios de qualidade, se a bola entra no interior da equipe, a equipe fecha os espacos interiores e isso permite-nos aproveitar os extremos com espaco. Portanto, aquilo que se pretende ee que os centrais saiam a jogar por dentro. Guardiola nao quer que se saia a jogar por fora, pelos laterais, na medida em que essas zonas sao zonas onde o adversario vai pressionar (a entrada da bola no lateral ee muitas vezes indicador de pressao) e onde ee mais facil pressionar. Mas ele adverte: "Gastem dinheiro com os defesas, sobretudo com os centrais!!". Tem consciencia de que os defesas tem de ser muito bons em posse. Transportando esta ideia para a formacao, muito cuidado com o perfil de defesa que define como modelo de prospeccao e formacao.

Roberto Baggio disse...

Outro aspecto interessante que ele nao se cansa de salientar ee que quem tem a bola (e julgo tambem que o mesmo se aplica aqueles que a podem receber) deve centrar a sua atencao nos adversarios proximos, isto ee, deve estar preocupado em ver os adversarios e nao tanto em procurar os colegas... esses ele sabe onde estao!! Dai que ele tenha ideias concretas, perfeitamente definidas para o posicionamento dos jogadores a medida que o jogo se vai desenvolvendo... jogo posicional, claramente outra "obsessao" sua!

Dois pormenores que Guardiola salienta: a linha defensiva deve equilibrar a iniciativa do central, sobretudo o lateral desse lado, fechando por dentro; a equipe pode sair por fora se o lateral receber na frente do seu adversario direto.

Ainda no que diz respeito a logica onde se alicerca a construcao de situacoes de finalizacao, uma segunda ideia muito querida para Guardiola prende-se com o chamado TERCEIRO HOMEM. Segundo ele, Cruyff era quase que obcecado com esta ideia que acaba por ser uma dinamica comportamental relativamente simples mas que tambem ee dificil de contrariar por parte de quem defende.

Tal como referi, a ideia simples: quem esta em posicao avancada em relacao a bola pede para dar de caras ... com quem esta de frente para o jogo.

Por exemplo, o pivo esta em posse e PL pede a bola nao com a intencao de ficar com ela e rodar, mas para dar a um dos interiores. No fundo, trata-se de olhar para quem esta de costas para o jogo (fruto da posicao relativa face a bola) como "segundo pivos" ou se quisermos "estacoes de ligacao", "pontes" com colegas que estao de frente para o jogo, muitas vezes "pontes" para o homem livre que se cria com a dinamica do "provocar para atrair".

Roberto Baggio disse...

Tanto o principio subjacente ao "homem livre" como o principio subjacente ao "terceiro homem" (que, muitas vezes, acabam por se complementar), parece-me acabam por ser dinamicas, ou melhor, subdinamicas que procuram criar as melhores condicoes de jogo aos apaixonados pelos extremos: tentam criar condicoes facilitadoras que, jogando apoiado desde tras, jogando triangulado, "tocando", se consiga levar a bola dentro para que depois va para fora na direcao dos extremos bem abertos e em ponta, recebendo com algum espaco e a encarar a baliza adversaria de frente.

Guardiola, como ja referi, da enorme importancia ao jogo posicional da equipe. Em cada momento de organizacao ofensiva, e em funcao da posicao da bola, cada jogador tem que saber como se posicionar, em que espacos deve jogar. Entenda-se a posicao de um jogador nao um ponto do espaco, mas uma area desse espaco.

Quer sempre posicionamentos diagonais em relacao a bola, laterais e extremos em linhas diferentes, sempre gente bem aberta e considera muito importante o "timing" de saida do jogador quando funcionar como "ponte" para o terceiro homem, isto ee, quando vem pedir para dar de caras.

Nao gosta de trocas posicionais. Ainda que face as caracteristicas de um ou outro jogador possa te-las em conta (deu o exemplo de Henry no Barca que pode alternar PL/Ext), nao gosta mesmo nada de trocas. Porque o jogador de futebol normalmente nao ee muito inteligente e porque as trocas podem ajudar a inverter uma logica que para ele ee crucial: a equipe deve ter sempre muita gente por dentro e alguma gente por fora. Para que? Para "tocar", para aparecer na area de frente e para defender se houver perda da posse. Por isso nao gosta absolutamente nada de entrada dos medios interiores no espaco do extremo quando esta baixa. Eles devem jogar por dentro para "tocar", para fazer coberturas ofensivas aos extremos e para atacarem a area. Tambem nao gosta que estes baixem a pedir bola aos defesas (ficando com toda a equipe adversaria entre a bola e a baliza). No minimo, eles devem procurar receber entre a linha avancada e a linha media adversarias. E diz que eles devem ser um pouco como os extremos: pacientes. E faz sentido. A dinamica desejada pressupoe que os medios surjam como "homem livre" ou "terceiro homem"!

Roberto Baggio disse...

A noção é simples... Mover o adversário. Atrais adversários a ti, e soltas no espaço que ele deixou livre, ou numa zona que tenha ficado livre como consequência dessa atracção. Normalmente, o Barcelona toca muito a bola para chamar o adversário, se vê que o adversário fica imóvel, muda para outra zona, tenta provocar ao máximo. Seja com condução, seja com trocas de bola. O terceiro homem, tem troca de bola entre dois jogadores, que visa atrair ao máximo as atenções sobre esses dois homens, aparecendo depois um homem livre, de frente para o jogo e com tempo para receber, enquadrar e definir a aceleração do jogo.

Anónimo disse...

então a ideia do terceiro homem seria mais ou menos isto?

http://4.bp.blogspot.com/-vgv0EjYvyfI/UZNgbmSMQZI/AAAAAAAAIMQ/lUqish_YIlI/s1600/bola+entra+no+av.bmp

Imagem retirada do blog Lateral Esquerdo.

Roberto Baggio disse...

Boas
Depende...
Por exemplo, o terceiro homem, aí aplica-se se Jackson estivesse a tocar a bola com Moutinho ou James, e com isso soltasse Lucho com espaço e de frente para o jogo para acelerar. Acho que não foi o que aconteceu, mas imaginando uma troca de bola desse género sim... É 100% isso. Vou colocar o link de uma sequência de imagens de um jogo para perceberes melhor, faço um Gif e é muito fácil de se ver.

Anónimo disse...

Fico à espera então ;)

Roberto Baggio disse...

http://1.bp.blogspot.com/-m64xXSr1mB4/UZe-v37i8PI/AAAAAAAAApY/LLs828d17pg/s1600/3homemnet.gif

Aí tens...

Anónimo disse...

Ah assim percebi melhor, muito obrigado Roberto Baggio és incrível! :)

Roberto Baggio disse...

Anónimo, sim o Baggio era fantástico. Eu nem tanto, não é preciso exagerar :)
Ainda assim agradeço.

Abraço

Anónimo disse...

Boas, lembrei me de te pergunta isto.

O Arsenal é das poucas equipas em Inglaterra que joga em posse mas já a algum tempo que não se consegue meter na luta pelo titulo apesar de ter tido um avançado como o Van Persie, e da muita qualidade que lá existe, mesmo tendo uma defesa na minha opinião fraca.

Roberto Baggio disse...

Qual é mesmo a questão? Fiquei sem perceber...

Anónimo disse...

Tens razão, faltou a pergunta LOL :-)

Era a volta do porque de eles não conseguirem ter muito sucesso (ganhar troféus ou estar na luta do campeonato) na Champions por vezes são surpreendidos com equipas teoricamente mais fracas.

Roberto Baggio disse...

Hehehe :)

Porque o Arsenal, apesar de muito competente nas transições e em organização ofensiva, é fraco nas transições defensivas e em organização defensiva. Wenger não sabe treinar a defesa.