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sexta-feira, abril 05, 2013

Feedback


                               


Durante esta semana, durante um treino nosso, o Blessing e eu observámos o verdadeiro potencial de eficácia do FEEDBACK no treino. Não é que não soubéssemos já a sua importância na orientação do treino ou o seu potencial em alterar comportamentos mas o resultado do feedback dado foi tão flagrante, levou-nos de um exercício estar a correr mal para atingir exactamente o seu objectivo.
Foi de tal modo flagrante o resultado que gostava de ter gravado esse exercício para que, se um dia tivesse que ensinar a alguém o potencial do feedback, da comunicação na orientação do treino, pudessem ver realmente e na prática a mudança que pode ser conseguida. Verdade seja dita, outros factores tiveram que estar presentes para que a alteração acontecesse de forma tão eficaz e visível mas já lá irei.

 Embora a sua importância seja mais ou menos unânime, tenho a sensação que para a maioria dos treinadores é importante porque toda gente diz que é importante, desconfio que não acreditam seriamente ou não percebem a sua importância, caso contrário investiam mais tempo e mais atenção, tentariam saber mais e melhorar neste aspecto. Digo isto porque senti na pele enquanto jogador feedbacks completamente errados em todas as suas vertentes, e sinto enquanto observador (a qualquer nível, desde a distrital à primeira divisão). Quem nunca viu ou teve um "relator" de jogo em vez de treinador? Durante o jogo todo não se cala e dá ordens aos jogadores como se quisesse jogar por eles: "passa para ali", "corre", "calma", "chuta", "ganha". Além de não ajudar em nada só prejudica os jogadores porque está a condicionar o seu processo de decisão, mas isso é conteúdo para outros textos. Se percebessem o mínimo de feedback à falta de melhor estariam calados.

Talvez se vissem o tal video que gostaria de ter gravado, percebessem alguns o que andam a perder. Não para ensinar a dar feedback, apenas para mostrar como pode fazer a diferença. Não para ensinar porque não me atrevo a pensar que somos mestres em comunicação, antes pelo contrário julgo que temos os dois ainda muito que aprender e também porque sinto que dificilmente se pode ensinar a dar feedback, apenas se pode ensinar o que é e as suas vertentes (tipo, forma, alvo, etc) depois é practicar pois não existem receitas já que todas as situações são diferentes e cabe ao treinador sentir perante cada uma qual o feedback certo e o tempo certo para dá-lo. Um feedback pode alterar completamente a dinâmica de um exercício, para o bem e para o mal.

Como falei no inicio existiram outros factores (além do feedback em si) para que a nossa mensagem fosse tão eficaz naquele exercício. Uma alteração grande nos comportamentos globais só foi possível devido à pré-disposição que os nosso jogadores já têm para em primeiro lugar nos ouvirem, isto porque sabem que normalmente quando paramos um exercício é para os ajudar a resolver os problemas que estão a sentir e por experiência sabem que as nossas "orientações" os ajudam, caso contrário nem nos ouviriam. Em segundo lugar desde o inicio que exigimos com conversa, provocamos com treino e premiamos com escolhas o facto de os nosso jogadores terem que usar a cabeça quando jogam, PENSAR em todos os momentos e o cultivar do pensamento permite que quando recebem um feedback eles realmente pensem sobre ele e o tentem executar, e ao executarem percebam que o resultado positivo é consequência da alteração que fizeram e não do acaso, reforçando esse comportamento.
Para mim, no final, o nosso grande mérito foi esse, pré-disposição para OUVIR e PENSAR!

4 comentários:

Blessing Lumueno disse...

Os "papagaios" querem jogar playstation com os jogadores...
Mas se o futebol fosse um jogo de resposta condicionada, como ouvi alguém dizer, qualquer cão de Pavlov seria jogador de futebol!

Acho que vou desenvolver um texto sobre isso porque, talvez, a metáfora não seja suficiente.

André Ferreira disse...

Desenvolve que há gente que precisa... e muito!

Gonçalo Matos disse...

podiam dar o exemplo específico? acho que iria ser mto útil para muita gente!

outra coisa que acho que condiciona o feedback é o feed inicial. O narrador que voces falam, por vezes também aparece nos treinos. Muitas vezes os treinadores limitam-se a explicar o que querem que os jogadores executem no treino e não para que serve executá-lo bem.

As épocas desportivas em que mais aprendi/evoluí foram aquelas em que tive treinadores que me explicaram o porquê de fazer o que faziamos quando treinávamos (quer no futebol quer no futsal). Por experiencia digo-vos, quando não há esta abertura por parte do treinador, dificilmente haverá feedback dos jogadores, porque senão, o que haverá pra comentar?

André Ferreira disse...

Sim sim treinadores papagaios são quase sempre papagaios, inclusive no treino.
Foi num exercicio de posse de bola em que o objectivo era que os jogadores se movimentassem de modo a que o portador da bola tivesse sempre 3 apoios (um frontal e dois laterais). Embora estivessem a cumprir com o objectivo a posse não estava ser eficaz porque os jogadores, com ânsia de cumprir com os apoios, faziam quase todos movimentos de aproximação ficando muito perto uns dos outros e com muita gente na zona da bola retirando espaço para a circulação.
Interrompemos o exercicio explicando aquilo que estava a acontecer, falámos dos erros e sugerimos soluções indicando o porquê de serem soluções.