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sexta-feira, abril 12, 2013

Agressividade


Entendo que no futebol moderno, pelo reduzir dos espaços de criação e pelo crescente número de pernas a ultrapassar, a agressividade é uma necessidade.





Certamente um jogador apreciado por vós…
Mas não, não era este o vídeo!
Isso, não é a agressividade que procuro num jogador de futebol porque futebol não é, ainda, luta livre.

Entendo o futebol como um jogo colectivo e como tal, para mim, “todos” os princípios de jogo criados por “mim”, para a minha equipa, devem ser colectivos. Sem bola somos todos defesas, com bola somos todos organizadores de jogo.
Como tal só entendo uma forma de defender nesses termos: Defesa Zonal.

Por ser impossível, pelas dimensões do terreno, ocupar de forma equilibrada todo o espaço de jogo, então eu opto por defender as zonas que “acho” mais pertinentes. Dependendo da zona da bola quero uma basculação, eficiente, de forma a defender a baliza com uma concentração grande de jogadores. No meio campo defensivo ou no meio campo ofensivo quero, “sempre”, uma concentração tal de jogadores que o adversário só tem duas alternativas: Bater longo ou enfrentar, sozinho, a minha zona de pressão.
Dessa forma, estou sempre mais perto de recuperar a bola criando sucessivas "superioridades numéricas", isso se os jogadores forem agressivos. 
Agressivos no sentido em que entendo o termo para o futebol. E essa agressividade, sem bola, é atacar os espaços de forma rápida e assertiva, reduzindo as hipóteses de sucesso ao adversário. É adaptar em segundos o posicionamento consoante o movimento da bola e a acção dos colegas. É “acreditar que o meu colega vai ser sempre batido”, é “sair sempre eu (em caso de dúvida) na bola deixando que os colegas compensem o restante espaço" (By: Miguel Nunes algures no Lateral-Esquerdo).
As coberturas e concentração defensiva são para ser feitas no local certo e são para “ontem”!

É, então, necessário dotar os jogadores do conhecimento que os permita ocupar os espaços de forma correcta. É obrigatório que eles entendam realmente o comportamento, pois decorando vão errar muitas vezes, podendo comprometer toda organização colectiva. O objectivo é fechar de forma rápida todos os caminhos (espaços/linhas de passe) mais próximos da minha baliza. É depois necessário, claro, atacar o homem da bola. Mas sempre com o intuito de recuperar a sua posse, pois é esse o meu principal objectivo.
Não encontrei, infelizmente, nenhum vídeo que retrate o que quero dizer com agressividade defensiva por forma a que melhor visualizassem o que tento explicar. Tenho, no entanto, esperança que o entendam de forma clara.

Por fim, é também essencial a agressividade com bola. Atacar os espaços que o adversário nos deixa para penetrar e finalizar. Provocar o adversário dentro do seu bloco.

Apresento o jogador mais agressivo que conheço, com bola…


Messi tem, de facto, um conhecimento superior do jogo. Tem características físicas e técnicas que lhe permitem concretizar tudo o que ele imagina. Mas Messi também erra, muito menos que os outros, mas de facto erra. Só que é tão eficaz que dá a impressão que faz, sempre, tudo bem. É o jogador mais eficaz da história do jogo em todas as suas acções, é o melhor que vi jogar.

12 comentários:

Gonçalo Matos disse...

Blessing, sempre que leio os teus textos penso sempre no Barça. Acho que é intencional, correcto?

Pegando no Gattuso, a agressividade dele pode ser enquadrada na Agressividade da equipa na tua opinião? Não achas que o jogador "cão de caça" o assim é porque recebe o estímulo do seu mister? Como encaixarias um "cão de caça" não só no teu processo defensivo, mas principalmente no seu processo ofensivo? ou não contarias com tal jogador?

claudio disse...

Esse atacar rápido os espaços sem bola, adaptando posicionamentos consoante os contextos que vão surgindo no jogo é a definição real de intensidade. Hoje muito se fala em intensidade mas é rara a pessoa que sabe o que realmente significa. Associa-se a correr rapido, levar tudo à frente e ter muita raça. Nada disso, intensidade é isto que tu referiste : atacar o espaço a alta velocidade. Pensar e agir no deerminado contexto, tudo numa fracçao de segundos.

Mt bom blog, parabens!

fred disse...

A agressividade faz parte do jogo, as equipas mais componentes são as mais agressivas no seu método de jogo tando defensivo como ofensivo.

concordo em absoluto

Blessing Lumueno disse...

Olá Gonçalo.
Não é sempre intencional. Aliás, na maior parte do tempo não é a eles a quem me refiro. O que acontece é que a forma como sinto e vivo o jogo está presente em muitos dos princípios de jogo deles e dessa forma pode haver uma ou outra nuance que levam a eles.

Fiz este texto, por saber que globalmente a malta tem ideia errada do que é ser agressivo. E também só associam esse comportamento ao momento defensivo (transição e organização defensiva). Então, pelo que senti nesta época durante uma conversa no balneário e o tema era exactamente esse: agressividade... Estavam mais de 20 pessoas ali, entre elementos da equipa técnica e jogadores. Estavam ali jogadores com 30 anos de bola, com formação no sporting, belenenses, acp, linda velha, Oeiras... Etc, etc, etc... De toda gente que lá estava, quando o André começou a falar de agressividade, só eu e outro percebemos. Porque temos de facto um conhecimento de jogo, prático e teórico maior que todos os restantes lá. Então dessa forma eles começaram logo a dizer ahh eu sou agressivo, ahh isso ninguém me pode dizer que não sou. E quem falava era só o jogador, na forma como defino agressividade, mais mansinho dentro de campo e do treino...

Blessing Lumueno disse...

E isso vai no sentido do que o Jesus disse : "a maior parte dos jogadores não tem conhecimento do jogo "
Estendo isso para a maior parte das pessoas que gosta ou está de alguma forma envolvida no futebol.

Quanto a tua questão sobre o Gattuso: pensava que esta ia ser fácil para ti uma vez que passaste uma época desportiva sob nosso comando no campeonato universitário.
Tens o exemplo de dois colegas teus que tinham fisicamente todas as possibilidades de jogarem, enquadrarem e entrarem no onze regularmente. Um deles inclusive era muito bom tecnicamente. Um médio defensivo e um defesa esquerdo. Eles tinham essa raça, corriam muito, mas futebol zero. Daí terem os dois somado pouco mais de um jogo em termos de minutos de utilização, nunca titulares.

É muito difícil mudar o perfil de decisão quando um jogador já é senior. Tem muitos vícios. Claro que sem bola é relativamente mais fácil, mas ainda assim implicaria que eles fizessem o esforço mais difícil de seffazer no futebol : pensar!
Tentar perceber os exercícios, como eles se relacionavam com o jogo, que tipo de mensagem estamos a tentar passar com ele, etc. Seria muito complicada essa adaptação, que exige muito de quem está pouco habituado a ela. Portanto mesmo com muito treino sem bola, iria melhorar mas nunca iria chegar ao nível dos melhores, dentro da mesma equipa. Alguém por exemplo que viesse já, com mais conhecimento desse tipo de movimentação.
E se sem bola é difícil mudar, com bola é dificílimo. Ai a experiência tem um papel determinante e se ele não teve os melhores estímulos no passado... É um caso quase perdido.

Blessing Lumueno disse...

Sim, ele é um cão de caça porque lhe ensinaram durante toda a sua formação, até atingir a maturidade futebolística que ser cão de caça era bom. Mas esqueceram de lhe dizer que o que importa realmente caçar, são os espaços e a bola. Não o homem... Trocaram as prioridades ao miúdo. Ele não teve culpa nenhuma... Foi formatado para aquilo...

Se tiver hipótese de construir um plantel, um jogador com esse perfil nunca caberia...
Se já fizesse parte do plantel sem hipóteses de dispensa, ia jogar muito, muito pouco, pois apesar do treino e do trabalho que fosse realizar, não iria chegar ao nível que pretendíamos.
Atenção que estamos a falar de seniores...

Blessing Lumueno disse...

Concordo a 100%
E obrigado

Gonçalo Matos disse...

Blessing, a minha questão foi colocada com o intuito de perceber ate que ponto tu acreditas na plasticidade de um jogador.
Conheço a tua maneira de pensar e sei o que pretendes, contudo ambos sabemos que o que pretendes fazer com as tuas equipas dificilmente funcionará com 90 e tal por cento das equipas mundias, pela simples razão de nao entenderem os conceitos tal e qual como percebemos.

Gonçalo Matos disse...

Acho que a grande questão que tu e outros treinadores com a tua filosofia e do André vão ter de superar é a de conseguir reformatar jogadores, temporariamente pelo menos. De qualquer forma, como é obvio estarás sempre dependente da capacidade do jogador em compreender a mensagem.

Blessing Lumueno disse...

Eles são plásticos até onde a capacidade deles lhes permite. E isso só estando perto e avaliando pelo comportamento de treino.
Ainda assim reitero que com os maus hábitos que ele tem, seria muito difícil alterar o perfil e enquadrar dentro do que quero.

DC disse...

Já tive uma vez uma discussão sobre o Gattuso. Tinha uns amigos que diziam que era um jogador que era neessário numa equipa.
Eu não percebo como é que alguém que não faz ideia do que é um passe, uma recepção ou até uma cobertura faz falta a alguma equipa que queira jogar á bola.
A brincar disse-lhes que já tinha tido um cão que jogava o mesmo que o Gattuso, corria sempre atrás da bola como um tolinho.

Faz-me confusão que este jogador tenha chegado onde chegou e ganho o que ganhou.

Noutro dia vi uma estatística curiosa: Pirlo e Lucho estavam entre os jogadores com mais Km nas pernas na Champions. E não andam lá a correr feitos malucos, simplesmente estão sempre na posição onde devem estar.

Blessing Lumueno disse...

Pirlo e Lucho têm a inteligência posicional que procuro. E são muito agressivos a cumprir com elas pois raramente estão desposicionados.
Gattuso numa equipa que faça perseguição ao homem seria sempre útil. Mas para mim isso não é futebol. Ele não serviria.
Abraço DC