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sexta-feira, abril 05, 2013

Ainda sobre os britânicos




Depois das palavras de Valdés aqui:
“Gosto muito do futebol inglês, há muitos remates à baliza e os adeptos respeitam imenso os jogadores. É um modo diferente de viver o futebol e isso agrada-me”



Sim Victor! De facto é um modo diferente de viver o futebol. Ou melhor, é um mau modo de viver o futebol.
O GR do Barcelona diz que há muitos remates à baliza, com razão. O que ele não diz é que esse número elevado de remates deve-se a fraca qualidade colectiva das formações britânicas. Há mais remates porque há mais espaços para rematar. Há mais espaços para rematar porque às equipas ocupam mal os espaços, porque às equipas partem em momentos de transições por não perceberem que devem permanecer compactas com e sem bola. E  porque têm uma fraca capacidade colectiva de resolver problemas em organização ofensiva. Dessa forma surgem muitos remates de curta/média/longa distância, sendo as individualidades demasiadas vezes a resolver problemas que deviam ser colectivos.

Não é por acaso que um jogo entre Holanda e Inglaterra é sempre, para os adeptos do futebol, um grande espectáculo, porque há muitos golos. Há muitos golos, neste caso, porque colectivamente as equipas são más. Francamente más. Não pensem ser por acaso que Portugal ao jogar contra estas duas selecções continua a mostrar enorme superioridade (em duelos nos últimos anos). Pois apesar de ter, na sua globalidade e comparando 1 a 1, piores executantes que Holanda ou Inglaterra, tem jogadores com maior capacidade táctica em média. Com maior conhecimento do jogo e dos seus princípios. Com uma formação de maior qualidade, tendo em conta aquilo que é o jogo moderno. 
O jogo evoluiu!
Holandeses e Ingleses têm de facto grandes executantes, mas que não sabem usar esse poder técnico  de forma a conduzir as suas equipas ao sucesso, jogando regularmente bem. Com o potencial individual que os jogadores, dessas duas selecções, têm é natural que surjam muitos golos. É natural que o potencial para fazer golos esteja lá, principalmente jogando contra equipas menos dotadas do ponto de vista táctico. O problema é que eles são "só" isso. E "só" isso, não chega amigos, não chega. Claro que por vezes eles têm sucesso, mas em dez jogos eles perdiam 6, 7 ou 8! E isso deveria ser suficiente para demonstrar que estão a fazer algo de errado.

Mourinho chegou a Inglaterra e o seu Chelsea era tão superior do ponto de vista táctico, que o objectivo das outras equipas (numa dada altura da época e durante muitas jornadas) era o de marcar um golo ao Chelsea. Já nem era de ganhar um jogo contra eles! Era, apenas, marcar-lhes um golo. Foi o 2º melhor ataque e a melhor defesa nesse ano (apenas 15 golos sofridos). Fez 95 pontos, ficou 12 na frente do segundo...

Reparem nos jogadores brasileiros também. Reparem no que representavam para o futebol mundial, antes desta evolução do jogo. E reparem no que representam agora. Reparem em quantos são preponderantes nas equipas que jogam os "quartos" da Champions (dizem ser a melhor prova de futebol do mundo). Reparem mesmo quantos jogam essa fase. E agora façam o mesmo exercício, só que andem 15 anos atrás. Ano após ano, eles foram sendo eliminados. Porquê?

Porque potencial técnico e motor (físico) sem conhecimento do jogo, sem excelência táctica, no jogo moderno é ZERO!

Mais uma vez recupero um texto do Lateral-Esquerdo, aqui!
Recupero um texto do Entredez aqui!
E Gareth Bale sobre o treino de AVB aqui!

3 comentários:

André Ferreira disse...

Sim e se os seleccionadores brasileiros fossem "finos" começavam a convocar jogadores das equipas que realmente lhes ensinam alguma coisa...

Pedro Filipe Godinho disse...

Partindo e aceitando esta lógica de inferioridade táctica e de conhecimento técnico no campeonato inglês, e acrescentando, em contrapartida, a superioridade do campeonato espanhol neste aspecto, será legítimo pegar naquela provocação que fazem a Messi (a de que querem vê-lo fora do Barcelona e a jogar em Inglaterra - "a cold monday night in Stoke") e dizer que, em Inglaterra, o argentino seria dono e senhor dos jogos?

(Contando, obviamente, com alguma "ligeireza" na abordagem aos lances, isto é, sem haver jogadas de caceteiros).

Fica a minha dúvida :D

Blessing Lumueno disse...

Não não seria tão preponderante quanto no Barcelona. Mas ainda assim seria o melhor jogador desse campeonato.
Não iria marcar tantos golos, por não estar num modelo de jogo que melhor evidencie às suas melhores qualidades. Não ia ter colegas de equipa com a cultura de jogo como os espanhóis e por isso não ia nunca resolver tantos jogos. Ser tão decisivo.
Mas, repito, ainda assim seria o melhor jogador desse campeonato.