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segunda-feira, abril 22, 2013

Sporting e Villa: a formação é o caminho certo


Enquanto escrevia este texto via o jogo entre o Manchester United e o Aston Villa e por momentos, lembrei-me do Benfica vs Sporting do dia anterior. Não pelo aspecto táctico ou dinâmicas de jogo de qualquer equipa mas sim pela constituição dos planteis do Sporting e Villa.

Muitos certamente se lembrarão da equipa forte do Aston Villa de há alguns anos atrás, com Petrov, Barry, Milner, Young ou Agbonlahor. Porém, desses jogadores,  só Agbonlahor permace no clube. Hoje em dia a equipa do Villa é maioritariamente composta por jogadores jovens, formados no clube ou contratados ainda com tenra idade, sendo jogadores com potencial. Um pouco à imagem do plantel do Sporting dos últimos meses.

Segundo dados do site financialfairplay.co.uk o Villa é o 7º clube inglês que mais gasta em salários, gastando 75M de libras/ano (City sendo o mais gastador com 200M/ano e Swansea/Reading os menores com 35m/ano; dados referentes à época 2011/2012). Apesar destes valores, a capacidade financeira do Villa é bastante inferior quando comparada com a capacidade financeira dos clubes de topo (City – 200M; Chelsea – 172M; United – 162M, Liverpool – 127M; Tottenham – 93M) pelo que a contratação de jogadores será sempre uma política sub-óptima. Mais uma vez, um pouco à imagem do que aconteceu com o Sporting nos últimos anos, comparando com o poderio de Porto e Benfica.


Contra o Manchester, jogaram pelo Villa, 3 jogadores formados no clube (Baker, Weimann, Agbonlahor) e dos 11 jogadores titulares, 7 tinham 23 anos de idade ou menos. Contra o Benfica, pelo Sporting jogaram 5 jogadores da formação (Patricio, Ilori, Dier, Martins e Bruma) e 6 jogadores tinham 23 anos de idade ou menos.

Em ambos os plantéis há uma aposta clara na juventude, formada na casa ou adquirida jovem, o que me parece o caminho certo para clubes com esta dimensão financeira que não conseguem competir com os clubes mais ricos de suas divisões. Ambas as equipas juniores dos clubes em questão jogaram as meias finais da Next Gen Series deste ano, ambos os plantéis juniores estão a cumprir com as expectativas a nível interno, o mesmo se verificando com os plantéis “B”.

A aposta na formação parece ser o caminho mais seguro do ponto de vista financeiro e desportivo. A formação de jogadores parece-me o caminho mais rápido para se conseguir construir uma equipa com qualidade e identificada com o clube e seus adeptos. Do ponto de vista do jogo jogado, será a maneira mais fácil de obter jogadores com os princípios e dinâmicas de jogo pretendidas bem adquiridas, sendo esse fornecimento da equipa sénior constante ao longo das épocas, caso haja uma estruturação das equipas de formação no que toca a princípios de jogo. Do ponto de vista financeiro, será o processo que garantirá um maior retorno financeiro ao clube, visto que o investimento inicial foi relativamente baixo.  Finalizando, o recrutamento de jogadores e a moldagem das suas características são mais fáceis quando em idades jovens.

Existem clubes, como os dois acima referidos, que possuem actualmente, as infraestruras necessárias para assentar a estrutura do clube na formação. O Sporting é visto como uma potência mundial neste aspecto, mas por fraca percepção das recentes direcções tem descurado a integração de jogadores da sua academia na equipa principal, em prol de negócios com pouco retorno quer financeiro, quer desportivo. A política de contratações destes clubes deverá sempre ser vista como uma ferramenta a usar para tapar lacunas e não como a principal fonte de recrutamento (por exemplo, Benteke no Villa).
Infelizmente, na maioria dos casos a aposta na juventude só é feita após falha clara da política de contratações, acabando por ser a boia de salvação de clubes que nunca deveriam ter estado nessa situação. Dificilmente se encontrará um clube de topo que não possua uma formação forte, que frequentemente injecte qualidade no plantel sénior.
Sporting e Villa, tais como muitas outras, são equipas que mais que de dinheiro, precisam de gente que saiba identificar os pontos fortes do clube e perceber que é neles que assentam as bases para o sucesso. O futuro de um clube começa nos seus escalões de formação, são a base da pirâmide.

Parabéns ao Benfica pela sua vitória e ao Manchester pelo campeonato. Parabéns ao Sporting e ao Villa pela ousadia de acreditar na juventude e na irreverencia. No final, todos ganham.

7 comentários:

Edson Arantes do Nascimento disse...

Epá mas o Villa tem de arranjar um bom treinador porque esse Lambert é tenebroso... Com o dinheiro que gastam deviam ter uma equipa muito melhor. E isto vale para a maioria das equipas inglesas.

Gonçalo Matos disse...

Exactamente! A relação qualidade preço dos jogadores em Inglaterra não é famosa... Jogadores como o Ron Vlaar nem de borla!

Quanto ao Lambert concordo. Acho que é um problema dos dirigentes em Inglaterra, penso que têm dificuldades em avaliar os treinadores locais comparativamente com os do resto da Europa. Inlusivé, pelo que vi na Next Gen, tb mudaria os dos juniores.

Blessing Lumueno disse...

Edson e em Inglaterra quantos são realmente competentes?
Abraço

Edson Arantes do Nascimento disse...

Para mim, apenas são competentes os treinadores de Man Utd, City, Tottenham, Arsenal e depois num nível abaixo colocaria o Martin Jol e o treinador do Liverpool.

O Benitez tem algumas coisas interessantes mas neste momento aplica um modelo de jogo que não serve para as grandes equipas.

Os outros apresentam alguma organização mas continuam a jogar à bola como se estivéssemos em 1987: estruturas rígidas, pouca criatividade em todas as fases do jogo, escolha de atletas apenas com base nas características físicas e uma tendência pela vertigem a todo e qualquer instante da partida.

É muito bonito de ver mas é um futebol mal jogado. Costumo dizer - um bocado na brincadeira - que os ingleses não percebem nada-nadinha de futebol.

Blessing Lumueno disse...

Sim, tal como já defendi aqui. O que vai safando os ingleses é a atractividade da liga que consegue os melhores jogadores.

Gonçalo Matos disse...

Gosto de ver o Liverpool jogar, tentam jogar apoiado.. Gosto mais do Laudrup que do Mancini ou do Benitez.
Como o Blessing disse noutro post, a qualidade é escassa. O presidente do Burnley contou que há uns anos teve a hipotese de contratar o AVB mas não o fez por achar que este sabia demasiado para os jogadores que a equipa tinha. Acho que esta mentalidade diz tudo.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Tens razão Gonçalo, esqueci-me do Laudrup. Que era um jogador de grande classe. Parece um treinador com futuro e por acaso até acho que foi bastante considerado no Benfica, na altura em que se contratou - erradamente! - o Kikas Flores.

No entanto as equipas dele costumam ter dificuldades em controlar as partidas. Concordo plenamente que isto faz parte de uma certa cultura-barra-forma de viver o jogo. 90 por cento dos presidentes, adeptos e jornalistas ingleses gostam é de bola na área e o resto que se dane...