Posse de bola no Facebook

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terça-feira, abril 30, 2013

O milagres são eles!

Se é preciso um milagre para que às equipas espanholas se apurem para a final da Champions, o único milagre possível é Ronaldo e é Messi.
São duas figuras incontestáveis no futebol hoje. São incontornavelmente os melhores do mundo.
São eles a última esperança dos seus adeptos, dirigentes e sobretudo dos seus colegas de equipa.
Messi o melhor por ser tudo aquilo que defendo para um jogador de futebol, Ronaldo absolutamente assombroso pela eficácia que apresenta.

Nesta jornada, o mundo está de olho em vocês, o mundo aguarda expectante por um ou dois milagres.


segunda-feira, abril 29, 2013

"Agressividade Mental"

Como já foi defendido no nosso blogue aqui e principalmente aqui, José Mourinho partilha desta ideia de agressividade no sentido de ocupar, bem, os espaços e de ocupa-los rapidamente. Principalmente porque se eles o ocuparem dois segundos mais tarde do que o devido, o posicionamento poderá já não ser o correcto e toda a estrutura defensiva da equipa poderá estar comprometida.
Para azar dele, este Dortmund é das equipa mais agressivas do mundo.


 Nessa sala ele é o rei, nessa sala ele já ganhou muitos jogos: "Eu quero que jogues concentrado, eu quero que jogues com agressividade mental"
"Na perda de bola todos, com a bola todos...fomos uma equipa"

Se o Dortmund ganha amanhã, fico feliz porque foi mais uma prova que os colectivos ainda continuam a ser mais fortes que as individualidades. Se o Real ganhar, fico feliz por Mourinho e ao mesmo tempo triste pelo futebol, que mais uma vez terá perdido.

domingo, abril 28, 2013

Jogadores vs Principios


Uma equipa de futebol para jogar bem, necessita mais de bons princípios que de bom jogadores. Obviamente que melhores executantes trarão maior qualidade a uma equipa, no entanto sem princípios coletivos bem trabalhados nunca conseguirá jogar futebol com qualidade.

Durante a última semana falei com várias pessoas sobre os jogos Benfica-Sporting e Fenerbahce-Benfica e a maioria das pessoas concordou que em ambos os jogos o Benfica jogou mal. Durante a última época o Benfica tem jogado num 4-1-3-2, com os seus médios-ala bem abertos nos flancos e com pelo menos um dos pontas de lança móveis. Como Jesus diz, a equipa joga na vertigem, com transições rápidas, com a bola a entrar nos alas e estes a causarem desequilíbrios ou por acções individuais ou por combinações com médios e pontas, criando superioridade numérica nos flancos.

Sempre que o Benfica defronta uma equipa com maior qualidade táctica sente bastantes dificuldades em jogar bem. Principalmente porque não consegue dominar o jogo no corredor central (normalmente em desvantagem numérica a meio-campo) e não consegue criar tantos desequilíbrios pelos flancos. Quando em posse de bola, a opção nestes jogos passa por jogar longo num dos pontas de lança, recorrendo a passes longos, com menor eficácia. A equipa fica muito comprida, o apoio não surge prontamente e fica mais dependente de acções individuais.

Por opção do seu treinador ou pelas dificuldades colocadas pelos adversários, o Benfica não utiliza os mesmos princípios de jogo em todos os jogos. A meu ver, esta é a razão pela qual se diz que o Benfica não jogou bem contra o Sporting ou Fenrbahce. A equipa não conseguia criar superioridade em nenhum sector, não conseguia progredir com frequência e sentia necessidade de bater longo. Ouvi há uns tempos Jesus dizer que “as grandes equipas não se viam na saída de bola”. Estou totalmente em desacordo porque é na saída de bola que definimos como vamos jogar, se curto, se longo, se apoiado, se desarticulado e por aí fora.
A razão pela qual o Benfica ganhou ao Sporting foi por ter melhor executantes (o que não tira nenhum mérito à vitória, diga-se) e não por ter melhores princípios de jogo. Se dúvidas existissem, penso que o jogo na Turquia veio esclarece-las. É certo que Jesus apostou numa táctica diferente, no entanto os defeitos vistos contra o Sporting observaram-se de novo: bola longa no ponta de lança, meio campo em desvantagem numérica, pouco futebol apoiado, pouca criação de jogadas de perigo o que resultou em poucas oportunidades de golo.

Na outra face da moeda temos equipas como o Estoril, o Guimarães ou o Paços de Ferreira. As políticas de recrutamento das três equipas são diferentes, no entanto em comum tiveram a decisão de contratar bons treinadores, jovens, com ideias renovadas e mentalidades descomplexadas.

Recentemente vi o jogo entre Estoril e Braga, em que o Estoril saiu vencedor. O Estoril claramente não tem melhor jogadores que o Braga, contudo neste jogo demonstrou melhores princípios colectivos, especialmente no processo ofensivo. O que mais me impressionou neste jogo foram os sprints sucessivos dos centrais do Estoril para criarem sempre linhas de passe válidas e seguras, alargando o campo, o que permitiu à equipa sair a jogar curto e com bola controlada desde a linha defensiva. Os seus médios apoiam bem os centrais e laterais e os extremos e ponta de lança são bastante móveis, o que cria desequilíbrios nas defesas contrárias.

 Há 5 anos atrás, nunca veríamos este tipo de comportamento em centrais de equipas chamadas “pequenas”, provavelmente porque não receberiam dos seus treinadores os estímulos para tal. Actualmente, as “equipas pequenas” jogam melhor futebol e têm melhores resultados sendo que não têm melhores infraestruturas de trabalho, maiores orçamentos ou melhor formação. As que se destacam são frequentemente as que apostam em melhores treinadores, que compreendam melhor o que é necessário para a equipa ganhar.

Outro exemplo bastante claro é o Sporting. Existe um Sporting antes e após Jesualdo e tal não se deve ao aumento da crença ou da vontade dos jogadores.
A equipa do Sporting antes de Jesualdo assemelhava-se às equipas dos jogos entre amigos que gostam de jogar e ver futebol. Era uma equipa que até se posicionava bem, até tentava jogar apoiado, mas ao mínimo desequilíbrio cedia, abria espaços na sua defesa ou perdia a ligação entre sectores na fase de ataque (daí o VW andar sempre só na frente de ataque ou o Capel correr 20m com bola sem apoio). Era impossível identificar processos nessa equipa pré-Jesualdo; ninguém percebia se pressionavam alto ou baixo, se saiam em posse ou jogavam longo, se preferiam abrir o campo ou fechar ao meio.   

Pós-Jesualdo, vemos uma equipa a pressionar bem, a criar desequilíbrios no meio campo a seu favor, não só na recuperação de bolas mas também no processo ofensivo graças à dinâmica dos seus médios, vemos os extremos regularmente apoiados pelo lateral, médio ou ponta de lança, vemos os centrais a sair em posse de bola e preferencialmente a jogar curto e, vemos fundamentalmente a equipa muito mais equilibrada em campo (independentemente da qualidade do Rinaudo) quer no processo ofensivo, quer defensivo. O plantel é semelhante (mais reduzido) e a táctica é a mesma (4-3-3), no entanto Jesualdo tem feito um muito melhor trabalho que os seus antecessores, por transmitir à equipa ideias claras do que pretende e por conseguir treinar a equipa de forma a por em campo essas mesmas ideias.

Existem inúmeros exemplos que ilustram o que quero dizer, desde Mourinho a Guardiola, passando por Klopp ou Heynkes. Uma equipa de futebol (na verdadeira ascensão da palavra) deverá ser mais que a soma das qualidades dos seus jogadores. Para potencia-los é conveniente que estes saibam o que fazer em campo, como o fazer e quando o fazer. A compreensão e execução dos princípios e processos de jogo de uma equipa são a chave para o sucesso e a sua sistematização garante uma maior eficácia em busca da vitória.  

Estão a fazer coisas interessantes no zerozero

Aqui

Mais uma reflexão sobre o desenvolvimento das capacidades do jovem jogador, mais uma reflexão sobre a importância da variação de estímulos ainda que se tenha muito sucesso ao resolver problemas de uma forma.
O objectivo passa por tornar o jogador o mais competente possível em todas as acções de jogo.

Boa leitura

quinta-feira, abril 25, 2013

Demasiado Dortmund para tão pouco Mourinho

Os alemães de Dortmund fizeram um jogo gigante frente aos comandados de Mourinho. E nas palavras do próprio : Ganhou a melhor equipa. Foram mais fortes coletiva e individualmente. Não estou em condições de dizer se o segundo golo é fora-de-jogo ou se o quarto golo é penálti, mas, independentemente disso, venceu o melhor. Eles ganharam todos os lances individuais e foram muito mais intensos. Tivemos dificuldades em acompanhar os seus movimentos e em ter a bola quando pressionados. Fomos incapazes de responder. Cada erro correspondeu a um golo".

Não estou em condições de avaliar todos os erros que Mourinho refere uma vez que só ele conhece o seu modelo no pormenor e portanto só ele sabe de que erros se tratam. O que me parece realmente importante é: "...Foram mais fortes colectiva e individualmente...Eles ganharam todos os lances individuais e foram muito mais intensos". Isso leva-me directamente à um artigo do Lateral-esquerdo aqui : "Sobretudo lembrando que os níveis não só físicos mas muito de concentração devem estar mais do que nunca altíssimos".

Importa, portanto, lembrar aquilo que venho defendendo, tal como Rui Faria, ser o mais importante: Intensidade de Concentração. Um jogador pode estar bem "fisicamente" mas se não estiver ao mesmo nível no que toca a concentração, de nada lhe vai valer, no futebol, ter os músculos prontos para o esforço. Mourinho disse :"O jogador é globalidade", "Não consigo separar o físico, do técnico e do táctico", "O desgaste é sobretudo emocional", etc, etc, etc.
Nesses termos, Mourinho e Rui Faria não fizeram tudo que estava dentro das suas possibilidades para que pudessem diminuir, em número, esses tais erros individuais de que ele fala. Sobretudo porque eles surgem da falta de concentração, intensidade de concentração.
O Real apresentou no onze inicial 4 jogadores que não competiam há dez dias: Ramos, Coentrão, Khedira, Alonso. Nesse espaço de tempo, Pepe jogou apenas 30 minutos e Higuain 40 (deste divididos em dois jogos, 19 minutos dia 14 e 18 minutos dia 20). No total são 6 jogadores que não estavam devidamente "carregados", no que toca a concentração, pela falta de um estímulo forte (minutos de jogo). De ressalvar que caso Marcelo não se tivesse lesionado, provavelmente, Varane seria mais um na lista de jogadores que necessitavam desse estímulo. O último jogo do Real, tal como o do Dortmund, para o campeonato foi dia 20 e o jogo da Champions foi dia 24. Havia três dias de recuperação garantidos e portanto não percebo a opção de Mourinho em não ter dado o estímulo devido a quem fosse alinhar na Alemanha. No onze do Borussia, estavam 10 jogadores que tinham alinhado, de início, na jornada anterior do seu campeonato.
Admito que Mourinho pudesse ter pensado nas lesões, mas esse risco não compensa a falta de intensidade de concentração que os jogadores apresentaram, para um jogo desta importância.
Admito, também, que pudesse ter pensado que as "Meias" da competição mais importante do mundo seriam um estímulo, suficientemente, forte para que os jogadores estivessem com os índices de concentração no máximo. Mas pego, novamente, numa frase dele: "o jogador de futebol é um animal de hábitos", ou seja, quanto menos estímulos recebermos, que nos obriguem a manter índices de concentração elevados, pior será o nosso desempenho quando nos for exigida alta intensidade de concentração e consequentemente maior será o desgaste. De realçar que os jogos do Real para o campeonato não têm sido, também, um grande estímulo para a concentração por não estarem a lutar por qualquer tipo de objectivo. Os jogadores jogam sem pressão e a concentração que metem nestes jogos em nada se compara a que meteriam se estivessem, por exemplo, a lutar pelo campeonato de forma a que a abordagem a cada lance fosse decisiva. Dessa forma, mais lógico ainda me parece que o Real deveria, mesmo, ter alinhado com o onze de Dortmund no campeonato.
No ano passado ele perdeu por falta de tempo de recuperação, este ano perdeu a primeira mão por excesso de dias sem competição.

Klopp fez um trabalho fantástico do ponto de vista da gestão da equipa e apresentou melhor futebol, muito melhor futebol que o Madrid. A alegria e energia detse senhor, conjugado com o seu conhecimento táctico tem-me contagiado todos os dias. Repararam naquele livre do Ronaldo, ainda na primeira parte, na expressão dele? Isso é futebol!

Não compreendo a proposta de jogo do Real. O estilo de jogo da equipa é inversamente proporcional à qualidade dos jogadores.
Varane parece um sénior a jogar ao lado de um juvenil (Pepe).


quarta-feira, abril 24, 2013

Bayern, passagem de testemunho!

Ontem os alemães conseguiram uma vitória expressiva em número frente ao "Barcelona" na primeira mão da meia final da prova mais difícil do mundo.
E se é inegável a justiça da vitória do Bayern, para mim, o resultado não espelha, nem demonstra a superioridade dos alemães em campo. 4-0 não é a diferença entre as duas equipas e nem tão pouco é a diferença entre a qualidade de jogo que as duas equipas apresentaram ontem em campo.

Diz-se por aí que o Bayern é o novo rei da Europa, que é a nova máquina demolidora, que é o rolo compressor, etc, etc... Eu cá acho que continua a ser muito, mas muito mais difícil ganhar ao Barcelona que ao Bayern e isso espelha a real diferença entre às equipas em questão.

Ontem o resultado ficou influenciado por duas razões : O Barcelona jogou todo o jogo com 10 porque Messi não está bem fisicamente, e não estando bem nunca deveria ter entrado em campo. E porque o Barcelona jogou 80 minutos sem treinador.
E se jogar sem Messi já é um problema, jogar sem treinador é gravíssimo para a importância do jogo.
Não é a primeira vez que vemos os jogadores do Barcelona baixarem os braços faltando por disputar muitos minutos, como que conformados com o resultado. E aí sim, nesse período em que eles desistem do jogo o Bayern foi absolutamente demolidor e não perdoou fazendo mais dois golos.
O treinador do Barcelona esqueceu de lembrar aos jogadores que isto era um jogo a duas mãos e que 2-0 é melhor que 4-0. Não transmitiu a tranquilidade necessária para que a equipa continuasse a fazer o seu jogo, tendo ficado apático a olhar para à equipa a autodestruir-se em campo.

E para quem tem dúvidas de este Barcelona de tito já podia ter sido goleado, basta lembrar a segunda mão da super taça e a segunda mão da meia final da taça. Só que o Madrid não teve a fortuna de finalizar e aproveitar o desnorte dos blaugrana e o resultado ficou-se pelos 2 golos de diferença. E em nenhum dos casos a diferença de golos seria igual à superioridade que uma equipa tem sobre a outra.

Não há passagem nenhuma de testemunho, não há ainda uma equipa que se equipare ao Barcelona num dia normal. O Barcelona ontem "morre" na eliminatória mais por demérito do que por mérito dos alemães.

terça-feira, abril 23, 2013

Criar superioridade numérica e depois aproveita-la!!!

Importância da tomada de decisão:

Saber usar o cérebro ajudaria o Robben a ser um dos melhores jogadores do mundo. Tem todas as condições técnicas e motoras para o ser.
Não o é porque decide mal na maior parte do tempo e porque, decidindo mal, não faz golos em número suficiente para que seja considerado como tal.


Certamente um jogador admirado por muitos de vocês. Certamente que, podendo escolher, preferia não ter jogadores deste tipo na minha equipa.






segunda-feira, abril 22, 2013

Sporting e Villa: a formação é o caminho certo


Enquanto escrevia este texto via o jogo entre o Manchester United e o Aston Villa e por momentos, lembrei-me do Benfica vs Sporting do dia anterior. Não pelo aspecto táctico ou dinâmicas de jogo de qualquer equipa mas sim pela constituição dos planteis do Sporting e Villa.

Muitos certamente se lembrarão da equipa forte do Aston Villa de há alguns anos atrás, com Petrov, Barry, Milner, Young ou Agbonlahor. Porém, desses jogadores,  só Agbonlahor permace no clube. Hoje em dia a equipa do Villa é maioritariamente composta por jogadores jovens, formados no clube ou contratados ainda com tenra idade, sendo jogadores com potencial. Um pouco à imagem do plantel do Sporting dos últimos meses.

Segundo dados do site financialfairplay.co.uk o Villa é o 7º clube inglês que mais gasta em salários, gastando 75M de libras/ano (City sendo o mais gastador com 200M/ano e Swansea/Reading os menores com 35m/ano; dados referentes à época 2011/2012). Apesar destes valores, a capacidade financeira do Villa é bastante inferior quando comparada com a capacidade financeira dos clubes de topo (City – 200M; Chelsea – 172M; United – 162M, Liverpool – 127M; Tottenham – 93M) pelo que a contratação de jogadores será sempre uma política sub-óptima. Mais uma vez, um pouco à imagem do que aconteceu com o Sporting nos últimos anos, comparando com o poderio de Porto e Benfica.


Contra o Manchester, jogaram pelo Villa, 3 jogadores formados no clube (Baker, Weimann, Agbonlahor) e dos 11 jogadores titulares, 7 tinham 23 anos de idade ou menos. Contra o Benfica, pelo Sporting jogaram 5 jogadores da formação (Patricio, Ilori, Dier, Martins e Bruma) e 6 jogadores tinham 23 anos de idade ou menos.

Em ambos os plantéis há uma aposta clara na juventude, formada na casa ou adquirida jovem, o que me parece o caminho certo para clubes com esta dimensão financeira que não conseguem competir com os clubes mais ricos de suas divisões. Ambas as equipas juniores dos clubes em questão jogaram as meias finais da Next Gen Series deste ano, ambos os plantéis juniores estão a cumprir com as expectativas a nível interno, o mesmo se verificando com os plantéis “B”.

A aposta na formação parece ser o caminho mais seguro do ponto de vista financeiro e desportivo. A formação de jogadores parece-me o caminho mais rápido para se conseguir construir uma equipa com qualidade e identificada com o clube e seus adeptos. Do ponto de vista do jogo jogado, será a maneira mais fácil de obter jogadores com os princípios e dinâmicas de jogo pretendidas bem adquiridas, sendo esse fornecimento da equipa sénior constante ao longo das épocas, caso haja uma estruturação das equipas de formação no que toca a princípios de jogo. Do ponto de vista financeiro, será o processo que garantirá um maior retorno financeiro ao clube, visto que o investimento inicial foi relativamente baixo.  Finalizando, o recrutamento de jogadores e a moldagem das suas características são mais fáceis quando em idades jovens.

Existem clubes, como os dois acima referidos, que possuem actualmente, as infraestruras necessárias para assentar a estrutura do clube na formação. O Sporting é visto como uma potência mundial neste aspecto, mas por fraca percepção das recentes direcções tem descurado a integração de jogadores da sua academia na equipa principal, em prol de negócios com pouco retorno quer financeiro, quer desportivo. A política de contratações destes clubes deverá sempre ser vista como uma ferramenta a usar para tapar lacunas e não como a principal fonte de recrutamento (por exemplo, Benteke no Villa).
Infelizmente, na maioria dos casos a aposta na juventude só é feita após falha clara da política de contratações, acabando por ser a boia de salvação de clubes que nunca deveriam ter estado nessa situação. Dificilmente se encontrará um clube de topo que não possua uma formação forte, que frequentemente injecte qualidade no plantel sénior.
Sporting e Villa, tais como muitas outras, são equipas que mais que de dinheiro, precisam de gente que saiba identificar os pontos fortes do clube e perceber que é neles que assentam as bases para o sucesso. O futuro de um clube começa nos seus escalões de formação, são a base da pirâmide.

Parabéns ao Benfica pela sua vitória e ao Manchester pelo campeonato. Parabéns ao Sporting e ao Villa pela ousadia de acreditar na juventude e na irreverencia. No final, todos ganham.

Vítor Pereira

Pedro Ricardo da Silva Batista, em 2006, entrevistou o treinador actual do FC Porto para a sua tese de mestrado ("Organização Defensiva: Congruência entre os princípios, sub-princípios e sub-sub-princípios de jogo definidos pelo treinador e a sua operacionalização").

V.P na altura orientava o SC Espinho.

Pedro Batista (P.B): Acha que o princípio da especificidade deve estar presente em cada exercício de treino? Se sim, porquê?

Vítor Pereira (V.P): Quem quiser ser treinador e não tiver ideias sistematizadas não pode sê-lo, vai andar a trabalhar de forma avulsa. É importante ter ideias, sistematiza-las, e é importante saber operacionalizá-las num contexto. O que é que eu quero dizer com isto, é muito importante, de facto nós termos um modelo, eu costumo dizer que já fui fundamentalista do ponto de vista táctico, eu tinha ideias e queria de facto operacionalizá-las, sem tentar colocar essas ideias ao serviço dos jogadores, e isso é um erro terrível, que eu cometia mas que agora não cometo. É muito importante perceber as características dos jogadores para as potenciar, e então os princípios são fundamentais como norte para o nosso trabalho, os princípios que nós defendemos, no entanto eles têm que ter flexibilidade suficiente para a realidade em que trabalhamos. Eu vou explicar isto. Eu fui habituado a trabalhar no Porto durante 5 anos com os melhores jogadores e colocando o acento em dois momentos fundamentais do jogo, que era a posse e a transição ataque-defesa, eu assim ganhava os jogos todos, aqui não é assim. Aqui não trabalhamos com jogadores com a diferença de qualidade que tínhamos no Porto. Nós apanhamos campos horríveis, nós temos um comportamento táctico evoluído, mas esse comportamento nunca surge porque o adversário nunca nos coloca esse tipo de problema. Eu concretizo. Imaginemos que eu procuro criar uma zona pressing, com quebra de ligação no corredor contrário, promover um passe interior, para depois o adversário tentar ligar no corredor e ai nós recuperarmos a posse de bola. O problema é que nesta divisão quase nenhum adversário tem esta preocupação. Eu sei que para ter sucesso tenho que promover “engodos” tácticos, no ano passado eu sabia que todas as equipas já estavam à espera de um espinho assumido em posse, a expor-se constantemente a passes longos nas costas em transições rápidas para nos “entalar”. Mas isso é o que eles agora querem, mas eu tenho de promover comportamentos, pondo acento na posse, porque gosto de uma equipa que assuma o jogo, agora eu tenho de promover também aquilo que tenho, e tenho jogadores que em transição são fortíssimos, que matam o jogo em qualquer altura, então se eu pretendo ganhar algum espaço à profundidade, eu tenho de os convidar, baixar o bloco e convida-los, eu sei que em duas ou três transições bem feitas, está o resultado feito. Isto o que é? É eu perceber as características dos jogadores que tenho e para ter sucesso sem desvirtuar aquilo que penso, tenho de a contextualizar a minha ideia do “jogar” para ter sucesso. O modelo tem de ter flexibilidade no sentido de nós percebermos como é que ganhamos aqui.

P.B: De acordo com a sua experiência, diga-nos as ideias chave para que um treinador consiga fazer com que haja uma congruência entre o modelo de jogo que define para a sua equipa e a sua devida operacionalização em treino.

V.P: Primeiro é fundamental ter ideias de jogo, e depois fazer com que os jogadores acreditem nelas, é fundamental fazer os jogadores identificarem-se com essas mesmas ideias de jogo. Explicar e contextualizar os exercícios, os jogadores têm de perceber claramente para que comportamentos estamos a direccionar o exercício. No fundo e tal como eu disse o fundamental é ter ideias e fazer os jogadores acreditar nelas, os resultados são fundamentais neste processo. No nosso caso como aparecemos com uma metodologia nova, aparecemos com ideias de jogo bem definidas, temos de desmontar ideias consolidadas durante muitos anos, deparamo-nos com muitas dúvidas e muitas reticências. Para contrariar isto temos de contextualizar e direccionar muito bem os exercícios, temos de mostrar aos jogadores a importância dos exercícios, a importância do aparecimento de determinado comportamento para o nosso jogo.

P.B: Concorda com a ideia de que o exercício de treino é a forma que o treinador tem de transmitir aos jogadores os princípios de jogo que quer ver implementados?

V.P: São os exercícios e não só, eu posso dar aos jogadores uma ideia por imagens que depois com o exercício podemos chegar onde eu quero. Eu tenho outros processos, comunicação, visualização, vamos imaginar que eu quero fazer acreditar à minha equipa que é fundamental termos uma transição defensiva forte, eu posso pegar numa imagem de equipas de referência e provar-lhes que de facto aquele momento é trabalhado. Depois vamos para o terreno onde o exercício tem de ter potencial e potenciar, por vezes o exercício tem potencial mas não potencia aquilo que queremos. Quando a equipa tem os comportamentos que achamos indicados, reforçamos positivamente, isto é um processo lento que vai sendo construído ao longo do tempo.

P.B: Quando explica e orienta um exercício de treino quais os aspectos que foca com mais persistência, para que o exercício tenha o objectivo que pretende? Dê-nos um exemplo em relação a um aspecto defensivo.

V.P: Dou-lhe o exemplo da manhã. De manha estávamos a promover a nossa organização defensiva à largura e à profundidade. De um lado
estávamos a trabalhar por linhas, a linha defensiva e a linha média e no outro lado estávamos a trabalhar losângulos defensivos, sobre o corredor esquerdo, corredor direito e corredor central. O que é que eu expliquei? Que os objectivos vão ser os seguintes, reacção à perda, fecho dos losângulos, coberturas, equilíbrios e contenção sobre o “lado cego”. Os jogadores já estão identificados com aquilo que pretendo e eu direcciono os exercícios em função dos objectivos que pretendo atingir, hoje direcciono muito menos que no início da época, os jogadores hoje cometem muito menos erros do que no passado recente, o nível de intervenção não é sempre o mesmo, é em função do nível de exigência do momento.

P.B: Como caracteriza a sua intervenção no treino?

V.P: A minha intervenção no treino é mais activa ou menos activa em função do momento, em função dos problemas que estão a incidir, em função de eu ter de explicar a importância de determinados comportamentos, se os comportamentos estão a aparecer ou não, no sentido de eu fazer evoluir o entendimento do jogo, isto é, cultura táctica. Se os jogadores estão a falhar muitas vezes eu tenho de intervir mais,
se eles estão a falhar pouco eu intervenho menos e reforço positivamente, não sou é de forma nenhuma um treinador passivo, mas já fui mais activo do que sou hoje. Já cai no erro de conduzir sistematicamente o exercício, isto é quase como tomar decisões pelos jogadores, e isso eu não posso fazer.

P.B: Mas a intervenção é específica em função do princípio ou sub-princípio que quer ver implementado?

V.P: Sim, claro. Quando eu comecei a treinar as vezes dava por mim a fazer isto. Tinha um exercício preparado para comportamentos defensivos, mas quando dava por mim, os meus feedbacks eram para comportamentos ofensivos. Do meu ponto de vista isto é um erro, porque descentraliza o objectivo do exercício. Por exemplo, se eu tenho um exercício de confronto eu digo aos jogadores que vou colocar o meu feedback sobre este ou aquele aspecto. Vamos imaginar que eu direcciono o exercício para a organização defensiva, para a outra equipa não deixa de haver preocupações ofensivas de posse de bola e transição defensiva, mas eu digo-lhes isso, que em posse
quero determinadas coisas e na transição quero que ela seja feita desta ou daquela forma. Eles sabem o que eu quero mas eu não direcciono os meus feedbacks para eles. Para a outra equipa sim, eu direcciono o exercício, neste caso direcciono para os aspectos defensivos que quero trabalhar, neste caso apenas intervenho para a equipa que estou focalizado.

P.B: – De que forma a sua equipa se comporta no equilíbrio defensivo no ataque? Quais as suas principais preocupações?

V.P: Eu pretendo que a minha equipa em posse prepare a transição defensiva, com um bom jogo posicional, com uma sub-estrutura mais dinâmica desenvolvida no processo ofensivo, e uma sub-estrutura mais “fixa” a preparar a nossa transição defensiva. Existe sempre uma sub-estrutura que prepara sempre o momento da perda de posse de bola.

P.B: Mas tem alguma preocupação com o nº de jogadores que devem estar sempre atrás da linha da bola no momento da perda?

V.P: Fundamentalmente temos como principio uma reacção forte à perda da posse de bola, e impedir o adversário de realizar o primeiro passe e a primeira recepção, queremos criar uma zona de pressão e para isso eu tenho determinado nº de jogadores definidos, normalmente tenho a equipa basculada do lado da bola. Nos estamos a jogar com 3 defesas, logo quem prepara a transição defensiva são duas linhas de 2 + 2, em que a primeira linha e constituída pelo defensor do lado da bola, que normalmente está subido e o pivot defensivo e a segunda linha está por trás e é constituída pelo outros dois defensores, quando o adversário é forte em transição ofensiva a primeira linha em vez de ser apenas de dois jogadores é feita por três jogadores.

P.B: – De acordo com princípios defensivos que preconiza para a sua equipa, qual a zona do terreno que pretende para recuperar a possede bola? Pretende que a equipa recupere a posse de bola numa zona mais central do terreno ou nas zonas laterais? Pretende que a sua equipa recupere a posse de bola no seu terço ofensivo ou defensivo?

V.P: Essa questão está directamente relacionada com a estratégia, o que é que eu quero dizer com isto, eu trabalho a minha equipa para uma transição forte à perda que nos permitam recuperar a bola o mais à frente possível para chegarmos mais rapidamente à baliza do adversário. No entanto estrategicamente, eu dou-lhe o exemplo do Marco que foi observado 3 vezes é uma equipa com dificuldades, com desequilíbrios defensivos quando está em posse de bola, é uma equipa com dificuldades perante transições rápidas. Então estrategicamente eu quis que o meu bloco defensivo baixasse um pouco mais que o habitual, para dar um pouco de espaço nas costas para conseguir essas transições ofensivas mais rápidas, em que o Marco na minha opinião é mais fraco, e foi desta forma que marcamos os dois golos no Domingo. Então acho que a sua questão é mais do que uma só, relativamente ao eu querer recuperar a bola no corredor central ou no corredor lateral. Aquilo que lhe posso dizer é que procuro, e que temos como principio, que os jogadores tenham referenciais de “pressing” e diferenciação de ritmos a defender, ou seja, os jogadores quando identificam determinados referenciais de pressing, procuramos criar “zona pressing”, com uma acelaração sobre o adversário provocando-o a ir para essa zona pressionante que estamos a organizar. Maior parte das vezes a pressão é no sentido de fechar o corredor lateral para obrigar o adversário a centralizar o passe para o “lado cego”, e então a bola entra nessa “zona pressing” que estamos a organizar para atacarmos o adversário pelo lado cego, para ganhar a bola, para depois partirmos se possível para uma transição ofensiva rápida, nós defendemos de forma a preparar a nossa transição ofensiva, se não for possível, circular a bola, tirá-la da zona de pressão e entrar em posse de bola.

P.B: Então podemos dizer que não existe uma forma rígida de ver as coisas, o Professor então define o lado estratégico mas trabalha-o durante a semana para a equipa estar preparada?

V.P: Exacto, o princípio é o mesmo, agora se é mais à frente ou mais atrás, se é nas laterais ou no corredor central, depende da estratégia e do adversário, nós aqui integramos a estratégia no processo de treino, do meu ponto de vista é fundamental. Nós observamos os adversários, o maior nº de vezes possível, e em função da dificuldade de construção de jogo em determinada zona, em função da dinâmica que o adversário promove, nós trabalhamos sobre isso, o principio de jogo para jogo, a intenção de… não muda, mas estrategicamente fazemos de uma forma ou de outra em função daquilo que nós julgamos ser o mais adequado para aquele jogo, para o ganharmos.

P.B: – Qual o tipo de organização defensiva aplicado na sua equipa? Defesa individual, homem a homem, zona mista, zona passiva ou zona pressionante?

V.P: O que eu posso dizer é que, o que pretendo na minha equipa, é uma equipa com uma organização defensiva inteligente, inteligente no sentido de diferenciar ritmos, ou seja, às vezes parece passiva mas quando identifica os referenciais de pressão, acelera e torna-se imediatamente pressionante e agressiva, eu não quero uma equipa que pressione constantemente, eu quero uma equipa que espera pelo momento certo para acelerar sobre o adversário em bloco, de perceber o momento colectivo de pressão, e não uma equipa que a cada passe pressiona o adversário. É uma organização zonal, que se torna pressionante nos momentos que eu acho que ela deve ser pressionante, porque quem pressiona sem cérebro, quem pressiona as bolas todas morre a meio do campo, perde discernimento, eu não quero esse tipo de organização defensiva, eu quero uma organização em que os 11 jogadores do campo entendam o momento em que temos de ser agressivos, quando temos de acelerar sobre o adversário, quando de facto funcionamos em bloco, devemos identificar os momentos de pressão colectivamente, e ai sim, quando o adversário não está á espera nós aceleramos, porque se o adversário tiver á espera bate a bola na frente, e eu por vezes quero que ele jogue, quero que ele jogue em determinadas zonas, quero dar-lhe o “engodo”. Eu dou-lhe um exemplo, se eu pressionar cada saída de bola do adversário, ele chega a um ponto que começa sempre a bater a bola na frente e assim nunca mais poderei exercer uma “zona pressing”, portanto eu quero que ele saia a jogar, a jogar de determinada forma, então tenho que criar condições para que ele saia dessa forma, para lhe dar o “engodo”, e nós temos que prever colectivamente o momento certo de acelerar sobre o adversário.

P.B: – Quais os princípios defensivos que considera mais importantes no tipo de organização defensiva escolhido para a sua equipa?

V.P: Eu devo-lhe dizer que trabalhamos, sempre em todos os nossos microciclos, a contenção, as coberturas e os equilíbrios defensivos. Mas existem coisas fundamentais para além destas, como por exemplo a identificação de referenciais de “pressing”, existe o atacar o adversário pelo “lado cego”, promover a organização de uma zona pressing inteligente e organizada, no sentido de levar o adversário a sair a jogar de determinada forma na 1 fase de construção, retirarmos espaço e tempo de execução ao adversário, é importantíssimo saber defender por linhas, e estas são as nossas principais preocupações que temos no nosso trabalho semanal.

P.B: Fala em pressionar o adversário pelo “lado cego”, explique-nos o que é isso.

V.P: Pressionar o adversário pelo lado cego é o aproveitamento dum mau
posicionamento do adversário, dum deficiente ajustamento dos apoios na recepção da bola que normalmente “fecha” o campo. O que é que eu quero dizer com isto, imaginemos o adversário a sair a jogar pelo corredor lateral direito com o médio centro ou o pivot defensivo a receber passe interior com os apoios virados para esse corredor, voltados para essa lateral, portanto está-nos a dar o “lado cego” e normalmente isso acontece sempre, acontece na linha defensiva ou na linha média. Recebem quase sempre a bola dando “lado cego” e é isto que temos de aproveitar com uma aceleração, com uma acção pressionante sobre o “lado cego”, mas para isso temos de convidar o adversário a entrar na “zona pressing” que estamos a organizar, para depois acelerarmos sobre o adversário e recuperar a posse de bola.

P.B: – Na sua equipa, pretende esperar pelo erro do adversário para recuperar a posse de bola, ou pelo contrário, procura que a sua equipa provoque esse mesmo erro, isto é, que a sua equipa tenha um papel passivo ou activo na recuperação da posse de bola?

V.P: Nós obviamente queremos promover o erro, para isso temos de ser inteligentes, por isso a nossa organização defensiva baseia-se numa organização por linhas, hoje em dia e com razão fala-se em muitas linhas, em função do lado estratégico que é preciso integra-lo no treino, em função da forma que queremos provocar o erro no adversário organizamo-nos nas linhas que achamos necessárias para criar as nossas zonas “pressing”, e esse trabalho é feito desde o nosso primeiro dia de treinos.

P.B: – Gostava agora que me falasse um pouco sobre os princípios defensivos que acha mais importante em cada sector da sua equipa.

V.P: Nós trabalhamos em todos os sectores, as coberturas, as contenções, e os equilíbrios. Dou-lhe um exemplo, no ataque neste momento estou a jogar com 2 avançados, estes 2 jogadores podem não executar muito bem as acções de cobertura, ao nível da contenção podem não ter a agressividade que eu pretendo, apesar de trabalhar estes aspectos, mas se eles em termos posicionais não estiverem bem, se eles não identificarem os referenciais de “pressing”, se eles não acelerarem no momento certo sobre o adversário, vai originar um desgaste dos restantes jogadores, vai originar ineficácia na zona “pressing”, logo vai abortar o plano colectivo defensivo.  Vamos imaginar isto, o nosso adversário joga com um homem entre linhas, entre a nossa linha defensiva e do meio campo, isto apesar de não alterar o nosso trabalho geral de coberturas e equilíbrios, isto exige que para eu ser eficaz em termos defensivos, preciso de um homem que vá jogar nesse espaço entre linhas para controlar esse mesmo espaço. Se pelo contrário o adversário não tem esse jogador entre linhas eu posso não precisar de controlar esse espaço, se calhar vou promover o jogo de coberturas de forma diferente. Eu posso ter um jogador forte, como pivot defensivo, a jogar entre linhas, que no jogo aéreo é forte, eu promovo o seu “encaixe” com a cobertura do meu defesa central ou defesa lateral, onde este homem em situações de finalização do adversário pode “entrar” na minha linha defensiva para me dar mais segurança e equilibrar-me a equipa. O importante é os jogadores saberem o jogo de coberturas, e nós treinamos estes aspectos para que os jogadores entendam o que têm de fazer. Mas o estratégico é fundamental, sem adulterar o trabalho que é feito semana após semana.

P.B: – Gostava que me explicasse os papeis defensivos mais importantes que dá ao médio(s) defensivo(s)/pivot, aos centrais, ao libero se ele existe e aos laterais.

V.P: Vamos imaginar que a minha equipa báscula do lado da bola, primeiro é preciso controlar o espaço, a bola e o adversário, na zona há uma responsabilização, existe um domínio do controlo do espaço, do controlo da bola, do espaço para o adversário e do espaço para o colega, é importante não existirem espaços inter-linhas e intra-linhas, é importante que todos os jogadores saibam controlar esses espaços, é importante os jogadores não “fecharem” o campo, o que é que eu quero dizer com isto, eu vejo equipas de nível com os jogadores a serem sistematicamente surpreendidos por estarem a “fechar” o campo, imaginemos que o meu lateral do lado contrario báscula do lado da bola, tem uma referencia de espaço, mas se tiver os apoios virados para o lado da bola está a “fechar” o campo, existe uma zona enorme de campo que ele não está a ver, se o adversário lhe aparecer com o campo fechado, vai surpreende-lo, isto parece um pormenor menor mais tem muita importância. Nós quando basculamos do lado da bola, eu estou sempre a dizer aos jogadores “abre o campo”, porque com o campo aberto consigo controlar o espaço, a bola e o adversário. Se eu virar os apoios para o lado da bola, basta uma entrada a um metro para não conseguir controlar. Outro aspecto que os jogadores devem dominar perfeitamente são os referenciais de pressing, devem também perceber quando a equipa deve ganhar espaços à largura e à profundidade, quando é que a equipa deve retirar espaços à largura e à profundidade. Imaginemos que temos um adversário de frente para nós, que está em boas condições de dar profundidade ofensiva ao seu jogo, todos os jogadores têm de perceber quando se deve retirar profundidade ofensiva ao adversário e quando não se deve. E como se trabalha isto? Trabalha-se identificando comportamentos, identificando momentos, quando a minha equipa está perante determinada situação tem que ter um comportamento adequado, o que nos trabalhamos é que para a identificação do momento devemos ter o comportamento adequado, isto não é um trabalho simples, mas é um trabalho que se consegue.

P.B: Fala várias vezes em referenciais de pressão. Dê-nos exemplos desses referenciais que dá à sua equipa.

V.P: Passe devolvido entre central e lateral, passe longo do adversário, passe devolvido pivot defensivo central, são momentos que nós queremos aproveitar colectivamente para “saltarmos” em cima do adversário. Nós no fundo tentamos promover determinada forma de construção de jogo do adversário e posicionamo-nos para que esses momentos que são referenciais de pressão para nós surjam, para nos aproveitarmos colectivamente, através de uma identificação colectiva. Não queremos pressões individuais, porque isso desgasta e abre o nosso bloco defensivo. Nós pretendemos que momentos como passes devolvidos, receber de costas, passes longos lateralizados sejam identificados como referenciais de pressing colectivos, sejam identificados como momentos em que temos de “saltar” em cima do adversário. Não queremos um tipo de pressão constante, se pressionarmos constantemente o adversário, ele não sai a jogar, o adversário bate a bola na frente, não nos permite criar condições para..então nós temos que diferenciar ritmos defensivos, ou seja, nós temos de lhes dar a ideia de um momento calmo para um momento rápido.

P.B: – De acordo com o que investiguei, a forma como se interpreta o conceito de “marcação” influencia claramente o tipo de organização defensiva. Para si o que é “marcar”? Quais as referências de marcação que dá a sua equipa?

V.P: – Fundamentalmente preocupo-me com espaços, o que eu procuro é que os meus jogadores percebam claramente como defender espaços, adversários nos espaços. No nosso caso para trabalharmos bem zona, devemos controlar os espaços, controlar a zona, controlar o adversário e a bola, controlar o espaço relativamente ao adversário e o espaço relativamente à bola. Nós defendemos da mesma forma em todas as zonas do terreno, quando a bola entra nos corredores laterais defendemos de determinada forma, quando a bola entre no corredor central já defendemos de outra forma, se o adversário nos obriga a juntar linhas e a reduzir o espaço à profundidade já defendemos de outra forma. O que eu acho importante e nós percebermos o momento em que estamos e termos o comportamento adequado em relação a esse momento. Temos de perceber claramente quando passamos de transição defensiva para organização defensiva, se uns jogadores tiverem comportamentos de transição e outros tiverem comportamentos de organização defensiva, então a confusão é total. Para tentar responder à sua questão aquilo que eu acho mesmo importante e nós sabermos claramente em que momento do jogo estamos, perceber claramente quais os espaços que devemos dominar, devemos também dominar o adversário e a bola.

P.B: – Podemos concluir que para si “marcar” é conquistar espaços vitais para o ataque do adversário.

V.P: – Sim, sem duvida nenhuma.

P.B: – Nunca um referencial individual do adversário?

V.P: – Nunca na minha vida entendi a organização defensiva dessa forma, se o adversário se apresentar com dois avançados, eu nunca na minha vida pedirei a um membro do sector intermédio para marcar um desses avançados, porque não faz sentido absolutamente nenhum para mim.

P.B: – Muda a sua forma de organização defensiva em função da organização estrutural do adversário? Por exemplo, se este joga com um ou dois avançados.

V.P: – O princípio organizacional não muda, esse não. Agora estrategicamente o tal controlo do espaço, o tal conquistar os espaços é muito importante. E muito importante estudar bem o adversário e operacionalizar sobre ele, e isso eu faço-o. Eu durante muitos anos joguei na 3 divisão, neste nível o referencial defensivo é o homem, então eu sendo pivot defensivo, sempre que o adversário jogava com dois pontas de lança, eu tinha que pegar num dos pontas de lança e andar atrás dele para todo o lado, o que me provocava um desgaste terrível, que me tirava discernimento e lucidez para o processo ofensivo, o meu único objectivo era claramente não deixar jogar, esta foi a minha formação, mas uma formação com a qual nunca me identifiquei, que me fazia confusão, durante anos e anos sentia que aquilo não fazia sentido absolutamente nenhum.

P.B: – A sua equipa é uma equipa que “encaixa” no adversário, isto é, preocupa-se num jogo de pares em função do adversário, ou pelo contrário, aquilo que pretende é conquistar espaços?

V.P: – Aquilo que eu lhe digo é que ando sistematicamente à procura de desadaptações, o que eu procuro é promover a minha organização defensiva de determinada forma, no sentido de a minha transição ofensiva e da minha passagem para posse de bola, desadaptar e desequilibrar o adversário. Eu quando penso na forma de como nos vamos organizar estou a pensar na forma de como vamos passar para os momentos seguintes, eu estou na minha organização defensiva a pensar de como vou passar para organização ofensiva e integro o estratégico neste trabalho.

P.B: – Então jamais pretende encaixar no que quer que seja. Por mais que o
adversário mude, nunca quer o “encaixe”.

V.P: – Se o adversário tem 3 eu não procuro também meter 3, se o adversário mete 4 eu não quero meter 4, eu acima de tudo tento controlar e ganhar espaços, procuro reduzir espaço e tempo de execução ao adversário.

P.B: – Então tenta sempre uma “sobreposição” ao adversário?

V.P: – Fundamentalmente procuro trabalhar nos desequilíbrios e no erro do adversário, eu quando mando observar procuro sempre que sejam descobertas formas de surpreender o adversário. Tento sempre anular o melhor que eles têm e aproveitar o pior que eles apresentam.


Outra entrevista de VP aqui!


sexta-feira, abril 19, 2013

Thiago Alcântara

Diferente dos outros médios do Barcelona pelo "excesso" de verticalidade. Um jogador que dá mais imprevisibilidade e variabilidade de jogo ao modelo do Barcelona pelas suas características individuais.
Cresce no local certo, na hora certa. Tem o melhor estímulo do mundo: treinar e jogar com os melhores do mundo.

Obrigado Luís Santos do Futebol é isto pela partilha.

PS: Acho que é jogador para entrar já no onze inicial de qualquer equipa do mundo, excepto do Barcelona.








quarta-feira, abril 17, 2013

O resultado não está onde se julga, normalmente...

«Outras equipas ganham e ficam contentes, mas não é o mesmo. Falta-lhes identidade. No futebol, o resultado é um impostor. Uma equipa pode fazer tudo bem e não ganhar. Há algo mais importante que o resultado, algo mais duradouro: o legado»
Xavi, em entrevista a Fifa.

Eu e o André não ficamos satisfeitos por ganhar de qualquer forma. Preferimos perder 5-1 e fazer tudo bem do que ganhar 1-0 fazendo tudo mal.
Mas porquê?
Porque sabemos que jogando regularmente bem vamos ganhar mais vezes do que perder. Sabemos que o mais importante não é o resultado final do jogo. Sabemos que o mais importante é aquilo que fazemos para aumentar as hipóteses de vitória da equipa. Sabemos que o mais importante é como se chega ao resultado. Se  tu não percebeste como chegaste ao resultado, então alguma coisa está mal. Se não percebeste que foi uma questão de sorte, então estás ainda pior.

Não está aqui em discussão a validade ou não do modelo de jogo, pois podem ser completamente diferentes do meu mas ainda assim cumprir com os princípios gerais de jogo. Ou com a maior parte deles. 

Para mim e para o André o mais importante, é o quanto os jogadores evoluíram: em que medida cresceram aprendendo o jogo e a melhor forma de colocar as suas melhores qualidades dentro de uma equipa.

O "legado" a deixar aos nossos formandos deveria ser esse. Ganhar de qualquer forma de nada lhes vai servir a médio ou longo prazo. Não os estamos a ajudar se eles não melhorarem o jogo deles, estando nós apenas a alimentar o nosso ego com vitórias onde a sorte teve um papel fundamental.
Os jogadores deviam começar a exigir mais dos treinadores e aí podia ser que tudo mudasse realmente.
O que eles aprendem na formação, ou pelo menos deveriam, são as bases para melhor resolver os problemas que vão enfrentar no futuro.


"Boa ganhámos, contam é lá dentro!"
Não, perdeste. Só que ainda não o sabes... Talvez nunca o saibas...

terça-feira, abril 16, 2013

PIRLO


"O meu primeiro texto é uma pequena dedicatória a um dos meus jogadores preferidos. Espero que gostem."
GONÇALO MATOS, em 2010

19 de Maio de 1979 nasce em Flero, Lombardia, um dos melhores e mais fascinantes jogadores do futebol moderno, Andrea Pirlo.

Possuidor de 1.78 metros e 67kg, desde jovem que Andrea Pirlo se torna num jogador importante nas selecções jovens internacionais italianas, jogando na posição de avançado ou médio ofensivo, sendo inclusive capitão dos sub-21 azzurros. Porém, e após uma passagem bem sucedida pelo Brescia, tendo como auge uma subida de divisão, não se consegue impor no Inter de Milão, levantando duvidas sobre a sua verdadeira qualidade, forçando a sua saída do clube no Verão de 2001. Foi então transferido para o A.C Milan num negócio de 18 milhões de euros, clube que representa desde então.

É logo na primeira época de Pirlo no A.C Milan, que Carlo Ancelotti descobre a verdadeira vocação do seu jogador, tornando-o num dos pilares do Milan e da selecção italiana. Ao recuar Pirlo no terreno, para a posição de médio defensivo, Ancelotti deu-lhe o espaço que ele precisava para poder libertar o seu futebol criativo e de alta precisão, único e inovador. Ao colocá-lo à frente dos centrais e com um excelente recuperador de bolas em seu redor (Gennaro Gattuso), Ancelotti criou um novo tipo de jogador, o trequartista recuado, um número 10 que joga nas costas dos médios. Pirlo ganhou assim o tempo necessário para organizar o jogo da sua equipa, quer através de passes curtos, quer através de passes longos, ambos com grande qualidade, alternando ritmos de jogo com uma naturalidade tão grande que lhe valeu a alcunha de metrónomo. Os números falam por si: em 2002-2003 terminou a temporada com uma média de 90 passes por jogo e em 2006-2007 liderou a equipa em número de minutos jogados, com 2782.

Vencedor de uma Taça de Itália  um campeonato italiano, duas Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, uma medalha de bronze dos Jogos Olímpicos de 2004 e um Campeonato do Mundo, Pirlo tem um dos melhores currículos do futebol mundial, porém, talvez pela sua personalidade reservada e pouco expressiva, nunca atingiu os patamares de glória individual que merece, ficando sempre a sensação que não lhe é dado o valor correspondente à dimensão do seu futebol.

Actualmente com 31 anos, talvez já tenha atingido o limite das suas capacidades e é provável que nunca atinja o tão merecido reconhecimento individual. Contudo, tal não parece ser-lhe importante e acredito que, no final da sua carreira, veremos Pirlo partir dos relvados com o mesmo sorriso tímido de satisfação que faz após completar um dos seus passe para golo de 40 metros.

segunda-feira, abril 15, 2013

"Eles querem desenvolver as suas capacidades no jogo"

O jogo de futebol não tem uma receita, e como tal é necessário perceber o que está a acontecer em cada momento e agir ou reagir perante esse acontecimento. Se o jogo é caótico, quem o pode controlar? Eu, como treinador? Os únicos que têm possibilidade de controlar o jogo são os jogadores, que o jogam. Pelo que, o melhor que posso fazer é dotar os jogadores dessa capacidade de controlo do jogo. E essa capacidade só surge quando o jogador sabe aquilo que está a fazer, o porquê de o fazer, e como o fazer.

O jogo tem sempre, da forma como o vejo, os mesmo estímulos: Posição da bola em relação à nossa baliza, ou à baliza adversária, e posição dos meus colegas em relação à bola, à baliza adversária, e à nossa baliza, posição (número) de adversários.
Então, torna-se lógico para mim que devo dotar os jogadores de capacidade de análise (percepção+processamento do estímulo) e resolução de problemas consoante o contexto específico (tomada de decisão).

O que defendo sempre é que, a inteligência de jogo deve ser o foco de desenvolvimento do jovem jogador, deixando-a ser a semente que faz desabrochar as capacidades técnicas e físicas específicas do jogo. E o processo deve ser desenvolvido nesta direcção, com estas prioridades e nunca na oposta.
O que vejo muitas vezes é que se dá prioridade ou às capacidades técnicas, ou às capacidades físicas, ou às duas, relegando o conhecimento do jogo para última instância. E isso vai retirar todo potencial que um jogador possa ter.

Ora, voltemos atrás...
Se o melhor jogador é o que decide melhor, então por que é que se deixa a tomada de decisão para último lugar?
Pensem que no processo de tomada de decisão a percepção tem um papel relevante, e essa percepção é muito influenciada pelas experiências anteriores. Então não tendo eu tido, durante todo o meu desenvolvimento, as melhores experiências, como podem depois pedir-me para decidir bem, para agir e reagir em contexto? Assim, mesmo tendo uma boa velocidade de percepção, é natural que a minha decisão não seja a melhor. Da mesma forma que, é natural que não tenha potencial para atingir um nível elevado de sucesso nas decisões, uma vez que não fui habituado a decidir bem. 

O que é utilizado desenvolve-se, o que não é utilizado atrofia (ou pelo menos nunca estará tão desenvolvido quanto o dos outros que foi sendo utilizado).


Treinar de forma a cultivar a tomada de decisão, vai possibilitar o desenvolvimento de capacidades cognitivas específicas para o jogo, em conjunto com as capacidades técnicas e físicas específicas do jogo. Claro que tudo deve ser feito numa lógica de progressão, pois em muito tenra idade eles ainda não têm capacidade (cognitiva) para perceber determinados tipos de padrões. Não devemos pedir e exigir coisas que as crianças ainda não têm capacidade para perceber.

Desta forma, qualquer jogador vai conseguir entrar dentro de variadíssimos modelos de jogo, sempre com competência, sempre a jogar bem. Isso se o modelo de jogo for próprio para o futebol. Se lhe pedirem para ir para dentro de campo jogar outro desporto, ou fazer coisas que não são futebol, aí ele irá ter sempre dificuldades.

Percebi o que está a acontecer, sei o que tenho de fazer, sei como fazer, sou um jogador de futebol.
Percebi o que está a acontecer, sei o que tenho de fazer, não sei como fazer, ainda vou bem a tempo de ser um jogador de futebol.
Percebi o que está a acontecer, não sei o que tenho de fazer, não saberei também como fazer, dificilmente vou chegar lá.
Não percebi o que está a acontecer, não saberei o que tenho de fazer, não saberei como o fazer, não é o desporto certo para mim.

domingo, abril 14, 2013

Desafio do Masterzen - Treino para crianças

Masterzen, um leitor habitual do Lateral-esquerdo lançou ao Miguel o desafio de organizar uma semana de treinos, para iniciantes com os seguintes constrangimentos:

  • 20 jogadores
  • 3 bolas disponíveis
  • Treinar apenas em meio campo, tendo apenas duas balizas disponíveis
  • 3 treinos nessa semana
Decidi então formular o meu micro-ciclo, só que alterei um dos constrangimentos. Acho que muito dificilmente iria acontecer numa semana de treinos ter apenas 3 bolas disponíveis. Pode acontecer num treino, mas nos seguintes eu compraria bolas para que o treino pudesse ter o rendimento adequado. Então avancei para a semana de treinos com 3 dias por explorar + competição, 20 jogadores, apenas meio campo disponível com duas balizas.

Dia 1 

Aquecimento com duração entre 15 a 20 minutos

Meinhos
  • Número de jogadores-> 5, em quatro campos, GRs incluidos
  • Duração-> Cerca de 5 minutos
  • Descrição do exercício-> 4*1, sempre que um jogador erre um passe passa a ser ele a tentar recuperar a bola.
  • Orientação do Feedback-> Qualidade de execução, Velocidade na tomada de decisão
Posse de bola
  • Número de jogadores-> 10, em dois campos, GRs incluídos
  • Duração: Cerca de 10 minutos
  • Descrição do exercício-> 5*5 em espaço reduzido (Pontua, por exemplo, a equipa que fizer 5 passes seguidos), em dois campos
  • Orientação do Feedback-> Comunicação (Tens espaço, tens homem, estás só, etc...); Velocidade de percepção; Velocidade na tomada decisão; Velocidade de execução; Criação de linhas de passe em apoio; Contenção e cobertura; Qualidade de execução.
Exercício 1
  • Número de jogadores-> 6, em três campos
  • Duração-> Entre 15 a 20 minutos
  • Descrição do exercício-> 2*2, com outra equipa de 2 jogadores fora do campo com uma bola. Uma equipa ataca uma baliza, de cones, sendo que um jogador da equipa que defende vai para a baliza criando uma situação de 2*1. Assim que essa equipa marque ou a equipa contrária recupere a bola, a equipa que está de fora entra para atacar a equipa que acabou de atacar ou que perdeu a bola de forma a que se realize uma transição defensiva para a equipa que atacou. A equipa que defendia em primeira instância, coloca-se fora do campo a espreita do momento oportuno para atacar. Posso decidir o momento de entrada da equipa de fora caso queira ou não uma transição defensiva mais brusca ou mais lenta o momento de entrada em jogo da equipa que está de fora.
  • Orientação do Feedback-> Para quem ataca: Entrada rápida para aproveitar desorganização ou entrada lenta?; Timing de condução, de drible, de desmarcação e de soltar a bola; Soltar bola no pé ou no espaço?; Ao perder bola, foco na transição defensiva. Para quem defende: Aproximação ao portador da bola; Timing de desarme.
Exercício 2
  • Número de jogadores-> 9, em dois campos
  • Duração-> Entre 15 a 20 minutos
  • Descrição do exercício-> Em tudo igual ao Exercício 1, com excepção do número de jogadores em jogo: 3*3, com outra equipa de 3 jogadores fora de campo. Objectivo de criar situações de 3*2.
  • Orientação do Feedback-> Em tudo igual ao Exercício 1, com uma atenção especial a criação de linhas de passe ao portador da bola e as coberturas por parte de quem defende.
Exercício 3
  • Número de jogadores-> 10, em dois campos, GRs incluidos
  • Duração-> Entre 15 a 20 minutos
  • Descrição do exercício-> GR + 4*4 + Joker. Uma equipa defende duas balizas de cones e outra defende baliza com GR. Alternar por tempo quem ataca o quê e o Joker.
  • Orientação do Feedback-> Para quem ataca: Criação de linhas de passe ao portador da bola; Velocidade de percepção, na tomada de decisão e na execução; Transição defensiva; Qualidade de execução. Para quem defende: Quem sai em contenção, quem fica nas coberturas?; Timing de desarme; Defender por zonas.

Dia 2

Aquecimento com duração entre 15 a 20 minutos

Meinhos

  • Número de jogadores-> 10, em dois campos, GRs incluidos
  • Duração-> Cerca de 5 minutos
  • Descrição do exercício-> 8*2. Cinco equipas de 2 jogadores. Cada vez que um elemento da equipa erra o passe, vão os dois tentar recuperar a bola.
  • Orientação do Feedback-> Qualidade de execução, Velocidade na tomada de decisão, Fechar espaço interior, Contenção e cobertura.
Posse de bola

  • Número de jogadores-> 9, em dois campos
  • Duração: Cerca de 10 minutos
  • Descrição do exercício-> 4*4+Joker em espaço reduzido (Pontua, por exemplo, a equipa que fizer 5 passes seguidos), em dois campos
  • Orientação do Feedback-> Comunicação (Tens espaço, tens homem, estás só, etc...); Velocidade de percepção; Velocidade na tomada decisão; Velocidade de execução; Criação de linhas de passe em apoio; Contenção e coberturas; Qualidade de execução.


Exercício 1, com a duração de 10 minutos

Exercício 2, com a duração de 10 minutos

Exercício 4
  • A única diferença para o Exercício 3, é o facto de o campo estar dividido em largura.
Exercício 5
  • Número de jogadores-> 14, GRs incluidos.
  • Duração-> Entre 10 a 20 minutos
  • Descrição do exercício-> Jogo a meio campo GR+6*6+GR. Uma equipa de 6 de fora a receber Feedback e a alternar a entrada no exercício com as outras.
  • Orientação do Feedback-> Organização estrutural da equipa (sistema táctico), consoante a minha ideia (1-2-3-1), enquadrado em tudo o resto que estivemos a trabalhar nos exercícios deste treino e do anterior.

Dia 3

Aquecimento com duração entre 15 a 20 minutos
  • Meinhos 4*1, com duração de 5 minutos
  • Exercício 1, com duração entre 5 a 10 minutos
  • Exercício 2, com duração entre 5 a 10 minutos
Exercício 3, com duração de 10 minutos

Exercício 4, com duração de 10 minutos

Exercício 5, com duração de 10 minutos

Exercício 6
  • Este exercício serve para dar mais tempo de treino a quem teve mais dificuldade nos exercícios 1 e 2, e evoluir no comportamento a quem já apresenta um estado de maturação bom dentro de cada um dos exercícios anteriores. Portanto, aqui dividiria o grupo em 2. 
  • Dois grupos de 7+GRs a jogarem em dois campos GR+3*3+Joker com alternância de quem finaliza pra baliza ou para os cones e do Joker.
  •  E um grupo que teve mais dificuldade a jogar o exercício 1. Posteriormente poderiam haver trocas entre os jogadores de cada grupo, por forma a que se integrassem também no outro exercício.
  • Duração do exercício->Entre 15 a 20 minutos

Considerações finais: 
  1. A estratégia de Feedback passará sempre por intervir o menos possível, deixando o ambiente propício a criatividade dos jovens jogadores, promovendo autonomia nas suas decisões. Muito reforço positivo para quem tome as melhores decisões. Não intervenho quando sinto que um jogador errou por questões técnicas, pelos constrangimentos do próprio exercício e dinâmica que ele ganha e pelas condições do terreno e climatéricas. Se um jogador teve a intenção de fazer bem e por algum desses motivos errou, dou reforço positivo a essa "boa" intenção.
  2. Se não houver GRs definidos tentaria fazer com que todos os jogadores passassem por essa posição.
  3. Sempre que o GR não é referido no exercício, está a fazer trabalho específico de baliza.
  4. Paragens para beber água obrigatórias.
  5. Os alongamentos e activação fazem parte do tempo de aquecimento e no final também há tempo para alongar, se necessário.
  6. O treino anterior influencia sempre o seguinte, portanto os micro-ciclos seguintes e mesmo o tempo de exercitação dentro do próprio micro-ciclo, assim como as condicionantes, devem ser alterados consoante a evolução destes exercícios e do jogo.
  7. Todos os jogadores devem passar, na medida do possível, por todas as posições de campo, pois nestas idades não é necessário definir posições. O importante é eles perceberem a melhor forma de jogar em cada posição, a relação posicional com os colegas, adversário e bola e adaptarem-se a cada posição de forma eficiente.
  8. O treino tem no máximo 70 minutos porque o jogo, nestes escalões tem 60 minutos + 10 minutos de intervalo.
  9. A maior parte dos exercícios têm poucos jogadores em acção, por forma a que os jogadores estejam o mais tempo possível em jogo. A interagir com as constantes mudanças que o jogo promove e a aprenderem com cada uma dessas mudanças. Entendo que nestas idades é fundamental que eles estejam "sempre" em jogo, sempre a participar em todo tipo de acções. Excepção óbvia para a organização estrutural.
  10. É importante variar os exercícios, por forma a que eles passem pelo maior número de estímulos possível. Mas não menos importante é a repetição sistemática dos "mesmos" estímulos, para que eles consolidem a aprendizagem. Fazer muitos exercícios, diferentes, só porque é giro, não tem eficácia em termos de aprendizagem dos jogadores.
  11. Toco na transição defensiva porque é a mais difícil de realizar, pois por natura toda gente quer marcar golo e reage logo que ganha a bola, mas quando se perde a bola já não é tão fácil reagir.
  12. A progressão é de vital importância e mal eu perceba que o exercício já esgotou tudo o que tinha para oferecer aos jogadores, paro e passo ao próximo ou altero constrangimentos na hora.
  13. Só coloquei imagens dos exercícios que achei mais difíceis de compreender pela sua descrição escrita.
  14. Não sei se o fora de jogo se aplica ou não no futebol 7, daí não o ter referido.


sexta-feira, abril 12, 2013

Agressividade


Entendo que no futebol moderno, pelo reduzir dos espaços de criação e pelo crescente número de pernas a ultrapassar, a agressividade é uma necessidade.





Certamente um jogador apreciado por vós…
Mas não, não era este o vídeo!
Isso, não é a agressividade que procuro num jogador de futebol porque futebol não é, ainda, luta livre.

Entendo o futebol como um jogo colectivo e como tal, para mim, “todos” os princípios de jogo criados por “mim”, para a minha equipa, devem ser colectivos. Sem bola somos todos defesas, com bola somos todos organizadores de jogo.
Como tal só entendo uma forma de defender nesses termos: Defesa Zonal.

Por ser impossível, pelas dimensões do terreno, ocupar de forma equilibrada todo o espaço de jogo, então eu opto por defender as zonas que “acho” mais pertinentes. Dependendo da zona da bola quero uma basculação, eficiente, de forma a defender a baliza com uma concentração grande de jogadores. No meio campo defensivo ou no meio campo ofensivo quero, “sempre”, uma concentração tal de jogadores que o adversário só tem duas alternativas: Bater longo ou enfrentar, sozinho, a minha zona de pressão.
Dessa forma, estou sempre mais perto de recuperar a bola criando sucessivas "superioridades numéricas", isso se os jogadores forem agressivos. 
Agressivos no sentido em que entendo o termo para o futebol. E essa agressividade, sem bola, é atacar os espaços de forma rápida e assertiva, reduzindo as hipóteses de sucesso ao adversário. É adaptar em segundos o posicionamento consoante o movimento da bola e a acção dos colegas. É “acreditar que o meu colega vai ser sempre batido”, é “sair sempre eu (em caso de dúvida) na bola deixando que os colegas compensem o restante espaço" (By: Miguel Nunes algures no Lateral-Esquerdo).
As coberturas e concentração defensiva são para ser feitas no local certo e são para “ontem”!

É, então, necessário dotar os jogadores do conhecimento que os permita ocupar os espaços de forma correcta. É obrigatório que eles entendam realmente o comportamento, pois decorando vão errar muitas vezes, podendo comprometer toda organização colectiva. O objectivo é fechar de forma rápida todos os caminhos (espaços/linhas de passe) mais próximos da minha baliza. É depois necessário, claro, atacar o homem da bola. Mas sempre com o intuito de recuperar a sua posse, pois é esse o meu principal objectivo.
Não encontrei, infelizmente, nenhum vídeo que retrate o que quero dizer com agressividade defensiva por forma a que melhor visualizassem o que tento explicar. Tenho, no entanto, esperança que o entendam de forma clara.

Por fim, é também essencial a agressividade com bola. Atacar os espaços que o adversário nos deixa para penetrar e finalizar. Provocar o adversário dentro do seu bloco.

Apresento o jogador mais agressivo que conheço, com bola…


Messi tem, de facto, um conhecimento superior do jogo. Tem características físicas e técnicas que lhe permitem concretizar tudo o que ele imagina. Mas Messi também erra, muito menos que os outros, mas de facto erra. Só que é tão eficaz que dá a impressão que faz, sempre, tudo bem. É o jogador mais eficaz da história do jogo em todas as suas acções, é o melhor que vi jogar.

quinta-feira, abril 11, 2013

Modelo de jogo


Modelos de jogo,  muito se fala nesta componente do planeamento, na minha opinião é importante para ter um guia que nos lembre dos princípios que queremos implementar, não deve ser algo imutável  eu em 5 anos de treinador já construí 3 modelos de jogo, adaptados a cada plantel que possuo e assim adapto o meu modelo aos jogadores que tenho. 


O modelo assenta fundamentalmente em princípios metodológicos, isto é algo em que acredites, pode ser mais a direito ou mais curvo, pode e deve ser algo que se possa adaptar.


Os meus princípios são  os seguintes.

  - PRINCÍPIO 1 / ATITUDE OFENSIVA

» 1 / 2 Toques! Decisão e Execução Rápidas!

» Organizar rapidamente o Ataque, procurando o apoio curto e/ou longo em profundidade, para chegar à baliza adversária em Superioridade Numérica e Finalizar com êxito!

» Utilizar acções que privilegiem 1/2 toques com progressão, através de Desmarcações de Apoio ao portador da bola, com subida de toda a equipa, “em bloco”, reduzindo o Espaço Ofensivo e garantindo o Pressing ao H. c/ bola, imediatamente, caso percamos a bola!


  - PRINCÍPIO 2 / ATITUDE DEFENSIVA

» Pressing / Atitude Fundamental!

» Imediatamente à perda da posse da bola, todos os Jogadores da nossa Equipa, reduzem o espaço ofensivo de intervenção do H. c/ bola, pressionando com ajudas e garantindo uma atitude pressionante alta em termos de Espaço e de Motivação!

» O Objectivo Fundamental é reduzir o Tempo de Decisão e o Espaço de Execução e Progressão do portador da bola e das primeiras linhas de passe!

» Ganhar a bola rapidamente, antes da reorganização adversária, através da rápida aproximação em superioridade numérica, para conquistar a bola e relançar o Processo Ofensivo, Rápido, e também em Superioridade Numérica




O modelo é algo para os atletas e por isso no inicio de cada época faço a minha apresentação, porque a visualização é uma componente importante para os jogadores perceberem o que se pretende deles.

A Minha última apresentação foi:











































Espero que gostem! 


Abraço.