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sexta-feira, maio 31, 2013

Ronaldinho e Roberto Baggio

Passados 2 meses de trabalho, 2011/2012, Juvenis

Princípios de jogo defensivos, erros, treino seguinte...






Semana de treinos seguinte, para organização defensiva:

  • Coberturas defensivas (Meio campo e ataque)
  • Aproximação ao portador da bola/Contenção (Geral)
  • Controlo de profundidade (Linha defensiva)
  • Posicionamento do GR (Distância da linha defensiva, distância da bola)

Portugal é dos portugueses... Finalmente!


Terminou a liga portuguesa e em jeito de resumo começaria por felicitar os dirigentes pela aposta no treinador nacional. Com 16 equipas a disputar o nosso campeonato, tivemos 16 treinadores portugueses a liderar as formações no final do campeonato. Não é que a nacionalidade seja um critério que defina qualidade para a função, mas é uma solução mais económica que outras. Esse caminho, permite uma maior evolução do treinador português, o que poderá ser fundamental para o desenvolvimento dos nossos jogadores e dos níveis de competitividade do nosso campeonato.

Os recentes bons resultados ao nível das competições europeias levam a que Portugal permaneça na 5º posição do ranking da UEFA, permitindo dessa forma a entrada de três equipas na Liga dos Campeões e três na taça UEFA. Vamos ter 2 entradas directas na fase de grupos da Champions e uma equipa no play-off. Como podem verificar aqui, Portugal termina o ano com duas equipas no Top 10 da UEFA. Não me recordo de alguma vez isso ter acontecido, e isso demonstra uma grande evolução das equipas nacionais, ao nível de resultados nas provas europeias. Não consigo desconectar essa evolução do crescimento de qualidade ao nível de treino em Portugal, que tem como consequência uma maior competitividade a nível interno.

Os campeonatos nacionais têm tido uma crescente subida de qualidade, derivado do nível elevado que alguns treinadores portugueses têm exibido. As equipas estão cada vez mais organizadas e é cada vez mais difícil as equipas "grandes" derrotarem as mais "pequenas", sem que se tenha de recorrer a mais valia individual que essas apresentam. Portugal caminha no sentido certo ao nível de organização colectiva, mas o mesmo não se pode dizer da formação de jogadores portugueses para a selecção nacional. Aqui, fica a visão de um membro da federação alemã, sobre a mudança teve de ocorrer, para que melhores jogadores começassem a surgir na primeira divisão e consequentemente na selecção.

A continuidade de Vítor Pereira é fácil de analisar: Tem de ficar!
Tem feito um trabalho notável nestes dois anos como treinador principal, e conseguiu transmitir os princípios de jogo que defende à sua equipa. Ainda assim carece de melhorias ao nível da organização ofensiva. O Porto é uma equipa de posse e como tal tem de conseguir formas alternativas de atacar a baliza, não recorrendo com a frequência com que recorre aos cruzamentos. Atacar mais vezes e melhor o espaço interior, mover os adversários e provoca-los dentro do bloco, mais apoios verticais, sobretudo, ser mais criativo na forma como ataca.

Quanto a Jorge Jesus, também é fácil: Caso o balneário ainda esteja com ele, tem de ficar!
Tem feito um trabalho fantástico no Benfica, e apesar dos poucos troféus conquistados, a equipa demonstra uma organização colectiva como nunca tinha visto no meu clube. A equipa precisa, também, de melhorar sobretudo na ideia do treinador em adaptar-se constantemente ao adversário. A adaptação ao adversário deve ser feita de acordo com os nossos princípios e forma de jogar da nossa equipa. É dessa forma que devo aproveitar as fragilidades do adversário. Só devo considerar como fragilidades adversárias, princípios que o meu modelo possa explorar, caso contrário, corro o risco de perder a identidade da equipa, aquilo em que os jogadores acreditam, aquilo que treinam diariamente, e aquilo que os torna realmente únicos fazendo cada um deles mais forte. Visão muito interessante do Entre10 aqui, e do Ronaldinho aqui!

Muito mérito para Paulo Fonseca, Marco Silva, Nuno Espírito Santo, Rui Vitória e Jesualdo pela forma como conduziram os seus jogadores. Paulo Fonseca, apresentou uma proposta de jogo maravilhosa, e o seu trabalho teve como consequência, apenas, 4 derrotas (só perdeu para o Porto e Benfica). É o grande destaque deste campeonato pela regularidade que a sua equipa apresentou, e por não ter abdicado do seu modelo, mesmo nos jogos contra os "tubarões".
Jesualdo, sai do Sporting com o dever cumprido e entra Leonardo Jardim. Ao nível da organização colectiva, defensiva, penso haver potencial para continuar a evoluir. Não acho que o Sporting vá ser uma equipa muito criativa, ainda assim, o maior problema do Sporting tem sido os treinadores e desse ponto de vista a escolha parece-me, francamente, boa.

quinta-feira, maio 30, 2013

André Carrillo

O poder de decisão de um jogador de futebol é no futebol actual, talvez, o factor mais diferenciador em termos qualitativos. Cada vez mais o futebol é feito de decisões complexas, fruto da melhoria da organização colectiva das equipas;  pelo que é necessário que o jogador se adapte constantemente aos diferentes estímulos que surgem no decorrer da época.

Cada vez mais, a capacidade de decisão se sobrepõe à capacidade física e em certa medida à capacidade técnica dos jogadores. Um jogador que não saiba tomar a decisão correcta no momento adequado, é presa fácil para a organização colectiva do adversário (salvo raras excepções, como Robben).
Não consigo evitar pensar nisto sempre que vejo Carrillo a jogar pelo Sporting.

 Carrillo tem grande velocidade e igualmente grande poder de explosão, tem bom remate, fácil e poderoso e tem excelente drible. A nível físico e técnico, será certamente dos melhores jogadores a actuar em Portugal, especialmente tendo em conta a sua tenra idade, tem todo o potencial para ser um excelente jogador. Contudo é raro ver Carrillo fazer um bom jogo pelo Sporting e desde que chegou que mantém o estatuto de suplente, de jovem promessa que tarda em explodir.

Pessoalmente, duvido que Carrillo saiba quais são os princípios básicos do jogo de futebol e por tal, não consegue tomar as melhores opções. A maioria das suas acções parecem confirmar o que penso, seja quando decide arrancar sozinho para drible em situações de clara desvantagem numérica ou, quando após ter criado vantagem usando um drible (numa boa decisão), raramente decide no sentido de capitalizar o desequilíbrio criado e não tem grande sentido colectivo, quer a atacar, quer a defender. A culpa certamente não é só sua e só conseguirá melhorar este aspecto se receber estimulos que o coloquem sob a necessidade de decidir; contudo, dificilmente jogará se continuar a errar consecutivamente.

Podemos comparar Carrillo a André Martins. Em termos físicos o peruano é superior, tem melhor drible e melhor remate, mas o Martins é muito mais jogador. André Martins é muito mais criativo, equilibra melhor a equipa, sabe gerir os ritmos de jogo, consegue compreender qual o momento certo para pressionar ou desarmar, para soltar a bola ou driblar e está sempre bem posicionado com ou sem bola.


É essa inteligência para jogar futebol que  torna o médio do Sporting num bom jogador e é essa mesma inteligência que faz de jogadores como João Moutinho ou Thomas Muller jogadores de nível mundial! 

terça-feira, maio 28, 2013

Nem só de táctica vive o futebol: El Mágico Gonzalez

Há uns tempos, numa conversa com um amigo (grande Fábio Correia!) surgiu o nome de um jogador que nunca tinha ouvido falar: Mágico Gonzalez, que segundo o meu amigo era um jogador do outro mundo a nível técnico!
De imediato perguntei-lhe se era um novo sul americano, talvez um novo Messi! Mas não, nada disso!

Este Mágico foi jogador nos anos 70, 80 e início dos 90, sendo que nasceu em El Salvador. Para além de clubes locais jogou ainda no Cádiz, de Espanha e chegou a participar no Campeonato do Mundo.

Deixo-vos então com o vídeo que o Fábio me mostrou. Apesar da qualidade da imagem, espero que gostem!


                       

É este o Mourinho que eu quero de volta....


...Foi este o treinador que me motivou a segui-lo,
Estes foram os princípios que me enfeitiçaram pelo jogo, no Porto e no Chelsea,
Assim era o modelo que me encantou, 
Este era o meu Mourinho...
...É este o Mourinho que eu quero de volta!!!!





sábado, maio 25, 2013

Cristiano Ronaldo, será que ganhou assim tanto?

Como é que é possível ganhar, tendo perdido o melhor que tinha?

Entrevista retirada do blogue de Nuno Amieiro aqui, publicada no dia 30 de Março de 2009

À conversa com Vitor Frade 
Mexer ou não mexer, eis a questão?
 Nuno Amieiro (NA): Professor, até que ponto faz sentido pensar-se em alterar a «configuração física» a um jogador para que este venha a ser algo mais do que aquilo que é? Isto é, no sentido de, por exemplo, o «engrossar» para ser mais resistente ao choque ou para ir ao encontro de um qualquer estereótipo corporal de defesa, médio ou avançado?
Vítor Frade (VF): Antes de mais, é necessário reflectir sobre a designação que está a utilizar, a expressão «configuração física». Por exemplo, diz-se muitas vezes o seguinte: “Aquele jogador não vai jogar porque tem um problema físico”. Será que quem diz isto está a querer dizer que lhe falta resistência ou qualquer outra coisa relacionada com o físico? Não. Por isso, para mim, o que o jogador tem é um problema clínico. É preciso algum cuidado com a terminologia para que o entendimento das coisas seja um determinado. Em relação à sua pergunta, parece-me mais ajustado falar em morfotipo do jogador e, no meu entender, pensar-se em o alterar é uma asneira de todo o tamanho. As exigências que regularmente o indivíduo vai enfrentando vão tornando-o mais resistente e mais capaz e não devemos querer ir mais longe do que isso, pois na tentativa de ganhar determinadas coisas, iremos perder uma série de outras coisas.
Não me custa nada reconhecer que, para certas posições e funções, o morfotipo e a estatura são relevantes, em termos de média. Mas, por exemplo, no caso do ponta-de-lança até menos do que no caso do defesa central. E mesmo aí todos nós conhecemos defesas centrais de top que são relativamente baixos, onde aquilo que os identifica como característico tem normalmente pouco a ver com o lado externo do morfotipo, aquilo que designou por «configuração física», e muito mais com a articulação e os timings de utilização de uma série de outras coisas. Veja, por exemplo, o caso do Liedson... Ele é «felino» e para ser «felino» e eficaz, tem de ser inteligente, tem de ser capaz de decifrar, de se antecipar... Mas vou-lhe dar outro exemplo. O Pepe tem uma entrevista recente, num jornal espanhol, onde diz que presentemente também está a fazer musculação para o trem superior, para o tronco, porque, refere-o ele, joga-se muito disputadamente, os pontas-de-lança são grandalhões, o tipo de jogo proporciona muitas disputas e, nesse sentido, ele sente a necessidade de ser espadaúdo para poder enfrentar essas circunstâncias. Mas também diz que se sente à nora quando lhe aparece um ponta-de-lança pequenino...
 NA: O professor está a querer dizer que ele pode vir a perder algo do Pepe que conhecíamos 
VF: Ele já está a dizer que está a perder!!!... Porque, quando ele não era espadaúdo ou não ia para o ginásio com esse fim, ele foi capaz de ser vendido por 30 milhões de euros e penso nunca o ter ouvido afirmar que os jogadores pequeninos lhe davam problemas... Não sei... Mas, ao que parece, ele agora está a senti-las. Porque, e isto é que é importante que se perceba, a acentuação de qualquer uma que seja considerada como variável tem repercussões no peso que as outras tinham no padrão de relação que existia. E, pelo menos ao nível da formação, esta lógica de pensamento é um absurdo, embora eu também esteja em desacordo com ela no que se refere ao rendimento superior... Era admitir que seria vantajoso «engrossar» o Liedson... O Liedson nunca mais seria o Liedson! E, provavelmente, aquilo que o fez ser Liedson foi o facto de ele não ter esse arcaboiço.
Eu conheci o Anderson e, para mim, ele era potencialmente um dos melhores jogadores do mundo como médio interior. Eu estava convencido de que, a continuar na mesma posição e nas mesmas funções, ele seria do melhor. Precisamente na posição onde hoje é mais difícil de encontrar jogadores daquele tipo. Foi para o Manchester e passou a jogar mais atrás... Disseram logo que tinha de ganhar não sei o quê... E dizem agora que ganhou isto e aquilo... Ganhou o quê? A maioria das vezes eu nem o vejo a jogar. E o que perdeu sei eu muito bem. Dizem que ganhou capacidade defensiva, que está outro jogador e mais não sei o quê. Pois está! Está outro, sem aquilo que tinha e que, do meu ponto de vista, é o mais difícil de ter: capacidade de desequilibrar no último terço, capacidade de deixar pronto no último terço, etc, etc... Ora, tudo isto tem origem em dois pontos de conhecimento: o conhecimento de jogo que se tem, ou melhor, que não se tem; e o conhecimento retrógrado, miúpe e mecânico que se tem do que é o Indivíduo. É necessário saber um pouco das duas coisas... 
NA: Deixe-me pegar agora no exemplo do Cristiano Ronaldo... A generalidade das pessoas está claramente convencida de que o que ele é hoje enquanto jogador se deve em grande parte ao trabalho de ginásio que desenvolveu e provavelmente continua a desenvolver... 
VF: Isso rebate-se com facilidade. O Cristiano tem um morfotipo e joga numa posição que pode permitir que o lado atlético seja um acrescento. Mas eu penso que a juventude dele e o facto de estar a jogar em Inglaterra ainda não o fez dar-se conta do desperdício que é o não uso tão regular da capacidade de drible, de simulação e de engano que ele tinha. E o jogo assente neste padrão atlético em que ele se está a viciar e do qual beneficiam os abdominais e o porte que ele tem, tirou-lhe algo que ele também tinha potencialmente, que era aquele poder de «ginga», que é mais o registo, por exemplo, do Messi. E eu pergunto, alguém no seu perfeito juízo é capaz de dizer que o Cristiano Ronaldo é melhor do que o Messi? Na melhor das hipóteses dirão que um é tão bom quanto o outro. E o Messi é exactamente o oposto em termos de morfotipo: é pequeno, enfezado,... E é doente, pois tem problemas metabólicos.
Acho que o que é fundamental é que o jogador tenha a capacidade de resistir e de ter força... Mas é importante que se perceba o que eu quero dizer com isto, pois não tem nada a ver com o entendimento comum... Repare na conversa que há pouco estávamos a ter sobre o Fábio Coentrão. O Coentrão, sendo um indivíduo débil, frágil, numa disputa de bola contra dois jogadores matulões do FC Porto, o Cissokho e o Rolando, conseguiu, com uma «ginga», sentar os dois e ir embora com a bola... Isto, para mim, é que é ter força. Ter capacidade de arrancar, travar, voltar a arrancar mas pelo lado contrário... 
NA: O Fábio Coentrão é claramente o tipo de jogador que, normalmente, sente na pele este modo mutilador de pensar... «Ele é bom jogador, mas falta-lhe...»... 
VF: Porque a lógica que está implantada é a lógica da burrice. A cada passo vemos e ouvimos apregoar uma série de slogans que vão ao encontro desse tipo de raciocínio. Até na escolha dos miúdos ao nível da formação se ouve, sistematicamente, coisas como «Eh pá, é habilidoso, mas é pequenino». É um absurdo. Por exemplo, o Liedson, não sendo um fora-de-série, ao nosso nível é um jogador fantástico e é pequenino, como o era o Romário e uma série de outros bons jogadores.
Mas o ridículo desta questão é fácil de constatar. Se nós formos perguntar aos indivíduos que fazem a apologia do físico, da altura, do corpo «engrossado» qual é o melhor jogador do Benfica, quase todos eles respondem que é o Aimar. Se perguntarmos em relação ao Sporting, quase todos eles dizem que é o Liedson e o João Moutinho. Se perguntarmos em relação ao FC Porto, quase todos eles referem o Lucho, que por acaso é alto, mas não é de cabeça que ele sobressai e é adelgaçado. Se perguntarmos em relação ao Barcelona, quase todos eles apontam o Messi, o Xavi e o Iniesta... Da mesma maneira que quando perguntaram a um ex-director técnico nacional do atletismo o que ele pensava do Usain Bolt, o campeão olímplico dos 100 metros, ele respondeu que era «um diamante em bruto». Um indivíduo que acaba de bater todos os recordes é «em bruto»? Está implícito na resposta dele que, quando o Usain Bolt fizer musculação e uma série de outras coisas, vai voar como os crocodilos... Mas, espere lá, os crocodilos não precisam de voar para serem crocodilos!... O que se deveria fazer era parar e pensar que a seguir ao Carl Lewis, todo o morfotipo que surgiu era de indivíduos estilo Caterpillar e que, agora, aparece este atleta com um morfotipo longilíneo a bater todos os recordes. Mas é o próprio Usain Bolt quem diz que não faz musculação, que treina na relva e que as únicas cargas que utiliza é ao fazer competições de 60 metros com um colega a puxar um pneu. E diz que dança muito por ser da terra do reggae!
Quem souber um bocadinho sobre aprendizagem motora, sobre coordenação motora, sobre timing de manifestação muscular e de coordenação muscular, etc, acaba por se afastar dessa forma de pensar que é mutiladora. Mas até aqui na faculdade há professores que dizem que o músculo é cego. Cegos são eles, porque o músculo é, manifestamente, muito mais, um orgão sensitivo do que um órgão gerador de potência. E, se calhar, ao mesmo tempo que dizem que o músculo é cego, defendem que é importante a proprioceptividade. Ou seja, não sabem o que estão a dizer. Porque a proprioceptividade é precisamente o que faz do músculo fundamentalmente um órgão sensitivo. Portanto, uma série de mecanoreceptores que se alteram para captarem, digamos assim, a evolução do corpo no tempo e no espaço. Ora, o futebol de qualidade, para qualquer posição, apresenta uma diversidade de agilidade e mobilidade que... Eu costumo dizer que a ignorância é atrevida p’ra caraças... 
NA: Um dos argumentos de que eu me costumo servir para tentar evidenciar o quanto pode ser prejudicial querer «transformar» um jogador tem a ver com algo para o qual o professor alerta frequentemente... Eu, enquanto elemento da minha espécie ainda não estou totalmente adaptado ao bipedismo e, portanto, muito menos preparado para jogar futebol. Ou seja, eu tenho uma história, para o caso «motora», que, em parte, partilho com a minha espécie e que, em parte, é pessoal, fruto das minhas vivências. Se pensar em ir «engrossar» ou tentar ganhar algo que, em termos corporais, não tenho, vou estar a interferir com essa história, que é património meu. Com isso, provavelmente, vou estar a hipotecar muito desse «património coordenativo» que o envolvimento a que estive sujeito durante anos me levou a adquirir «contra-natura» hominídea! 
VF: Eu já não quis ir por aí, porque esse caminho levar-nos-ia a 3 ou 4 horas de conversa... Mas, repare, é também preciso perceber que à volta de tudo isto há um jogo de interesses muito grande. Por exemplo, qual é uma das indústrias mais ricas do mundo? É a indústria do armamento. E alguém fabrica o que quer que seja para não vender? Com certeza que se têm de criar condições para que as coisas se usem... E depois, no caso do futebol, a publicidade também assume um papel muito importante, pois vem dizer que uma série de coisas são indispensáveis, que é necessário fazer isto e aquilo para que se marque dois golos com um pontapé só, e servem-se de alguns exemplos que facilmente caem no absolutismo pela falta de conhecimento que as pessoas têm acerca do jogo e acerca do Indivíduo. 
NA: Para acabar, uma pergunta muito directa: porque é que o facto de eu ir fazer musculação vai alterar aquela que é a minha história de relação com o corpo? 
VF: De um modo muito simples, porque altera a relação do corpo com o corpo, ou seja,... Há dois tipos de timing. O timing coordenativo dos músculos entre si, que é a co-contractividade, portanto, vão existir cadeias que passam a degladiar-se, que se passam a estorvar umas às outras. Porque é uma coordenação que se coloca contrária à fluidez que sugere e solicita a espontaneidade do jogo de futebol. Para além disso, há outro tipo de timing, que tem a ver com o ajustamento muscular à alteração sistemática regular que o envolvimento coloca. Ao fazer musculação vai estar a bulir com isso, vai estar a enganar o sistema nervoso. Portanto, vai obstruir o leque de possibilidades de manifestação que o corpo tinha a jogar futebol. E se o fizer quando em desenvolvimento vai inclusivamente bloquear o crescimento, por exemplo, dos ossos e de outras estruturas. Vai hipertrofiar uma zona que é muscular quando nós sabemos que os tendões não se desenvolvem da mesma forma... Porque não é natural! É como aqueles indivíduos que tinham uns carrinhos pequeninos e lhes rebaixavam a colaça, colocavam umas jantes largas, uma suspensão mais dura, etc, para se armarem em corredores... Só que depois partiam os carros por outro lado...

Agradecimento ao http://futeboleisto.blogspot.pt, pela recordação desta excelente entrevista. 

Não te adaptes

Jürgen Klopp

“Contra o Manchester City, percebemos que se jogássemos de igual para igual, podíamos vencer qualquer equipa..."


 “Nunca jogámos de forma a adaptarmo-nos ao nosso adversário.”






Jesus tem melhorado muitos aspectos ao longo do seu percurso pelo Benfica mas este é um dos quais ele não alterou e é ao mesmo tempo um dos que mais o prejudicou.
Alguns pensam que esta ideia é atrevimento, ou que é fácil dizer o que Klopp disse quando se tem uma boa equipa mas eu penso exactamente ao contrário… Atrevimento é dar uma identidade, uma forma de jogar a uma equipa e depois julgar que se pode mudar essa identidade com sucesso numa semana só porque se vai jogar contra um adversário forte para a seguir voltar a jogar como sempre. Ou então julgar que mudar constantemente adaptando-se ao adversário torna a sua equipa versátil, capaz de interpretar e executar vários modelos de jogo quando na verdade o que acontece é que a equipa não vai ter identidade, nunca será uma equipa com comportamentos fortes, expressivos. O que faz um grupo de jogadores ser uma equipa é precisamente a ideia de jogo colectiva, os princípios que fazem com que em todos os momentos os jogadores interpretem o jogo da mesma forma e tenham a mesma intenção para o colectivo. Ora se não conseguimos cimentar uma forma de jogar ou se não usamos a que construímos não teremos essa tal “cola” que une a equipa, teremos um grupo em que cada individuo terá intenções diferentes que levam a comportamentos incompatíveis e ao mau funcionamento da equipa.

A equipa deve jogar com a sua ideia de jogo, com aquilo que treinou durante a maior parte da época, com aquilo que se esforçou para adquirir. É nessa forma de jogar que os jogadores vão acreditar, pois a ideia pode vir do treinador mas são eles que a desenvolvem, que lhe dão vida e que acrescentam algo de pessoal e a tornam única. É com essa ideia de se deve enfrentar seja quem for porque se não tiverem sucesso com algo que treinam, estão habituados e em que acreditam então dificilmente terão com outra forma qualquer.

sexta-feira, maio 24, 2013

Liga dos Campeões 2013



Queria fazer uma prévia da final, mas depois de ter visto dois jogos entre as duas equipas finalistas repensei. Cheguei a conclusão que, pelo cariz emocional do jogo e pela qualidade da organização das duas equipas, vai jogar muito mais que táctica.

Caso queiram dar uma olhada à algumas características das duas equipas, podem passar por aqui para ver o  Dortmund e por aqui para ver o Bayern.

Antes da final, deixo os meus treinadores do ano e os onze respectivos, consoante o sistema em que cada equipa finalista apresenta.

Treinador: Klopp
Sistema: 1-4-4-2 Clássico

Neuer

Daniel Alves
Alaba
Hummels
Varane

Javi Martinez
Schweinsteiger
Iniesta
Ribery

Lewandowski
Ronaldo

Treinador: Heynckes
Sistema: 1-4-3-3

Neuer

Daniel Alves
Alaba
Hummels
Varane

Javi Martinez
Modric
Iniesta

Ribery
Ronaldo
Messi

quinta-feira, maio 23, 2013

Avançados e pluralidade de tarefas


Drogba: "...muitas lembranças de Mourinho. Algumas vezes, no Chelsea, marcava dois golos e noutras, quando não conseguia fazer nenhum dizia-me: Tranquilo, algumas vezes, sem marcar podes ser o homem do jogo".

Um avançado é normalmente julgado pelo número de golos que marca e sobretudo pelo número de golos que falha. Do ponto de vista da distribuição dos jogadores em campo, por ser ele o jogador que em teoria está mais perto da baliza adversária, isso pode fazer algum sentido. Embora esse tipo de julgamento e relação qualidade-golos peque por escasso, tendo em conta todas as tarefas que um avançado deve cumprir em campo.

Como é que um avançado, sem golos, pode ser o melhor jogador em campo?
Bom, depende da equipa, depende do modelo e depende do treinador.
No modelo de jogo das minhas equipas e do Ronaldinho, o golo representa apenas 5% das tarefas que ele deve cumprir e a finalização estará sempre dependente da qualidade individual dele. Costumamos dizer ao nosso avançado que não nos importa que ele não marque golos, desde que cumpra com as tarefas específicas da posição dele.

Organização defensiva-> Na saída de bola do adversário ele vai liderar a equipa na pressão.  É o primeiro homem a sair ao GR adversário ou aos centrais de forma a fechar o campo ao adversário, indicando-lhe apenas duas saídas: O 1x1, ou o jogar no lado que o avançado, propositadamente, deixou aberto. Na maior parte das vezes, os jogadores não tentam nessa zona do campo, o 1x1, pelos riscos que acarreta. Optam por jogar a bola, sem saberem, para à zona para onde a nossa pressão se dirige. Caso ele fique atrás da linha da bola, deve fechar linhas de passe próximas do portador da bola e depois caso haja possibilidade ou necessidade ajudar na pressão. Ele nunca se pode esquecer, que um erro de interpretação pode levar a que toda pressão seja ineficaz desequilibrando a equipa.

Transição defensiva-> Neste momento de jogo, ele pode juntar-se à zona de pressão ou fechar linhas de passe consoante a distância entre ele e a zona da bola. Deve também ter o conhecimento necessário para se colocar, caso necessário, em cobertura aos colegas que se dirigiram para a zona de pressão.

Transição ofensiva-> Dependendo da zona onde a bola foi recuperada e da sua proximidade dessa zona, ele deve desmarcar-se em apoio ou em profundidade. Deve, também, preservar a bola se estiver em inferioridade numérica para a linha adversária e esperar pela subida da restante equipa.

Organização ofensiva-> Quero que ele saia da zona dos centrais para pegar o jogo na zona do meio campo, de forma a abrir espaços para a entrada dos colegas e confundir referências de marcação do adversário. Deve receber, rodar se tiver espaço para fazer a equipa progredir, atacar esse mesmo espaço para provocar saídas dos defesas, perceber o timing exacto para soltar a bola e finalmente soltar para desmarcar os colegas. Deve atacar à grande área em caso de cruzamento: No primeiro poste, ou na zona de penalti, ou no segundo poste, ou mesmo ficar em cobertura a entrada da área (dependendo da distância a que se encontra de cada espaço, ou do posicionamento dos colegas). Tem de conseguir dar resposta às seguintes questões: Para onde mover-me? Como mover-me? Quando mover-me?

Portanto de todas essas tarefas que ele deve cumprir, como se vê, em nenhuma lhe é exigido o golo, no nosso modelo de treino. O golo é uma acção colectiva que surge como consequência de muitas acções anteriores. E cumprindo, o avançado, com o que antecede o golo, para mim, esse jogador será "sempre" titular. Porque dessa forma, estou a garantir que é um jogador que participa em todos os momentos do jogo, e estou também a garantir a criação de muitas situações de finalização, surgindo, assim, mais facilmente o golo.

Fernando Torres, poderia marcar 4 golos num jogo e ser o pior em campo. Não cumpriu com os pressupostos dos momentos que antecedem o golo e faríamos questão de dizer-lhe. Hélder Postiga, seria o melhor em campo falhando 5 situações de golo e cumprindo, com qualidade, com todos os princípios que referi acima. Falo destes dois, mas há muitos mais maltratados pela falta de golos, quando cumprem com 95% das suas tarefas com qualidade.

Um avançado que só jogue no momento da finalização, "nunca" seria um bom jogador para a nossa equipa.
Um avançado que jogue em todos os momentos do jogo, seria um bom jogador para a nossa equipa.
Um avançado que jogue em todos os momentos do jogo e ainda marque golos, seria o nosso Messi...

Há quem, apenas, veja a bola na baliza...
Há quem se preocupe com o que é realmente preocupante...
Eu vou mais longe que Mourinho, na maior parte do tempo, sem marcar, podes ser o melhor em campo...

quarta-feira, maio 22, 2013

O Defeso começou!

Não sei se a notícia das contratações de James mais Moutinho por parte do Mónaco é verdadeira, mas a sê-lo os meus parabéns a Ranieri e seu presidente! 

A contratação de João Moutinho é garantia de solidez a meio-campo. Não consigo compreender como as grandes equipas europeias não conseguiram roubar Moutinho ao Porto anteriormente. Não há a nível mundial muitos jogadores que consigam aliar qualidade técnica e táctica elevadas a grande capacidade física e Moutinho conseguiu fazê-lo nos últimos 2 anos. De recordar que este ano, o pior momento do Porto coincidiu com a lesão do seu médio.

James é sempre uma mais valia, pela sua visão de jogo, capacidade de passe e criatividade. 

Acredito que Ranieri  montará uma equipa de qualidade e competente. Este par de possíveis contratações penso que demonstra qual o sector preponderante para o italiano.

Este mercado de transferencias promete mais uma vez, ser animado, com os grandes agitadores a serem clubes franceses.

segunda-feira, maio 20, 2013

Há 20 anos atrás estava mais treinado para ver futebol...

A frase não é minha, é de Vítor Serpa director do jornal A Bola.
Ele explicou na palestra em que participou, na faculdade de motricidade, que quando começou, como jornalista, os temas que mais tinham relevância eram os relacionados com o futebol. Hoje, por culpa da direcção em que evoluiu o futebol, ele admite não ter a mesma capacidade para o fazer, pois o futebol divergiu de si próprio e é dada maior relevância aos temas que resultam como consequência do jogo e não ao jogo em si.

A culpa é obviamente de todos os agentes desportivos. Quando um jogador vem às conferências de imprensa criticar o trabalho da equipa de arbitragem, quando um treinador vem declarar-se prejudicado com a mesma, e vem dar-lhe uma importância decisiva no desfecho de uma época desportiva, quando um presidente decide "exonerar" alguns árbitros dos jogos da sua equipa e quando os meios de comunicação vendem e relevam esse tipo de informação, não percebemos o mal que estamos a fazer a este desporto.
Este clima de suspeição constante e o colocar dia após dia em causa, só prejudica o crescimento da modalidade.
Não percebemos que "estamos" a educar jovens para o desporto, para que gostem de futebol, para que se divirtam a joga-lo e depois tudo o que fazemos vai no sentido oposto ao desenvolvimento saudável de praticantes e ao aparecimento de adeptos da modalidade.
Não admira que muitos jovens, desde tenra idade, vão para o campo de futebol apenas para protestar contra a arbitragem, pois o que lhes temos ensinado é que os árbitros são maus e são eles quem mais decide o resultado de um jogo de futebol.

Eu tenho 25 anos e não tenho a experiência de outros, mas consigo ver com clareza que os últimos 4 campeonatos de futebol disputados em Portugal atingiram um nível que nunca tinha visto e o melhor disso é que o nível tem-se elevado ano após ano. A evolução das equipas portuguesas está aí e não estranho as chegadas às fases decisivas de competições europeias, mesmo não abundando, em média, talento individual como noutras ligas europeias. Da experiência que tenho de futebol, nunca vi tanta equipa organizada e bem trabalhada como agora. Nunca vi tamanha competência dos treinadores que ocupam posições no escalão máximo do futebol português e sobretudo nunca tinha visto um campeonato tão bem disputado e competitivo como o desta temporada. E ao contrário do que se diz, foi disputado porque o nível era alto não o contrário.
E quando penso que o futebol português está no caminho certo e que só se arrisca a progredir, todo este circo vem-me a cabeça. Talvez seja muito novo, talvez não...

Eu gosto de futebol, e gosto de futebol não como gosto de circo e vocês que dizem gostar de futebol, pensem bem se realmente gostam. É que se gostam, como eu, têm obrigação de o proteger. Quem gosta cuida, quem cuida não destrói, e o que estão a fazer está simplesmente a matar o jogo.
Ou não percebem que já ninguém quer saber do jogo?
Ou não percebem que no final de cada jogo a pergunta mais frequente deixou de ser: Jogaram bem?
Ou não percebem que futebol é aquilo que os treinadores fazem com os jogadores e aquilo que os jogadores fazem com a bola?

Hoje já não se fala de futebol, hoje fala-se de outras coisas quaisquer...

Fica aqui o desabafo, pois vejo um campeonato assombroso como este ao nível da competência colectiva e no final, quando tínhamos obrigação de destacar os seus principais intervenientes, que elevaram o nível de exigência a patamares nunca antes vistos, não vejo futebol...
Não vejo Vítor Pereira, Jorge Jesus, Paulo Fonseca, Pedro Martins, Rui Vitória, Marco Silva ou José Peseiro, não vejo um agradecimento a estes homens ou aos clubes pelo campeonato fantástico que nos deram.

Parabéns ao campeão, que o é com justiça. Parabéns ao Benfica porque se o fosse era igualmente justo.
Parabéns a todos os que fizeram da Liga ZON Sagres o que ela é hoje.


domingo, maio 19, 2013

Futebol Brasileiro e o caso Neymar


No passado, o sonho do jogador brasileiro de futebol era conseguir dar o salto para o futebol europeu. Esse salto não só garantia melhores condições de trabalho, desafios mais exigentes e mais competitivos o que permitia que o jogador evoluísse, principalmente do ponto de vista táctico, mas também trazia uma muito maior estabilidade financeira ao jogador e sua família, algo que nunca conseguiria ficando no Brasil.
Actualmente, com o crescimento da economia brasileira observamos que o dinheiro tem cada vez menor peso na decisão dos atletas, pelo menos das divisões superiores, havendo inclusive jogadores com contratos milionários. Seria inimaginável há uns anos que Alexandre Pato, com 23 anos, aceitasse regressar ao Brasil e abdicasse de estar na montra da Europa.

 A melhoria económica do país, tem também reflexo na melhoria das condições das infraestruturas dos clubes brasileiros o que claro, permite que os jogadores evoluam mais facilmente. Contudo, observamos que apesar destas melhorias, o campeonato brasileiro continua, do ponto de vista táctico, a ser relativamente fraco. Sem os estímulos oferecidos pelo futebol europeu, o jogador brasileiro dificilmente se torna num jogador completo. O campeonato brasileiro joga-se a um ritmo lento, as equipas posicionam-se mal, cometem bastantes erros colectivos e dependem bastante da qualidade individual dos seus atletas. Nestas condições, a evolução dos seus atletas é claramente afectada.

Um caso concreto é Neymar. Não duvido que tecnicamente Neymar seja um dos melhores jogadores de futebol do Mundo. Tem excelente qualidade de drible, bastante boa qualidade de passe e finaliza bem. No entanto, acredito que a sua margem de progressão seja reduzida se permanecer no futebol brasileiro. Os estímulos que recebe e as dificuldades que se lhe apresentam em competição são demasiado simples para a sua qualidade individual. Facilmente recorrendo à sua qualidade técnica supera as defesas contrárias e cria desequilíbrios que lhe permitem finalizar ou criar lances de golo aos seus colegas.

Vejamos um exemplo, aqui http://www.youtube.com/watch?v=t5TyXf8T5r. (cliquem para visualizar o vídeo por favor).
Reparem no posicionamento defensivo do Piris, que apos sofrer o primeiro drible decide virar costas a Neymar, perdendo não só a posição mas também o contacto visual com a bola. Como resultado, foi humilhado e recorreu a falta desnecessária. Contudo, existem aqui também claros erros colectivos de posicionamento. Reparem igualmente na posição do central e do médio interior, quando Neymar parte para o primeiro drible. Nenhum deles faz cobertura ao seu colega, não tentam criar superioridade numérica nem tentam sequer fechar possíveis linhas de passe. Para um jogador desta qualidade técnica, estar um defensor à sua frente, sem cobertura defensiva, principalmente tendo possibilidade de flectir para o meio ou de explorar a linha, é o mesmo que não estar lá ninguém.

Todos sabemos do que Neymar é capaz. Porque é que sabendo disso, os treinadores brasileiros não treinam correctamente o posicionamento defensivo dos seus jogadores? Reparem no lance em que o marcador directo do Neymar põs as mãos na cintura (lol) e vejam quanto tempo está parado até chegar o segundo homem. Depois reparem no posicionamento do jogador das mãos na cintura após o seu colega que veio dar o apoio ter sido driblado. Porquê dar um espaço de 5 metros a um jogador que se sabe que com espaço não só dribla eficazmente, como ainda humilha?

Será que Neymar ainda evolui neste tipo de ambiente? Qual a dificuldade sente ao jogar contra estes opositores? Qual o seu interesse em continuar num campeonato em que semana sim, semana sim, humilha colegas de profissão?

Neymar tem qualidade ÓBVIA, mas nunca será na um jogador de topo sem vir para a Europa. Tenho dificuldades em imagina-lo a fazer o mesmo na Europa, precisamente pela qualidade de posicionamento das equipas europeias.

Quanto ao campeonato brasileiro, é necessário que se renovem as competências dos treinadores. O Brasil, tecnicamente, tem dos melhores jogadores do Mundo. A matéria prima é quase inesgotável e sem problemas monetários conseguirão manter alguns dos melhores jogadores no país, mas qual o sentido de o fazer se isso não trouxer benefícios para a sua selecção? Como conseguirão competir com as melhores selecções europeias se não melhorarem a qualidade colectiva das suas equipas? Recentemente vi o Corinthians, de Pato, Paulinho e Romarinho perder na Libertadores contra o Boca Juniors (actual 17º classificado, entre 20 equipas, do torneio Clausura Argentino), abordando o jogo com um ritmo que em Portugal quanto muito equivaleria a um treino colectivo.

Para finalizar queria mostrar-vos a convocatória para a taça das Confederações, feita esta semana.
Guarda-redes: Júlio César, Diego Cavallieri e Jefferson.
Defesas: Thiago Silva, Rever, David Luiz, Dante, Daniel Alves, Jean, Marcelo e Felipe Luís.
Médios: Fernando, Hernanes, Luiz Gustavo, Paulinho, Jadson, Oscar e Bernard.
Avançados: Lucas, Leandro Damião, Hulk, Fred e Neymar.

Se a ausência do Fernando (do Porto) era expectável, apesar de para mim ser claramente um jogador de seleção, a ausência do Alex Sandro para mim é surpreendente.
Contudo, o que para mim é chocante é a ausência de Ramires. Ramires é neste momento, na minha opinião, o melhor médio do Brasil. Não existe nenhum jogador na Europa que consiga, jogando a médio, ter a explosão que Ramires têm; Ramires é fulcral no equilíbrio do Chelsea e é fortíssimo nas transições, em movimentos de ruptura nas alas, a aparecer em zonas de finalização e ainda no posicionamento defensivo.

Para bem do futebol espero que haja uma séria renovação de ideias nos quadros técnicos do Brasil. Se não corremos o risco de perder alguns dos jogadores mais talentosos do mundo.




sábado, maio 18, 2013

Fala Costinha


Costinha, treinador do S.C Beira Mar acedeu ao pedido do Posse de Bola e do Lateral-Esquerdo para responder à algumas questões.
O antigo internacional português deixa assim algumas respostas e alguns segredos que prefere não revelar, por agora.


1 - Porquê o 442 losango?

Porque permite ter controle do jogo na zona central além de uma posse de bola mais intensa ( isto se equipa adversaria jogar com 2/3 médios)

2 - Qual é a característica mais importante num jogador de futebol?

A inteligência

3 - Qual o jogador com quem partilhou o balneário (colega ou seu jogador) que mais o impressionou (dentro do relvado) e porquê?

Vários . Destaco Jorge Costa porque nunca falhava um treino mesmo se estivesse lesionado e porque exercia a função de capitão todos dias e com todos de igual forma.


4 - Que variáveis considera quando constrói um exercício? E que importância dá ao "jogo" (não necessariamente o 11x11, mas 7x7, 8x6, o que for, mas jogando) no processo de treino?

Passam todas primeiro pela nossa forma de jogar depois adaptadas as nossas melhores qualidades individuais que por sua vez têm de fazer um colectivo forte. O resto e segredo...

5 - Qual o momento (ofensivo / defensivo) que dá mais primazia no processo de treino e porquê?

Guardo para mim ...

6 - Que preocupações com os feedbacks durante o treino? Alguma estratégia?

Sim tento sempre transmitir que se não se treinar a pensar no jogo, o jogo nao sairá da forma como o preparamos, além disso e importante sensibilizar os jogadores que muitas das más acções dos jogos advém dos treinos.

7 - Em que se centra durante a palestra que antecede o jogo? E na do intervalo? E no final?

Sempre na motivação , concentração e moderação.

8- Quem é para si o melhor jogador da liga portuguesa?

João Moutinho

9- Porquê?

Porque joga sempre numa rotação alta, é muito inteligente na abordagem do jogo , domina  a jogada ofensiva / defensiva e posse/controlo desse mesmo jogo.

10- Quem é para si o melhor jogador do mundo?

Cristiano Ronaldo

11- Porquê?

Porque pensa o treino como o jogo , porque decide um jogo a qualquer altura , porque sozinho carrega uma equipa , porque mesmo em baixo forma consegue ser melhor que um bom jogador e porque se prepara /aperfeiçoa diariamente para a profissão que exerce.

quinta-feira, maio 16, 2013

Benfica - Chelsea 2º Parte

Todas as imagens em formato Gif abaixo (10 segundos de espera):




Aqui Imagens, uma à uma:


Benfica - Chelsea 1º Parte

Todas as imagens em formato Gif abaixo (10 segundos de espera):


Aqui Imagens, uma à uma:


quarta-feira, maio 15, 2013

De luto...

... Pelo futebol mais uma vez ter perdido! A jogar assim, vais ganhar muito mais vezes.

Jorge Jesus não merecia este resultado. Grande, grande mesmo, temporada do treinador português.

Chelsea FC

Muito talento na equipa Blue. Jogadores que podem resolver o jogo a qualquer momento. Torres, Mata, Hazard e Óscar têm grande criatividade e mobilidade.
Ainda assim há muitos pontos débeis por onde pegar. Espaço entre-linhas, fraca reacção a perda de bola, passividade da defesa, pouca agressividade, caso sejam pressionados batem longo e tendem a partir a equipa.

Boa sorte Benfica!!!