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segunda-feira, abril 15, 2013

"Eles querem desenvolver as suas capacidades no jogo"

O jogo de futebol não tem uma receita, e como tal é necessário perceber o que está a acontecer em cada momento e agir ou reagir perante esse acontecimento. Se o jogo é caótico, quem o pode controlar? Eu, como treinador? Os únicos que têm possibilidade de controlar o jogo são os jogadores, que o jogam. Pelo que, o melhor que posso fazer é dotar os jogadores dessa capacidade de controlo do jogo. E essa capacidade só surge quando o jogador sabe aquilo que está a fazer, o porquê de o fazer, e como o fazer.

O jogo tem sempre, da forma como o vejo, os mesmo estímulos: Posição da bola em relação à nossa baliza, ou à baliza adversária, e posição dos meus colegas em relação à bola, à baliza adversária, e à nossa baliza, posição (número) de adversários.
Então, torna-se lógico para mim que devo dotar os jogadores de capacidade de análise (percepção+processamento do estímulo) e resolução de problemas consoante o contexto específico (tomada de decisão).

O que defendo sempre é que, a inteligência de jogo deve ser o foco de desenvolvimento do jovem jogador, deixando-a ser a semente que faz desabrochar as capacidades técnicas e físicas específicas do jogo. E o processo deve ser desenvolvido nesta direcção, com estas prioridades e nunca na oposta.
O que vejo muitas vezes é que se dá prioridade ou às capacidades técnicas, ou às capacidades físicas, ou às duas, relegando o conhecimento do jogo para última instância. E isso vai retirar todo potencial que um jogador possa ter.

Ora, voltemos atrás...
Se o melhor jogador é o que decide melhor, então por que é que se deixa a tomada de decisão para último lugar?
Pensem que no processo de tomada de decisão a percepção tem um papel relevante, e essa percepção é muito influenciada pelas experiências anteriores. Então não tendo eu tido, durante todo o meu desenvolvimento, as melhores experiências, como podem depois pedir-me para decidir bem, para agir e reagir em contexto? Assim, mesmo tendo uma boa velocidade de percepção, é natural que a minha decisão não seja a melhor. Da mesma forma que, é natural que não tenha potencial para atingir um nível elevado de sucesso nas decisões, uma vez que não fui habituado a decidir bem. 

O que é utilizado desenvolve-se, o que não é utilizado atrofia (ou pelo menos nunca estará tão desenvolvido quanto o dos outros que foi sendo utilizado).


Treinar de forma a cultivar a tomada de decisão, vai possibilitar o desenvolvimento de capacidades cognitivas específicas para o jogo, em conjunto com as capacidades técnicas e físicas específicas do jogo. Claro que tudo deve ser feito numa lógica de progressão, pois em muito tenra idade eles ainda não têm capacidade (cognitiva) para perceber determinados tipos de padrões. Não devemos pedir e exigir coisas que as crianças ainda não têm capacidade para perceber.

Desta forma, qualquer jogador vai conseguir entrar dentro de variadíssimos modelos de jogo, sempre com competência, sempre a jogar bem. Isso se o modelo de jogo for próprio para o futebol. Se lhe pedirem para ir para dentro de campo jogar outro desporto, ou fazer coisas que não são futebol, aí ele irá ter sempre dificuldades.

Percebi o que está a acontecer, sei o que tenho de fazer, sei como fazer, sou um jogador de futebol.
Percebi o que está a acontecer, sei o que tenho de fazer, não sei como fazer, ainda vou bem a tempo de ser um jogador de futebol.
Percebi o que está a acontecer, não sei o que tenho de fazer, não saberei também como fazer, dificilmente vou chegar lá.
Não percebi o que está a acontecer, não saberei o que tenho de fazer, não saberei como o fazer, não é o desporto certo para mim.

2 comentários:

Gonçalo Matos disse...

"Olá, o meu nome é João Moutinho e sou um exemplo do que o Blessing acabou de dizer"

Blessing Lumueno disse...

Sim Gonçalo, qualquer jogador desse tipo será sempre um bom jogador. Será sempre competente. Conseguirá sempre adapatar-se às realidades e contextos diversos do jogo, aos diferentes estilos, culturas, etc...